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Noticia e Informacao contextualizadas
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  • Foto do escritorLuís Peazê

Hello! Carl Bernstein? – Yes, who is talking? Vivos ou Mortos?

Atualizado: 16 de jul. de 2022



Era eu do outro lado da linha, ligando com o cartãozinho do Carl Bernstein na mão, endereço em New York, e, até hoje com o seu número de fax. Ainda usávamos fac-símile para trocar mensagens e Carl já nos avisava que “o controle da liberdade de imprensa seria uma tendência mundial”. Mas ele estava muito focado numa coisa só, jornalismo, e não digitou corretamente a frase: o controle da liberdade em geral era uma tendência recorrente na história, apenas passaria de “controle” para acompanhamento similar ao Watergate, onde todos os movimentos do indivíduo, de alguns setores e entidades são acompanhados a todo instante, na era digital. Ponto, entramos no tempo presente permanente. O futuro não existe mais. Tudo é agora, "real time" e, mesmo que você não esteja presente, sua imagem digital vai lá, aonde você quiser, ou mesmo contra a sua vontade, liberdade de não ir.

Hoje comemora-se 50 anos do Watergate.


O caso Watergate teve origem durante a campanha eleitoral de 1972. Em 17 de junho daquele ano, ocorreu uma invasão à sede do Comitê Nacional Democrata, no Complexo Watergate, na capital dos Estados Unidos. Cinco pessoas — quatro das quais haviam participado da fracassada Invasão à Baía dos Porcos em 1961 — foram detidas quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no escritório do Partido Democrata.

Bob Woodward e Carl Bernstein, dois jovens repórteres do jornal The Washington Post, começaram a investigar o já chamado caso Watergate. Durante muitos meses, os dois repórteres estabeleceram as ligações entre a Casa Branca e a invasão ao escritório do Partido Democrata. Muitas das informações obtidas por eles eram passadas pelo agente do FBI Mark Felt, que era mencionado pela alcunha de Garganta Profunda (Deep Throat), com intuito de preservar o anonimato de Felt.[FONTE WIKIPEDIA]

Em 03/05/2010 Carl Bernstein esteve no Rio de Janeiro num evento para destacar a importância da Liberdade de Imprensa. Foi ali que conheci o Carl Bernstein, fiquei com seu cartãozinho e liguei algumas vezes subsequentemente. Por que? Para atualizar uma reedição meu livro “Crônico – a história do gênero Crônica”. Esse cartãozinho veio parar na minha mão porque numa roda de conversa, durante o evento no Rio de Janeiro, servi de intérprete informal entre o então ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito, e não sei se ele estava meio surdo ou foi o sotaque nova-iorquino do Bernstein mais a turbulência do ambiente que não deixavam o ministro entender o ilustre convidado. Claro que o eminente sergipano domina a língua de Nixon.


Hoje somos bombardeados por atrocidades com jornalistas no Oriente Médio, metralhados em plena cobertura à luz do dia em lugares públicos; nesta sexta-feira última, 17, Julian Assange, o australiano fundador do Wikileaks, é declarado oficialmente para extradição pelo governo britânico para os Estados Unidos, onde é acusado de “ter divulgado documentos confidenciais”; e, sem esgotar a lista de agressões à liberdade de imprensa, o jornalista britânico, Dom Phillips, e o especialista em assuntos indígenas, Bruno Pereira, ambos, são mortos de modo hediondo, um crime que provavelmente ficará sem a explicação cristalina, como muitos no Brasil.


Carl Bernstein e o seu colega Bob Woodward provocaram, com suas reportagens, a única renúncia de um presidente na história dos Estados Unidos. Naquele evento em 2010, Carl disse que o momento exigia muita coragem dos profissionais e das empresas de comunicação por enfrentarem pressões políticas e econômicas em várias partes do mundo.


Carl Bernstein e Bob Woodward apuraram o escândalo Watergate, que provocou a renúncia do presidente Richard Nixon, na década de 70.


Não evoluímos muito, desde então. Talvez tenhamos regredido à década de 1970 quando os primeiros gritos de “salve o planeta” começaram a ecoar pelo mundo. Na próxima semana ocorre a II Conferência dos Oceanos, desta vez em Lisboa (a primeira foi em New York, 2017), e o mote principal desta conferência, entre tantos de mesma importância, são as condições dramáticas em que se encontram os oceanos, mais de 70% da superfície da Terra, caixa de ressonância climática e berço da cadeia alimentar do planeta. Se não cuidarmos dos oceanos agora, já, com ações objetivas, ele pode morrer sufocado pela acidificação provodada pela poluição.


Se já estivemos esse tempo todo sendo sufocados pela falta de liberdade de imprensa, talvez nos matemos a todos com a poluição, comportamental, de hábitos e costumes. Fica a pergunta para qualquer repórter que sobreviva: - fomos viáveis como seres vivos?

1 Comment


ts_see
ts_see
Jun 18, 2022

Muito agradável essa informativa e recapituladora abordagem, prezado Peazê! P.A.Z.!

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