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CRIPTOMOEDA: voltar 5000 anos ou outra Ocuppy Wall Street; What is gonna be?



Em 2002 o americano David Graeber (in memoriam) foi o responsável pelo movimento Occupy Wall Street e os protestos contra o Fórum Econômico Mundial daquele ano. Ficou a marca, mas infelizmente as mesmas ondas de um mesmo mar financeiro-econômico tomou toda a nossa praia, mais uma vez. A diferença é que, agora, o próprio Oceano está reclamando seus direitos, daí a pergunta do título deste artigo.


Não por coincidência, logo após a Declaração de Lisboa, resultado da Conferência das Nações Unidas para o Oceano, oPONTO NEWS H2BLUE recebeu a newsletter da ONU e ficou coçando a cabeça, pensando: - não é que eles querem, insistem, e corremos o risco de cairmos todos na mesma armadilha, a velha e insuperável noção de Dívida? Como defendeu Graeber, isto é, de que é a dívida1* que inspirou e inspira até hoje a criação de veículos que simbolizem algum valor, o dinheiro1**, as moedas2*, as letras, ações, financiamentos, aquisições, compras, trocas de todos os tipos.

1*, ** Graeber - 2*Keynes


Quem não é muito versado em economia, ou não tem visitado alfarrábios da história da civilização aqui vai uma pílula de lembrança: não foram as trocas (escambo) que originaram o surgimento, e necessidade, do dinheiro, como o conhecemos, e precisamos para viver. Foi a sensação de dívida perpetrada por quem tinha o poder de criar esta sensação em pobres coitados: - toma um pedaço de terra para dormir (debaixo de uma árvore, buraco ou casa de barro e pau), pronto, você me deve o seu trabalho na minha lavoura, mina, cavalos, vacas… Dívida, dívida, dívida, já nascemos devendo algo para alguém.


INVEST BTRADER Banco Invest não necessariamente concorda com as ideias deste artigo.

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É tão verdade isso que os Governos, quando sentem-se encurralados num canto econômico-político-financeiro, e não podem emitir moeda, fazer dinheiro, fazem letras, ou papéis, ou notas de crédito, que são nada mais nada menos do que dívidas. E até vendem essas dívidas que dão um bom dinheiro, pah.

Agora, entrando finalmente no assunto principal aqui, criptomoeda, se você pensa em conhecer melhor a coisa, ou até mesmo criar a sua própria criptomoeda – qualquer indivíduo pode criar uma criptomoeda –, pense que é uma noção de dívida resgatável que você deve criar para si, passar para um futuro comprador – investidor – e estimulá-lo a passar a coisa adiante.


Ordem no galinheiro, sem necessariamente a presença de um galo.


Aquela newsletter da ONU mencionada acima começa de mansinho, como um ursinho de pelúcia e crava de leve: “A economista da Unctad, Marina Zucker, afirma que os países devem debater a criação de um tratado global para regular o sistema de criptomoeda. Segundo ela, ainda dá tempo.“

Até aqui tudo bem, um pouco de ordem no galinheiro não faz mal, pois somente a Bitcoin botas ovos – cria novas bitcoins - à taxa de quase 1000 ovos – novas bitcoins – por dia. Se a fonte for conhecida, há chance de alguma segurança. Mas qualquer pessoa pode criar a sua criptomoeda, inclusive surgiu uma galinha chamada ICO – Initial Coins Offerings que, na falta de um ninho próprio, utiliza ninhos de criptomoedas já existentes até que “dinheiro” (de verdade como o conhecemos) seja levantado para a edificação de um novo poleiro, desculpa lá, blockchain. Cuidado com as raposas!


Bem, aí a newsletter da ONU começa a colocar as manguinhas de fora, cantar de galo, e diz: “Se as bitcoins se tornarem uma forma abrangente de pagamento e até substituirem as moedas nacionais extraoficialmente, isso pode prejudicar a soberania monetárias dos países.“


Soberania nacional? Numa época em que exercitamos justamente a ejaculação e a fertilidade do óvulo de uma nova era sem fronteiras, sem restrições e de inclusão total, bater na tecla da “soberania”, especialmente em tempo de guerra e fome e degradação do Oceano pela ação antrópica? É ironia, ou hipocrisia, ou discurso inócuo.


A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, através da economista Marina Zucker é quem faz as declarações pontuais distribuídas nessa newsletter da ONU. Aqui vai mais uma e, se tivermos boa vontade com a Marina, até concordaremos: “Quando houver regras, os consumidores serão protegidos, haverá mais investimentos e a economia será apoiada pela regulação.” - Pessoalmente, da minha humilde posição, concordo com um pouco de regulamento no aviário.

Mas a coisa não parou aí, na verdade, foi para o brejo:


Primeira bicada: o Fundo Monetário Internacional, FMI, afirma que as criptomoedas representam um risco como proposta legal;


Segunda pisada: vem os nomes dos bois (símbolo de Wall Street). Segundo dados da Unctad em 2021, dos países emergentes, a Ucrânia é a que mais tem investidores em criptomoedas. São 12,7% da população que detém as ações digitais. O país é seguido pela Rússia com 11,9% e pela Venezuela com 10,3%. O único país de língua portuguesa na lista é o Brasil com 4,9% aparecendo em 11º lugar. A relação inclui 20 economias avançadas e emergentes. Das avançadas, Cingapura vem em primeiro com 9,4% seguida por Estados Unidos com 8,3% e Reino Unido com 5%.


