top of page
logo_oponto_news_H2Blue_round_radio_cafe-removebg-preview.png
Noticia e Informacao contextualizadas
00:00 / 03:51
  • Foto do escritorLuís Peazê

Dia Brasil Infantil Nacional do Livro

Atualizado: 21 de abr.


Royal que foi do Almt. Paulo Moreira, precursor da Oceanografia no Brasil, amigo de Rubem Braga que datilografou crônicas nesta máquina, aqui minhas mãos a trabalhar...
Royal que foi do Almt. Paulo Moreira, precursor da Oceanografia no Brasil, amigo de Rubem Braga que datilografou crônicas nesta máquina, aqui minhas mãos a trabalhar...

Em 15 minutos devo colocar o ponto final, não sete como aquele livro de experiências sexuais, pois é assunto infantil, entretanto uma crônica, que leva uma terça parte do tempo para ler; vamos lá:


Brasil!!! Gritou um português apressado, e até hoje não se sabe se foi mesmo pela cor da tal árvore ou pelo sorriso escancarado na cara dos aborígenes anfitriões, lisinhos e amarronzadamente amagentados pelo sol: - bem-vindos, entrem, aproveitem tudo o que puderem, façam o que quiserem, divirtam-se; ora, eram ingênuos, sorriam e riam, não conheciam o mundo lá fora, não sabiam que a maldade de lá não era igual à maldade daqui, aquele negócio de comer gente, assar macaco com pelo e tudo, por aí…


Eu, meio bugre, meio patagônico, alentejano com certeza, ancestralmente africano puro, segundo minha guia da Umbanda, voz digo: - quinhentos anos depois da morte de Caramuru, o governo decide cunhar o dia 18 de Abril de Dia Nacional do Livro Infantil. Nada mais coerente, posto que nunca deixamos a infantilidade de lado, a incoerência, a contradição, nunca deixamos de ser um objeto antropossocial em franco desenvolvimento; óh, e foi escolhida a data de nascimento de um autor rotulado de especialista em títulos para crianças, Lobato, que foi membro da Sociedade Eugênica de São Paulo (i.e. eugenia, o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja física ou mentalmente), defensor da Ku Klux Klan, entre inúmeras associações e pioneirismos de gente grande. Claro, isso só aconteceu após ele receber uma herança generosa, que incluia bens e fazendas, em plena época em que um conterrâneo seu, burguês como ele, filho de um dos maiores cafeeiros mineiros, Santos Dumont, tentava voar um brinquedo de criança, chamado  14 bis, em torno da Torre Eiffel; aliás, onde Lobato foi estudar, após ser reprovado em Português, no Brasil. Fim do primeiro ato.



Voltando ao Dia Nacional do Livro Infantil, o homenageado Lobato gostava de escrever cartas (ainda não existia o WhatsApp, Facebook e TikTok) e enviou uma para os armazéns de Secos & Molhados de todo o Brasilll, abre aspas:


“Vossa Senhoria tem o seu negócio montado, e quanto mais coisas vender, maior será o lucro. Quer vender também uma coisa chamada ´livro´??? (ele cravava assim mesmo, 3 interrogações, 3 exclamações, e defendia a ortografia sem acentos…) Não precisa inteirar-se de que coisa é. Trata-se de um artigo comercial como qualquer outro, batata, querosone, ou bacalhau.


Era 1918, e este é um extrato da famosa carta que implantou o sistema “livraria” no Brasil, de um jeito infantil, por Monteiro Lobato, que à época havia falido sua primeira empresa de produção gráfica, montara a Editora Nacional – onde trabalharam os tios deste idiota que escreve aqui, fundadores da Feira do Livro de Porto Alegre – e fundara, com investidores amigos, três, leia novamente, ´três´, companhias de prospecção de petróleo. Menino levado aquele, Maluquinho. Naquela carta ele dava o preço de cada batata, digo, livro, e especificava a comissão que o dono do armazém deveria pagar-lhe, por cada livro vendido. Precursor da Amazon.com  (Livros de Luís Peazê)

Só não podia vendê-los em açougues, porque segundo Lobato seriam manchados de sangue. Eu discordo.


