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7 de Setembro: o Brasil enredado num samba-enredo de si mesmo.


Alegria é a cabeça no mundo da lua, “Tristeza é o Pé no Chão”. Por exemplo, ir à praia é ficar preso pelo lado de fora, você não conhece o mar, deitado na areia. Enquanto velejar é se soltar numa pipa sobre o mar, incerto, se você não se adequar, como um pato que voa longe. E é aqui que eu começo a defender a ideia de que no Brasil se vive um silogismoismo inconsciente, alguns podem preferir o termo silogisticismo, e a defesa para este ou aquele é justamente um silogismo; se alguém pode querer o outro, então eu posso querer este. Depois de ler tudo, volte e reflita sobre esta coisa. – Ah o ginásio!


E, quando se olha para trás e vem a saudade, é porque lá era bom.

“Dei um aperto de saudade no meu tamborim”, que verso lindo, samba de mineiro, é mole? Mineiro de Juiz de Fora, que jura que é e até tem sotaque de carioca, uai.


“Molhei o pano da cuíca com as minhas lágrimas”, se é pra rir ou pra chorar, só Deus sabe; pra tudo se acabar na quarta-feira. Tristeza pouca é bobagem.


O Brasil vai mal, meu Deus; tem um ramo de café e um de fumo na bandeira, poucos sabem; é o maior produtor e exportador desta bebida mais consumida no mundo, perde apenas pra água e é extraído para a xícara justamente com H2O; e o fumo, minha gente, o Brasil é o segundo maior exportador do mundo, ganha da China, maior produtor do planeta.


Pausa para aquele refrão reconfortante: “Dei meu tempo de espera para a marcação e cantei / A minha vida na avenida sem empolgação”.


Vai que o Brasil resolvesse “manter a tradição”, café, cana-de-açucar, futebol, mulher pelada, o que mais mesmo? Ah, agora temos terras raras; Que nada, outro dia perguntei para a IA qual o apelido da minha geração, nascido em 58; JK ela respondeu, da Bossa Nova também, logo depois e outros memes; eu ainda era um fedelho, fiquei encarcerado entre aquela, do também Modernismo e a do AI-5, pelo menos ali eu podia escolher ser BabyBoomer, ou um Jones… Acho que a Geração Perdida da Gertrude Stein foi exportada para cá, após perder a validade, e vive até hoje, descontinuada…

“Vai meu bloco tristeza e pé no chão”.  


É meu nobre leitor, acertou, “Fiz o estandarte com as minhas mágoas”.


Mas a verdade diz a letra, “Usei como destaque a tua falsidade”, burocracia, demagogia, corrupção instituída antes e mais eficiente do que o “Jaé”! Melhor do que o TRI de Porto Alegre, que não tem nada a ver com tri legal, bah que barrrbaridade! Minha Casa Minha Vida, Casa Verde e Amarela…


E “Do nosso desacerto fiz meu samba-enredo / No velho som da minha surda dividi meus versos”


Encurtando a história, “Marquei o último ensaio em qualquer esquina / Manchei o verde esperança da nossa bandeira / Marquei o dia do desfile para quarta-feira”. - Agora, tudo misturado: se o Llosa perguntou onde foi que o Peru se fodeu (tradução de minha amiga Olga Savary), então por um silogismo barato eu posso afirmar que, mais cedo ou mais tarde, todo o brasileiro vai mandar alguem tomar no cú. Fecha o pano, troquemos o disco:


“Já podeis, da Pátria filhos / Ver contente a mãe gentil / Já raiou a liberdade / No horizonte do Brasil.”



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Helga
Helga
há 6 minutos
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Luís Peazê: Escritor, Jornalista, Tradutor

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