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Noticia e Informacao contextualizadas
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  • Foto do escritorLuís Peazê

One of a kind, foi, um momento daqueles!


Era início dos anos 90, no estacionamento do StreetWear Trade Show de San Diego com um carro emprestado e cartas pré escritas cada uma com um saquinho de amostras de "plastic components for the active wear gear & accessories" (i.e. pecinhas emborrachadas moldadas sob medida e design, tais como etiquetas, puxadores de zipper, knee pads, partes para luvas de esportistas, etc). Eu começara a fabricar esses produtos no Norte da Califórnia (FlexImage), fazia contatos nos stands da Feira, corria ao estacionamento, endereçava cartas num notebook GateWay dos primeiros que surgiram, imprimia numa impressora a jato, minúscula e barulhenta, montava um pacote com amostras e retornava para entregar aos clientes em potencial recém contactados. Saí da semana de Feira com uma carteira de clientes e pedidos reais e mais, uma representante, Diane Chapman, que viria a ser minha sócia na Austrália e depois nos Estados Unidos em Chula Vista (FlexSystems). E esse boné da foto?

Esse boné DAKINE da foto me foi presenteado por nada mais nada menos do que o próprio Rob Kaplan, fundador da DAKINE.

Em meados dos anos 70 a indústria do surfe explodia a uma energia comparada às maiores ondas do mundo. Antes de acabar aquela década, cujo “splash” criava tendências de toda sorte, incluindo o aparecimento do skate e toda uma cultura pop de rua (street culture), quando surgiu os Z-boys que inventaram a prancha com rodinhas para manterem a forma até que viessem as ondas perfeitas em Santa Cruz, Venice e Santa Mônica, as vitrines da época, Rob Kaplan que, como todos, surfou no Hawaii, lugar sagrado de batismo do esporte e filosofia de vida, criou a primeira “leash” sob a marca literalmente “singular” DAKINE.

Estabelecendo a empresa no Oregon, Bob seguramente foi um dos responsáveis pela influência do surfe também na neve, na explosão do snowboarding contemporâneo. Da mesma forma que as pranchas de surfe não mais seriam perdidas nas pedras, após a invenção de Pat, filho de Jack O´Neil, Bob criou um dos primeiros estrepes (cordinhas, ou leashes, que prendem as pranchas de surfe no tornozelo dos surfistas) industrializados e um dos mais procurados no mercado. A empresa cresceu rapidamente desenhando e produzindo centenas de acessórios, desde vestuário mesmo a utilidades em todo o tipo de atividade esportiva e de lazer outdoor, até ser adquirida por 100 milhões de dólares para a Billabong, em 2009 e, em 2012 para a Altamont, firma de investimento de capital privado.

Quando você vir um menino ou menina atravessando a rua de pés descalços em direção à praia com uma prancha debaixo do braço, ou assustar-se com o ronco de um skate numa praça no meio da cidade, pense que ali vai o oxigênio de uma indústria fabulosa que acelera a órbita da Terra.

Pois, naquele trade show de San Diego, no início dos anos 90, conheci Jack O´Neil e o seu filho Pat, assim como vários outros que criavam marcas e produtos que vemos hoje em lojas de departamento ao redor do mundo. A Rusty, por exemplo, fui apresentado à mesma numa folha de rascunho numa fábrica em Salinas, logo após aquele Trade Show e dei meu palpite, quando me perguntaram o que eu achava: - está assim mesmo, rusty, eu não mexeria em nada, é uma bela marca.

No penúltimo dia do Trade Show em San Diego, eu já havia feito amizades e estava meio conhecido de um grupo de expositores, sem saber que eram ou lendas antigas ou futuras lendas, quando num restaurante muito engraçado próximo da “feira de cultura de rua”, Rob Kaplan me presenteou com o boné da foto e, meses mais tarde eu estava produzindo etiquetas e acessórios para sua empresa. Mais, Bob resolveu pagar a minha conta no restaurante, cujo garçon olhou para mim e disse-me que eu tinha cara de “ribs and chips”, que vinham num enorme copo de papelão. Aquele restaurante praticava o engraçado atendimento de olhar para um cliente na mesa e escolher pela aparência, é claro, com uma enorme dose de humor. One of a Kind!

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