Como acabar, ou talvez diminuir um pouquinho, a corrupção no Brasil?
- Luís Peazê

- 29 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

Este ano fiz uma árvore de Natal só com meias, cheias de pedidos. Nunca pedi tanta coisa para o Papai Noel, se ele me der 0,05%, isto é, meio por cento, do que pedi já será um alívio.
Por exemplo, um dos modestos pedidos, eu ganho por mês de aposentadoria menos de meio por cento do que ganha um empregado que eu pago parcialmente em cada pão, café, arroz e feijão que eu compro no supermercado; taxas e impostos que eu pago em cada compra de produtos e serviços que utilizo para viver com dignidade são utilizadas, somando-as com as mesmas contribuições de outros brasileiros, para pagar o Presidente da República, e os Senadores, Deputados Federais, Juízes do Supremo Tribunal Federal e outros servidores públicos; eles ganham cada um oficialmente por mês R$46.366,19 fora benefícios e adereços que entram em suas contas bancárias, relação de bens próprios e de seus parentes e amigos, e, claro, não precisam pagar moradia, transporte, essas amenidades que a contabilidade de todos nós inclui como despesas básicas e gerais. Medicamentos, médico e hospital? Também não pagam nada e eu também porque me convenci de que o meu livro O Organismo é Sábio é uma bíblia e levo esta religião a sério, do contrário teria que incluir no plano de contas, da minha contabilidade, códigos que contabilizassem estas despesas ocasionais…
Pois, se eu passar a ganhar o dobro que eu ganho, em torno de meio por cento do que ganha qualquer presidente da república que habitar a Granja do Torto, ou Senador, ou Deputado, ou Juíz Federal que habite uma casinha no sofisticado Lago Sul (uma cópia brega de Mar-a-Lago, na Flórida, e esta minha idéia talvez seja um recalque de inveja…), outros preferem o Lago Norte com sua aparência texana, boiadeira (mais uma vez deve ser o meu ciúme crônico), mas enfim, se eu passar a ganhar meio por cento do que esses servidores têm como vencimentos mensais, ficarei um pouco mais tranquilo…

Mas o título desta crônica de 1000 palavras (só escrevo crônicas de 1000 palavras, valem mais do que qualquer imagem) não era sobre se eu passar a ganhar, era “Como acabar, ou talvez diminuir um
pouquinho, a corrupção no Brasil?”.
Valeu! Agora este sintagma, curto e mole, faz até passar na roleta do metrô; lembro no início da década de 90 quando surgiu um “Com certeza”!, bah era a coqueluche, não havia quem não utilizasse, a qualquer hora, e logo depois surgiu um mais onipresente ainda, talvez até dormindo as pessoas, no Brasil, passaram a utilizar, era o “fala sério!” Pra tudo, eu não, eu não, fala sério! Hoje é: - Valeeeu! O que isso quer dizer? Nada, vamos em frente:
- Após tomar conhecimento de um livro publicado pela mãe de um colega de trabalho, o editor senior da Vox Media USA, Dra. Ruth Faden, “Structural Injustice” tradução livre “Injustiça Estrutural” apliquei as teorias ali discutidas entre ambos os autores (ela escreve com o estudioso Madison Powers) com a minha teoria “in progress” da fractalização negativa que, em síntese, bem resumidinha mesmo quer dizer o seguite: as pessoas ouviram o galo cantar e nem sabem se é um galo mesmo ou é o Ferrugem imitando um galo. Falando sério, quer dizer o seguinte a minha teoria da fractalização inversa:
A abundância de afirmações e descrições, nem todas com valor de informação, é desumana, no sentido de que ao utilizar menos de 3% de nosso cérebro, até prova em contrário, não temos, ninguém tem, condições de contextualizar amplamente um dado, alguns dados agrupados, verificar se informam, ou ensinam, talvez expliquem, ou comprovam, quiçá revelam ou denunciam e por aí afora. Mas ela pensa que sabe, que entendeu tudo, jura que está certa, por dentro de tudo (porque a discriminação de gênero? Não se trata de discriminação, estou é invertendo a utilização de comum de dois gêneros utilizada num passado remoto, então se você é homenzinho, quando eu disse “ela” considere-se incluído, tá?, Valeu!).
Outro viés que exploro com dedicação, após horas, meses debruçado sobre o assunto, tentando até corromper minha ideia já consolidada em mim, tentando provar pra mim mesmo que estou errado, antes de publicá-la, esta da fractalização negativa, outro viés é o da temporalidade que permite a edificação, ou calcificação, do espelho retrovisor. Em suma, sem retrovisor você não vai a lugar algum, seguro. Tem sempre que olhar para trás, por segurança, pois há pouco conhecimento mais valioso do que a experiência…
Agora sim, como faltam algumas poucas trezentas palavras ou menos, retomo à questão do caput; como acabar, ou diminuir, a corrupção no Brasil?
Em primeiro lugar, corrupção não é necessariamente um mal negócio. É uma virtude rara que no Brasil adquiriu como o samba e o futebol, o café e a laranja, a manga e o gado holandês, nuances de uma equação genuinamente brasileira, a equação da ergogenia e psicossinergia somadas no ritmo, ou volume alavancado, ou não, pela teoria do ímpeto (o jeito mais fácil de exemplificar é desenhar uma gangorra, com risquinhos pra cima e pra baixo, de cada lado).
Ou seja, no Brasil a corrupção era pra ser uma de nossas virtudes, corromper a língua portuguesa, e cultura, dar um drible nos portugueses, holandeses, franceses, alemães, árabes, naquela galera toda e ficarmos aqui abrasileirados com temperos africanos açucarados de índios e pronto. Mas falhamos com nós mesmos.
Fizemos isso com o café, hoje o vendemos todo lá para os gringos; o futebol acabou, o samba agora só boi dança (sóboidança?), praia ? Alugamos barracas, é mole? Tudo acabou, menos a tendência à corrupção, da qual mantivemos o pior. Uma obrinha na calçada, um murinho que seja de um lugar público, não tem jeito, rola uma merreca, depositada na Suiça. – Você tem certeza que preciso explicar em mais mil palavras, ou concorda comigo nestas últimas vinte e cinco: - Precisamos nos reinventar, reinventar o Brasil de norte a sul, pra mudar a definição de corrupção, corrompê-la.







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