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Vontade versus o sol não é o centro do universo - vote em mim.

há 4 minutos
5 min de leitura

Peazê na Biblioteca de Babel www.luispeaze.com/livros
Peazê na Biblioteca de Babel www.luispeaze.com/livros

Aos 15 anos, li Nietzsche, entre leituras como A Biblioteca de Babel e Kafka; não era exatamente uma confusão, mas tinha tudo a ver, para um menino que, aos 13 anos, já era centro-médio entre jogadores acima de 20 anos de idade, capitão do time, diga-se de passagem. Naquela época eu ainda não sabia da fissura do Nietzsche por Schopenhauer e da subsequente controvérsia diametral de princípios, em detrimento do pessimismo e ascetismo exacerbados do autor de O Mundo como Vontade e Representação. Eu ficava exausto depois dos jogos e, em vez de sair com a rapaziada, voltava pra casa, cozinhava meu carreteiro ou fritava meu bife a cavalo e deitava ouvindo Pink Floyd e lendo. Comia livros.


E hoje me perguntei por que no Colégio São Paulo não desmistificaram a ideia de que Adão (adam que significa terra) deu uma costela para o Criador montar a Eva em carne e osso? Da mesma forma que os portugueses começaram a escravizar índios na terra onde chamaram de Brasil, para plantarem cana-de-açucar até roubarem grãos de café de um francês, e descobrirem o melhor terroir do mundo para a bebida negra mais popular do planeta, perceberam que a indiada era meio hedonista (preguiçosa) e passaram a trazer seres humanos nobres da África, acorrentados em navios para cultivarem o ouro da vez, fomos aprendendo ao longo da vida que homem e mulher são diferentes, um é forte o outro é fraco, um dá a luz o outro tem o dedo no interruptor, um é dissimulado o outro atira uma cadeira na parede quando fica putinho, contrariado. Fomos aprendendo errado, pra ficar bem claro, ok? Senão eu atiro uma cadeira.


Num dado momento aprendemos que votar em quem manda na nossa vida é um bom negócio. A gente vota, escolhe quem vai mandar no banco, quem vai manter as estradas bem retinhas, a luz no poste e a galinha cacarejando, só nos resta o hedonismo, depois de votar. Carnaval! Vida boa, pernas pro ar, as mulheres abertas, os homens de quatro.


Mas é o mundo que está de pernas para o ar. Era III Antes de Cristo quando fomos avisados que o sol era o centro do universo, e somente em 1543 Copérnico veio com o heliocentrismo, justamente quando abrir corpos para estudar no pseudo-necrotário da época começara a ser "normal"; e hoje já sabemos que, além da IA ainda não estar afinadinha (pois quando estiver, não será mais gratuita, como aquele filme em que as pessoas compram tempo, já viu?) Aristarco estava certo contrariando Aristóteles, o sol não é o centro da coisa toda. Há "um horizonte a mais"...


Mas o que aqueles dois alemães citados no início têm a ver com isso? Borges e Kafka e tantos outros que todos nós poderíamos ler? Desse tchecoslovaco, aprendemos que um livro é o machado para quebrar o mar gelado dentro de nós; e eu vos digo, caro leitor (comum a todos os gêneros), quem leu (esta crônica, por exemplo) nunca mais será o mesmo; se divergiu, já é um bom começo... A Torre de Babel não precisa explicar. Mas sim o que aqueles alemães discutiam sobre o que valia mais a pena: o eu no outro, ou o eu contra o outro. Foi aí que perguntei a IA o que o escritor e filósofo, velejador e jornalista Luís Peazê pensa sobre essa massa falida. – Veja a resposta e vote em

mim, eu prometo consertar o mundo:


“O escritor Luís Peazê toca no nervo exposto da modernidade. Quando ele critica a redução do "ambiente total" a mero "meio" ou "metade" ambiente, ele denuncia exatamente o fatiamento utilitarista do mundo. Se não há uma cultura abrangente, a sociedade perde a visão de conjunto e passa a enxergar a natureza e as relações humanas em pedaços isolados, gerando uma profunda cegueira em relação ao horizonte à mais.



Essa desconexão e a falta de contextualização explodem os conceitos clássicos de Schopenhauer, Nietzsche e da própria ideia jurídica e humana de Responsabilidade Solidária, que ele tanto repete:


⚖️ 1. A Desfiguração da Responsabilidade Solidária

No sentido jurídico, a responsabilidade solidária dita que o credor pode exigir de um ou de todos os devedores a satisfação da dívida inteira. Transposto para o plano socioambiental e humano, significa que todos nós respondemos pelo todo, pois nossas ações geram efeitos sistêmicos.

  • O Diagnóstico de Peazê: A "massa crítica" atual carece dessa noção fundamental. Sem contextualização, as pessoas não se percebem como "atores sociais" vinculados a uma cadeia de consequências.

  • O Choque com os Clássicos: Esse esvaziamento trai tanto a visão de Schopenhauer (onde a solidariedade é o reconhecimento metafísico de que ferir o outro/o ambiente é ferir a si mesmo) quanto a de Nietzsche (onde o indivíduo forte assume a responsabilidade trágica de seus atos sobre a terra). Na carência de contexto, a massa delega a culpa, opera no anonimato das bolhas e recusa o ônus de ser responsável por algo além do próprio umbigo.


🌲 2. "Meio" Ambiente vs. Ambiente Total: A Mutilação do Horizonte

A expressão perspicaz de rebater o termo tradicional por "metade" ambiente expõe como a falta de repertório abrangente destrói o pensamento sistêmico.

  • A Redução a "Meio": Quando a massa crítica enxerga apenas o "meio", ela trata a natureza como um cenário estático a ser preservado por burocracia ou explorado por ganância, divorciado da ecologia humana.

  • O Conceito de Ambiente Total: O ambiente total engloba a cultura, a economia, a psicologia, a biosfera e, crucialmente, o tempo (as futuras gerações). A cegueira em relação ao "horizonte a mais" nos impede de praticar a solidariedade intergeracional, que é a responsabilidade civil e moral com quem ainda vai nascer. Sem um panorama histórico e cultural amplo, o ser humano opera na imediatização, incapaz de projetar as consequências de longo prazo de sua degradação atual.


📉 3. A "Massa Crítica" sem Contexto: O Novo Rebanho

Para que um grupo se torne uma autêntica "massa crítica" (capaz de gerar transformação), ele precisa de substância intelectual e contextualização. Sem isso, o grupo degenera no pior sentido do "rebanho" nietzschiano: um agregado de indivíduos teleguiados por estímulos rasos.

  • A Perda da Visão de Conjunto: Na hiperconectividade, a fragmentação da informação impede que o ator social conecte os pontos. Ele reage à notícia do desastre ambiental ou da injustiça humana com a indignação de um clique, mas não compreende a engrenagem macroeconômica e cultural por trás daquilo. O "outro" e a "terra" passam a ser consumidos como fragmentos de um feed infinito.

Em suma, a crítica de Peazê revela que a crise contemporânea não é apenas técnica ou ecológica, mas epistemológica: ao perdermos a capacidade de contextualizar e a bagagem cultural que nos ancora, abolimos a nossa sensibilidade ética para com o tecido da vida.


Se você quiser continuar esta reflexão, posso (diz o Google IA) articular melhor:

  • Como o conceito de Justiça Intergeracional responde diretamente a essa "cegueira do horizonte"

  • O paralelo entre o "Ambiente Total" de Peazê e a Ecologia Profunda na filosofia contemporânea

  • De que forma a perda da linguagem e do repertório aprisiona o indivíduo no presente, impedindo-o de agir como ator social de fato


 

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