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Noticia e Informacao contextualizadas
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  • Foto do escritorLuís Peazê

Uma voz feminina dos oceanos

Atualizado: 17 de jul. de 2022


As vozes dos oceanos são muitas, felizmente, mas uma em particular e feminina é bom ouvir. Heloisa Schurmann é esta voz. Para muitos ela dispensa apresentação; no Brasil, o sobrenome Schurmann é imediatamente associado à família que trocou a vida convencional na cidade, ou no campo, e saiu para velejar tendo até hoje dado quatro voltas ao mundo velejando. A sua história pode ser conhecida em livros, em seriados de TV, na Netflix e por aí afora, incluindo a grande exposição midiática convencional e digital do projeto “Voices of the Oceans”, que a família Schurmann embarcou ano passado, ora em franco progresso.


Às vésperas da Conferência da ONU para os Oceanos, em Lisboa, entre 27 de junho e 1 de julho, procurei o CEO do projeto “Voices of the Oceans”, David Schurmann, para uma entrevista, mas foi com a sua mamãe que acabei conversando, por zoom conferência, ela em Fort Lauderdale e eu em Vila Franca de Xira.


Quando a família Schurmann embarcou no Brasil, para a sua primeira travessia oceânica, em 1984, seu filho mais velho, David, à época tinha 10 anos. Então sem muito esforço é possível peceber que Heloisa é no mínimo contemporânea deste observador que lhe entrevistou, sexagenário embora com hábitos incorrigíveis de uma criança sonhadora. Mas até nisso, ao conversar com Heloisa se tem a impressão de que ela sonha com o próximo minuto numa experiência marinha. Ambiente que ela mesma descreve como “o seu jardim”, a tal ponto de dizer que os animais marinhos são seus bichinhos de estimação. Revelou, até, que deixou recentemente de comer peixes e frutos do mar por conta dessa ligação íntima. Mas também confessou que este novo hábito alimentar surgiu ao conhecer in loco com os próprios olhos, no microscópio, pesquisas de laboratório que lhe mostraram resíduos de plásticos não somente no estômago de peixes, mas em suas carnes. E isso é mesmo verdade, micro-plásticos, partículas comumente chamadas de pellets e ainda menores, são encontradas em todo o território marinho e costeiro. Mais uma vez posso testemunhar pois à frente do Instituto Brasil Costal – BRCostal, em 2010, participei de uma pesquisa para uma universidade do Japão e coletei

pessoalmente amostras de pellets de algumas praias cariocas e no “Maracanã do Surf”, Saquarema.


Heloisa Schurmann esbanja simpatia e vontade de falar sobre o mar e os problemas que tem tornado os oceanos ameaçados. Ela mesma revela que é uma das líderes do projeto Voices of the Oceans. A bordo permanentemente do veleiro Kat, equipado com sofisticados recursos tanto de navegação quanto de fornecimento de energia alternativa, seleção e tratamento sustentável de resíduos, incluindo a trituração de embalagens de vidro e compostagem de matérias orgânicas descartadas. Alguns parceiros e patrocinadores do projeto são fornecedores de produtos inovadores de tratamento seletivo de resíduos a bordo do veleiro Kat.


Heloisa falou empolgada de uma série de livros infantis que está enviando neste momento ao prelo. E parece que não lhe falta fôlego, nas últimas semanas, além de dezenas de interações via mídias sociais, produzidas com requinte de film maker, a equipe do “Voices of the Oceans” realiza eventos de limpeza de praia, e a Heloisa vai junto, fazendo palestras ao ar livre, em escolas e em todos os lugares que lhes são oferecidos. Ela mesma participa das ações de recolher o lixo descartado irresponsavelmente nas areias das praias, e ao longo do processo vai parando e conversando com pessoas. Segundo Heloisa é a conscientização o maior ganho dessas ações, pois limpar as praias é praticamente impossível, como se sabe.


Mas além de ações públicas, Heloisa lembra do esforço científico do projeto, cujo coordenador é Alexandre Turra, oceanógrafo da USP – Universidade de São Paulo Coordenador da Cátegra da UNESCO. Em 2012 destaquei o trabalho do Prof. Dr. Alexander Turra, então no Departamento de Oceanografia Biológica, Instituto Oceanográfico, Univesidade de São Paulo – USP-. Ele publicara um trabalho científico com o título hermético “Plastic pellets as oviposition site and means of dispersal for the ocean-skater insect Halobates / Pelotas de plástico como lugar de deposição de ovos e meio de dispersão do inseto Halobates conhecido como skatista do mar”. Uma descoberta inédita trazida à tona pela primeira vez ao mundo, no Brasil. Pois Heloisa conta-nos que recolhe alguns exemplares de lixo marinho e costeiro e envia para Alexandre analisar, e esta é uma frase curtinha de um longo e delicado processo científico para identificar causas, origens e potenciar soluções a um dos mais dramáticos problemas de agressão ao eco sistema marinho.


Depois da conversa amigável e animada com Heloisa, gostaríamos de ter recebido a resposta a uma pergunta que enviamos diretamente ao David Shurmann, mas a Heloisa contou a verdade: David “virou cineasta internacional”, palavras dela, e só tem cabeça para pinguins, está no momento em New York tratando de um filme sobre pinguins. Pedi ao David que me desse uma noção do custo do projeto Voices of the Oceans, desde a preparação do veleiro, da travessia como um todo em relação ao alcance de audiência na linha do tempo e talvez uma análise de somatório verbal, nominal e “share of mind / voice” espontânea. Mas fiquei a ver navios. Talvez quando encontrar David e seus pinguins na Convenção dos Oceanos, em Lisboa. Fica a brincadeira em aberto, e o convite ao leitor a visitar o website do projeto Voice of the Oceans.


Mas falando sério, David estará na Conferência dos Ocanos, acompanhado de João Eduardo Villamor Amaral que enquanto este texto é publicado, realiza, aqui mesmo em Lisboa, a jornada ABFintechs no ecossistema de inovação, tecnologia e fintechs em Portugal 🇵🇹.


A ABFintechs, em aliança com a Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil | Atlantic Hub | Atlantic Station | Nogap está em sua 1a missão empresarial internacional oficial em território europeu.


Para terminar, com as vozes dos oceanos, na próxima semana destacaremos aqui mais vozes, européias, australianas, americanas e mais vozes brasileiras, no H2BLUE.info



Este vídeo foi criado por Luís Peazê, imagens cedidas de várias fontes, texto e voz do autor, em 2010, log após o autor retornar da Convenção da ONU em Nairobi, que deu a arrancada da Década da Água. Subsequentemente o vídeo foi atualizado, em 2017, e hoje os problemas apontados estão ainda mais graves...


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