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Um país escatológico, digo, rico em adubo. Cacabit! Em 500 palavras.


Do latim "cacare" na terceira pessoa, futuro presente do indicativo, "cacabit" seria traduzido vulgarmente como "vamos cagar". Num país que inventou o samba de carnaval e continuará eternamente na escola, aprendendo o que ele mesmo inventou, me ocorreu fazer uma pergunta similar à do meu amigo Vargas Llosa logo no início da Conversa na Catedral (aliás uma história real ficcionada sobre o Brasil): - Onde foi que o Peru se fodeu?


I Simpósio do Semblante Nacional www.luispeaze.com/livros
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Quando protagonizei a realização única do I Simpósio do Semblante Nacional, obtive de um chinês que trabalhava na Editora Quartet, do amigo Chazinho, digo Alvanisio Damasceno, criador das Carmelitas, famoso épico bloco de Santa Teresa, a ilustração para a capa: uma bunda de brasileiro abaixado, não exatamente de joelhos, fazendo referência à bandeira brasileira com uma pequena estrela no cú*. Obra prima ao lado.


Se eu fosse escrever uma história sobre o Peru, perguntaria no início: quando o Brasil vai parar de tomar no cú? - Pra começar, perguntei ao Google "alguém mandou o Ancelotti tomar no cú?" e ele respondeu; perguntei em seguida se alguém mandou Neymar tomar no cú e o Google confirmou, sim, tanto o Ancelotti como o Neymar foram delicadamente ovacionados com esta recomendação. E uma inferência automática me faz concluir que desde o ano 1500 cada brasileiro assim que nasce adquire este bilhete, e vai, cedo ou tarde cada brasileiro vai. E este sintagma sugere exatamente isso, o Brasil é um país do futuro, vai, não é, e se um dia foi, continuará indo. Portanto, é uma contínua escola.


Uma comparação com a Roma antiga, onde as Foricae, latrinas públicas, eram instalações com bancos de pedra com furo, enfileirados, para as pessoas cagarem em grupo, e onde aproveitavam para fazer negócios, discutir política, por aí afora... No Brasil vivemos a céu aberto, ou em casa..., conclua você mesmo atencioso leitor.


Me refiro àquele passado longínquo, porque cresci numa casa onde por algum tempo, antes da instalação do sistema sanitário no bairro, havia uma casinha de madeira, porta com tramela, com uma fossa sob um banco com uma abertura redonda estrategicamente alisada nas bordas para a gente "ir aos pés". Outra lembrança é de quando eu ia visitar parentes "lá fora", próximo de Encruzilhada do Sul, e onde cagar era uma prática livre, isto é, no campo, atrás de um arbusto e a limpeza do cú era feita com folhas de assa-peixe ou boldo, ou com palha seca de milho e muitos preferiam o próprio sabugo. Bah!


A profusão de hábitos tais como botoc, enchimento de nádegas, tatuagens e piercings, endomarketing, selfies do rosto com a ponta do pezinho levantando o calcanhar, mesmo que ele não saia na foto, a cultura da intuitividade para clicar e ficar todo molhadinho ludibriado por pensar que aprendeu "fácil" a utilizar o aplicativo, sem perceber que é peixinho fácil de fisgar; enfim, a cultura "knucle head" é "cool" no Brasil e sugere escatologia, ao reverso. Somos uma permanente escola de samba, e vai passar... Tudo em 500 palavras.


*cu com ou sem as(sc)sento?


Livros de Luís Peazê www.luispeaze.com/livros
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Luís Peazê: Escritor, Jornalista, Tradutor

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