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Noticia e Informacao contextualizadas
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  • Luís Peazê

Assédio a mulheres


Li de uma atriz de novela brasileira a seguinte declaração, há tempos atrás: “Tem dias que eu estou com tanto tesão que tenho vontade de me comer, outros dias não sinto nada...”. O irmão mais velho e mais feio de um ator de novela do "prime time" me disse que ouviu do rapaz então iniciando a carreira o seguinte desafio, também há tempos atrás: “tenta olhar para uma mulher sem vontade de comê-la.”

A título de concluir o “teaser” sobre o tema, quatro linhas da gênese deste pensador manco: no ginásio, eu dominei as noções básicas sobre o fenômeno da menstruação e aparelho reprodutivo femininos, desde a anatomia da vagina até o útero e as glândulas e dava aulas hilárias nas horas de recreio. Eu ficava numa rodinha de meninas, no centro, e, de longe, parecia que havia ali um palhaço lambuzado de mel. Nunca esqueci também que percebia as meninas se roçarem bastante umas nas outras, como abelhas disputando um só favo, e sendo elas mesmas o próprio favo. Colégio de freiras.

Agora sim, mãos à obra: a frase batida “do monastério ao bordel” cabe bem nessa página da história que o movimento feminista está rascunhando enquanto pontuo esta crônica. Assim, mesmo as superficialidades tanto da atriz citada quanto do ator são relevantes, sobre o assédio a mulheres que ganhou as primeiras páginas mundo afora, ocupa os palcos, discursos de celebridades, mídias sociais. E se trata de um comportamento público, nos ambientes de trabalho e até em igrejas durante inclusive as missas e cultos; imagine se no islamismo (orando de joelhos com a cabeça ao chão) as mulheres pudessem ficar à frente dos homens na hora das orações...

Pelo ângulo temporal tem-se as camadas de gerações e ciclos de avanços e trajetos culturais cada vez mais inter-raciais (se aceitarmos que exista distinção de raças humanas), no mesmo vento histórico soprando a erupção do gênero multifacetados na mesa do banquete. Com os talheres bem presos pelos punhos cerrados, cada comensal olha com gula para o prato que mais lhe agrada, indiferente à etiqueta mais simples, e até fácil de praticar: aceitar um pouquinho de tudo o que o anfitrião lhe oferece, declinar com naturalidade aquilo que realmente não descer bem goela abaixo. Ninguém precisa saber, por exemplo, se você após comer pimenta do reino sente uma coceira no cu.

Aviso a todos os descendentes de finlandeses e samoanos da maioria da população brasileira: em Portugal, se referir ao cu não é tão escatológico quanto para nós, e este texto é também para portugueses. E, os endocrinologistas de plantão podem referendar, a pimenta do reino pode mesmo dar aquele incômodo cutâneo localizado. Cuidado.

É a forma do assédio a mulheres, é o lugar do assédio a mulheres, é o abuso de poder momentâneo pelo assédio a mulheres, é a avalanche de vezes que o assédio a mulheres é estampado, no momento, no consciente coletivo, é tudo tão abominável quanto o que uma mulher ouvia – tempos atrás – nas ruas, e algumas até achavam normal, e balançavam os quadris ao dobrarem a esquina: “gostosa, vou te fazer isso e aquilo”. Paro aqui, mas tudo é muito mais complexo, além de viajar no mesmo trem da disrupção de hábitos e costumes diversos. E remonta às nossas origens, sem desculpas, entretanto, para não haver uma mudança. Bem-vindo seja e que seja de duas mãos para talvez a interação macho e fêmea tornar-se monótona. A primeira morte será a idéia do flerte, e escoará pelo ralo o poder da sedução de um monte de vênus suavemente realçado por um corte e costura, um par de seios ajeitados atrás de um decote, lábios carnudos entreabertos, um ajeitar do cabelo atrás da orelha com um sorriso e olhar sutis de viés, sem contar um cruzar de pernas (sem calcinhas?), perfumes afrodisíacos e todo o cardápio de tortura utilizado pela mulher para contra-atacar nessa guerra infernal. Acabado tudo isso, o mundo estará em paz, até as baleias serão salvas. Você sabia que uma baleia é amparada por dois machos lado a lado enquanto nada e um terceiro cetáceo macho vem por cima para acasalar? Que assédio! Você sabia que as ostras trocam de sexo várias vezes durante a vida? Indecisas. Algumas inclusive resolvem ser hermafroditas, não as culpo por nada. E os cavalos-marinhos machos engravidam? E você achava que eu não falaria de mar?

Peço licença para registrar que meu melhor amigo sempre foi meu pai, era um cavalheiro e ganhou um concurso de tango com a minha mãe, que foi cedinho para o céu, aliás, meu pai a conheceu naquele mesmo colégio de freiras em que estudei onde ela seria ordenada imaculada e, antes disso, apaixonaram-se. Não digo que fui o fruto do pecado porque minha irmã nasceu primeiro, e este fato me credencia como potencial conhecedor do sexo “frágil”, na noção de frágil do Erasmo Carlos – fazer o quê, rir faz bem à saúde. Todo o cristão sabe o que é crescer rodeado por mulheres. Para começar, mamei em tias e vizinhas, uma dúzia de peitos bem leitosos inesquecíveis. Para terminar, nunca perdi a sensação de que o mundo sem as mulheres é um buraco vazio, sem sustentação, miserável. Portanto, recomendo tratá-las bem, como dizia Jece Valadão "as que merecem", mas pensando bem, as outras também, coitadinhas.

Não sei o que acontece com o resto dos usufrutuários de gêneros diversos, mas eu assumo o gênero “morri para o mundo”, após ter desaprendido um monte de coisas (atenção “galera”, desaprender é possível), fui picado bem cedo pela poesia de Carlos Drummond de Andrade: “Há vários motivos para não se amar uma pessoa e um só motivo para amá-la. Não sei amar pela metade, não sei voar com os pés no chão. Só sei, que amar se aprende amando.”

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O Crônico de Sexo por Luís Peazê

SINOPSE [compra direto com o autor] --------------------------------

Crônico de Sexo - da Coleção Crônico de... Luís Peazê, é uma sequência de crônicas de humor - e informação, porque sério também é sexy -, eis a tabela de conteúdo:

- Advertência

- Por que a Mara ria?

- Sexo com animais

- Beijo de língua entre as meninas

- Namorar versus ficar

- O Tornozelo

- Sexo com cadáver

- Vânia & Rogério

- Sexo Online

- Sexo e as idades

...na adolescência

...na juventude

...aos 50 anos

...aos 100 anos

- Nasce um botão de rosa

- A verdadeira história da origem do gênero Crônica

- O autor por ele mesmo

...quem leu, disse que estava bom

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