Fado do Mar, imagine!
- Luís Peazê

- há 30 minutos
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- Pensei, que poderia conhecer-te bem... Eu estava em Portugal, me escaldando da tal pandemia de nosso tempo, quando Richard RIP Hayman me envia uma mensagem. Eu nunca havia ouvido sobre ele. – Quem é Richard? Foi a primeira coisa que me ocorreu. – Richard, como você me achou? E ele me respondeu: – Ouvi sobre você num clube em New York, era um encontro de aventureiros de toda sorte, a maioria velejadores e um deles citou seu nome e o “Alvídia – Um Horizonte a Mais”.
Para um autor, isso não tem preço. Por vários ângulos, isso é incrível! Richard me fazia um pedido, queria encontrar-me em Lisboa, os momentos foram se sucedendo, em meio à pandemia, em meio a implementação precoce do Café Peazê, livraria e ponto de encontro, aliás o nome era oPONTO, fazendo parceria com outra iniciativa minha, oPONTO NEWS, fazendo matérias para o The Times, cobrindo eventos da ONU, etc, me virando para vencer a paralisia e confusão provocadas criminalmente no mundo todo. Havia vendido num relâmpago record meu veleiro de 36 pés/12 metros, onde morava, mais um sonho realizado... Transformara meu atelier, onde eu acabara de

construir um Herreshoff 11-1/2”, uma das nove réplicas que já construí, e as vendi, no Brasil, nos Estados Unidos, em Portugal; planejara desenvolver aquele atelier, fazer trabalhos com nós e cordas, construir outros barquinhos, enfim, tocava o Café Peazê… E o Richard aparece.
Ele me procurou para viabilizar o Fado do Mar, uma letra em inglês de um fado que ele criara; queria que eu traduzisse e viabilizasse o canto, a música, a coisa. Eu milagrosamente acabara de ter conhecido Mário Calado, um fadista tradicional dos poucos ainda em atividade do jeito antigo e nascido, criado e enraizado em Vila Franca de Xira, onde tudo isso acontecia. Calado, ex-vereador da cidade, foi presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, uma figura única, daquelas pessoas que conversa com você e se emociona com facilidade a ponto de chorar, chorar mesmo, às lágrimas, entre risos e mais choro. Então imediatamente procurei Calado e ele cravou quase instantaneamente que aquilo não era um fado, aquela letra teria que ser trabalhada, rima, tempo, fluxo, fio condutor, etc. Ele iria tentar. Mas o tempo passou e se nos perdemos todos de vista.
Tive o prazer de encontrar Richard em Lisboa (2023), ao lado da Brasileira, próximo onde Fernando Pessoa “diante deste cais de pedra deitou léguas em pensamento” e conversamos a ponto de decidir com a pulsação: - Somos amigos!
Richard foi amigo íntimo de John Lennon, participou de protestos em New York com esse autor de, entre outras coisinhas, Imagine; foi refugiar-se no Vietnã com John Lennon, tornou-se dono do bar mais antigo (1817) de New York, o Ear Inn até hoje, onde vive quando não está em navios de cruzeiro (“ear” porque o B foi mal pintado e deixaram assim), no SoHo, um ícone e ponto turístico tradicional. Richard é, entre outras coisas, além de Capitão de Navios de Cruzeiro, músico e experimentalista da matemática e física dos sons, criador de uma trilha simplesmente nomeada StarTrek… http://www.riphayman.com/

Aquele chamado, e encontro, acontecera em 2023, ficou na memória até que dias atrás, agora em 2026, Richard avisa que passará pelos Açores em rota para Lisboa e gostaria de “ver”, ouvir o seu Fado do Mar cantado por um português para ele finalmente finalizar sua composição musical. Enviou a letra traduzida por mim naquela outra oportunidade.
Eu estava a bordo do meu pequeno Helga 2, fazendo reparos e ajustes em várias partes como é de praxe num veleiro que fica muito tempo abandonado, pelo antigo dono, eu balançava na poita na enseada de Botafogo, acreditando que o Cristo Redentor de braços abertos me protegia, que o Pão Açúcar me chamava para velejar, sem pensar duas vezes envio de bate pronto, folha seca, trivela, para Calado que, desta vez, mata no peito sem nem olhar pra bola, lá em Vila Franca de Xira, a copa do mundo iria começar em breve e nós três já fazíamos juntos vários gols de placa; Calado pede para a “mãe de sua neta” que utilize a IA para arranjar o fado enquanto ele arranja músicos e ensaia o canto; Calado está com a bola, devolve pra mim, eu aceno direto para Richard se preparar para entrar na área, e devolvo a bola pra Calado; ele recebe, ajeita, me devolve; avançamos e, é Gooooooollllll! Antes do time fraquinho assustado entrar em campo pelas mãos do Ancelotti; não o Lancelot que ganhou a princesa do Rei Arthur, o Ancelotti italiano que treina a celeste canarinho sem pena…
Eis o Fado do Mar que conta tudo o que eu aprendi ao realizar o sonho de construir um veleiro e viver conectado com esse universo indizível, H2BLUE.








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