Só pra contextualizar, foi nesta época, mais ou menos, no Brasil tudo é mais ou menos, que os desfiles de carnaval começaram, na Praça Onze, mas era uma puta zona, não havia horário, regra, nem o local era assegurado, nem premiação muitos menos "jurados". Dez, nota Dez, nada disso.


Imagine um macaco numa loja de cristais, Lobato era assim, embora macaco por ele era um sintagma associado em suas declarações racistas, diálogos de seus personagens infantis e por aí afora (i.e. Jeca Tatu, entre tantos outros). Não é uma crítica ao menino Lobato, apenas um registro que me veio a memória enquanto procuro um jeito de terminar esta crônica. Lá se foram ricos 11 minutos. Bah, outro ressaibo sexual contextualizado a título de livro (libidinoso), este do meu amigo Paulo Coelho.


Ele era tão louco que enviou uma carta ao Getúlio, aquele que dizem se matou, embora haja quem diga que foi um crime passional, no Catete. Lobato defendia que o petróleo era nosso. Infantilidade pouca é bobagem, embora foi pressionado por vozes infantis como a de Monteiro que Vargas criou a Petrobrás, que dá o que falar, e prisões, até hoje. Por falar nisso, Lobato foi preso justamente por aquilo, e na cadeia, em três meses “retraduziu” Por Quem os Sinos Dobram (cujo título anterior à publicação no Brasilll era pra ser Por Quem os Sinos Estão Batendo). Re-traduziu segundo cartas dele ao Agripino Grieco, literato da época, parente do Arnaldo Jabor, isto é, fino trato; embora ao se nos profundarmos todos na lama, descobri-la-emos a sufragista Francisca Cordeiro como a verdadeira primeira tradutora do clássico de Hemingway, via Editora Irmãos Pongetti, falida, que pena, que então viria dar por uns trocados os direitos de publicação de Por Quem os Sinos Dobram à editora de Monteiro Lobato, preso, lembremos, que então re-o-traduziu, contudo a partir de um texto remexido pelo tal Grieco, segundo os críticos da época um facão das letras, errava pra´ca. Lobato deixou isso registrado em suas cartas, assim como deixou a cadeia antes do tempo, foi dar uma “saidinha” e ficou do lado de fora. Até eu! Posso fazer esta fofoca toda, infantil, porque tive que pesquisar pra dedéu enquanto eu mesmo traduzia (2003) este que é o título mais completo de Ernest Hemingway, para a Editora Bertrand.


Enfim, aqui no Brasil, quanto mais no meio mais é isso, somos todos fofoqueiros, ou seja, gostamos de bobagens, dizemos brincando, dissimulando, o que sérios não conseguiríamos, infantis, dá no mesmo.


Isso tudo pra dizer, como se expressam os patrícios alfacinhas, que o Dia Nacional do Livro Infantil deveria ser todos os dias, para lembrarmos que precisamos, e iremos, crescer. Desesperado busco “likes” para este apelo, assim como deveria ser todos os dias o dia da mulher, aliás aproveito para reclamar que perdemos a chance de termos criado o Dia do Homem, isso seria hoje um crime, e infantilidade a minha pontuar bobagens numa crônica sobre Pessoas & Palavras, minha editora independente, até que a Zit publique o meu Santiago e o Mar. Saindo do forno, aguardem, é para público infanto juvenil e seniors, franqueada a aquisição também para adultos, solteiros e agregados, agâmicos, poligâmicos e assexuados. Ora, é sobre vencer nossas resistências quanto à realização de desejos, sonhos.


Aguarde o Terceiro Ato.

ATENÇÃO!

NÃO ASSOCIE MINHA CRÔNICA A QUALQUER / NENHUMA PAIXÃO PARTIDÁRIA, OU IDOLATRIA POLÍTICA!


Compre o Crônico - a verdadeira história do gênero crônica, com depoimentos de celebres cronistas brasileiros e crônicas de Luís Peazê
Compre o Crônico - a verdadeira história do gênero crônica, com depoimentos de celebres cronistas brasileiros e crônicas de Luís Peazê



1 commento


Helga
Helga
18 apr

Fantástico!!!!👏👏❤️❤️

Mi piace
bottom of page