Terceira: as Propostas da Unctad


Regulação financeira abrangente de trocas de bitcoins, carteiras digitais e finança descentralizada. A Unctad diz que é preciso banir as instituições financeiras reguladas de manter criptomoedas (incluindo as chamadas estáveis) ou de oferecê-las a seus clientes. Avança, recomenda restringir anúncios comerciais relacionados a criptomoedas por causa do alto risco financeiro para os ativos.


A Unctad promete fornecer um sistema de pagamento público seguro e acessível adaptado à era digital; implementar a coordenação, regulação e troca de informações assim como redesenhar os controles de capital levando em consideração as características descentralizadas, sem fronteiras e de pseudônimo das criptomoedas.


Isto é, se metade dessas propostas forem postas em prática, e não são a únicas, será o fim da criptomoeda do jeito que ela nasceu, tornar-se-á outra coisa bem parecida ou igual a dinheiro, controlado pelos bancos e puramente mais um asset financeiro igual aos antigos.


O assunto é tão complexo quanto a questão da sustentabilidade e começa pela vontade de preservação da vida no planeta. Mas cada vez mais será internalizado no tecido social em todas as camadas da pele desde enorme organismo vivo chamado sociedade.

 

David Graeber (Nova Iorque, 12 de fevereiro de 1961 - Veneza, 2 de setembro de 2020) foi um escritor, ativista anarquista, antropólogo e professor de Antropologia americano. Ficou conhecido por sua participação ativa em movimentos sociais e políticos. Ele ajudou a organizar o Occupy Wall Street e os protestos contra o Fórum Econômico Mundial de 2002. Foi membro do Industrial Workers of the World (IWW) e fez parte do comitê da Organização Internacional para uma Sociedade Participativa (em inglês: International Organization for a Participatory Society). Foi professor associado de antropologia social na Escola de Economia e Ciência Política de Londres (LSE) na Universidade de Londres. Também foi professor associado na Universidade de Yale, instituição que, anteriormente, se negou a recontratá-lo após o término de seu contrato em junho de 2007, assunto em torno do qual se apresentam controvérsias e cartas de apoio ao professor e de repúdio à decisão da diretoria da universidade.

 

NOTA: Bitcoin é considerada a primeira moeda digital mundial descentralizada, constituindo um sistema econômico alternativo, e responsável pelo ressurgimento do sistema bancário livre.

Entre os anos de 800 a.C e 600 a.C teve lugar em três diferentes regiões do globo - nos territórios mais ou menos correspondentes às atuais Grécia, Índia e China - fenômenos comuns ainda que com distintas causas e consequências: disrupção política seguida de caos social, emergência de novas ideias/religiões mais populares, exércitos profissionais e cunhagem de moeda por governos. Tudo isso esteve relacionado às crises devido ao super endividamento das populações com os “donos”, proprietários, Senhores, nobreza e clero, que foram concentrando terras e forçando a crescente servidão, por dívida.


O poder das famílias aristocráticas proprietárias foi envolvido por um novo movimento, tanto insurgente quanto de Estado, fazendo uso do poder dos exércitos organizados e da moeda cunhada. Daí a facilitação do acesso à moeda possibilitou à população quitar dívidas sem perdas de membros e terras. A cunhagem colocou fim a servidão por dívida real, viabilizou o campesinato, o exército do Império, e mesmo alguma participação popular no poder. Mais tarde, com a Revolução Industrial o cenário mudou um pouco, mas apenas o script dos atores menores, coadjuvantes. Henry Ford, um dos simbólicos indivíduos da produção e ganho por escala, defendeu produzir mais com mais eficiência e inclusive deixar que o trabalhador tivesse tempo para descansar, leia-se: consumir. Mas esta é outra história, paralela…


Como dizia Keynes na sua Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, o dinheiro é elo entre o presente e o futuro, e isso não apenas porque simboliza apostas privadas sobre valorização futura deste ou daquele ativo ou itens de riqueza, mas porque compromete os homens a produzi-los.


O Sistema Bancário surgiu em um dado momento de esperteza e vontade de controlar o capital, envolvido no manto transparente do dinheiro. Nunca mais deixou de ganhar, até em grandes crises financeiras, em guerras, em qualquer que sejam as circunstâncias políticas e socias.

Uma criptomoeda regulada, talvez ok, mas sem regime centralizado e local – seriam as utopias e paixões do momento.


Eu mesmo tive este ímpeto ingênuo, em 2006, troquei emails com Richard Stallman, Fundador da FreeSoftware Foudation, fiz exercícios, publiquei um hot site, mas minha ideia foi natimorta com este veneno da Unctad, leia aqui >>> "The" Internet/Web it´s here now, are you?

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