Brechó de Pensamentos x Delivery de Ideias por Drone
- Luís Peazê

- há 3 horas
- 4 min de leitura

Você já parou hoje para pensar no existencialismo?
Ô uó! Tu é dez pras duas e não sabe. Porque vive num terreiro sem macumba e nem sabe que é um terreiro. – Agora, pra complicar mais um pouco, antes de “mandar o papo reto”, “explicar como se eu tivesse 5 anos”, dizer “qual é a fita”, antes de “hablar”, para quem não sabe “uó” veio tanto de “borogodó” quanto explodiu (“hitou”) via Tik-Tok, ou dos monas idê (cada um com os seus problemas, se você não sabe o que é mona idê, procura aí no Google); é, o Tik-Tok, criado por um chinês da Millenial, ferramenta para ganhar dinheiro inicialmente com a geração Z, miúdos, como se diz e Portugal, e dizer que o Brasil é o terceiro maior país do mundo consumidor desta merda, hoje consumida pelos “dez pras duas”. Diz-se (eu inventei) de quem anda com os pezinhos abertos, por isso a inibição do glúteo máximo e perda de propriocepção e tônus (como sou autor de “O Organismo é Sábio”, posso abusar dessas descrições clínico-antropométricas, sob a ótica da biomecânica comportamental e da psicossomática). - Por falar nisso, sabia que livro não faz parte do Plano Desenrola, nem da Cesta-Básica? Seria a inclusão de necessário nutriente com feijão, arroz e sabão.
Reconheço, muito hermético este primeiro parágrafo. Hermético porque os silêncios do texto, “entre linhas” no popular, são caudalosos. Desenrolo a seguir, dois pontos:
Pergunto se estar ligado à internet, uso contínuo do celular, computador e redes sociais, para trabalhar, falar com os outros, buscar informações, ou simplesmente para “passar o tempo”, diz alguma coisa para você? Por exemplo, acordar e levar a mão ao celular? Isto é hiperconectividade, a realidade vigente. Já nem falo de “fractal negativo” (toco de informação sem contextualização) que seria complicar muito mais. Daí desenha-se uma equação simplória, que explico mais adiante, mas isto prova por si que é sim, possível, entregar ideias por drone (do título cringe aí, ó). – Quando eu tinha a conta da PanAm, na Norton Publicidade (1990), fomos os pioneiros a utilizar pontos de ônibus com backlights para anunciar as mensagens publicitárias da PanAm; então sei que hoje é perfeitamente possível soltar um drone para entregar “ideias”, despertar desejos de compra, provocar o impulso, que é tudo o que a comunicação precisa para capturar não só “dez pras duas” mas qualquer desarmado ser humano… Imagina esses drones suportados por um brechó de pensamentos?
Sem abrir muito o leque, alguém me explica porque prender uma argola de metal no nariz, ou na pálpebra, pintar todo o corpo sob a roupa, leia novamente, a tatuagem fica escondida debaixo das calças largas, e achar uó uma perna de calça justa na canela? Essas e outras iguarias abundam no Parque do Flamengo e Rio afora, de norte a sul, zona oeste até São Gonçalo, Icaraí, Savassi, São Luis do Maranhão, Manaus, Salvador… Filhos e afilhados, assobrinhados e vizinhos, setentonas, cinquentinhas, as e os de sessenta, “os” de quarenta de barba por fazer, e as quarentonas de botox, todos juntos misturados expostos a uma fauna enorme, como na savana africana, aquela cratera de Ngorongoro da Tanzânia, onde o leão não é o rei da selva, perde para a hiena. Sabia?
Será que eu iria hitar, se explicasse que farmar a aura já era um dilentantismo entre conversas no Le Procope, onde Sartre encontrava Simone de Beauvoir, aliás, não só nesse gourmetizado como os outros da época, o Café de Flore e o Les Deux Magots, pra citar só mais dois. Não por acaso, foi Simone que veio com esta de “O Segundo Sexo” já em 1949 aplicando essa ideia de demanda de farmar com a liberdade existencialista ao feminismo, "Não se nasce mulher, torna-se mulher". Depois de ler e reler, concordei com muitas ideias, mas com mil desculpas, Beauvoir, mulher é mulher e ponto e é bom hein, não muda, apenas melhora, se der um tapa, quero dizer um glow-up nela mesma.
Cravando a coisa pra você cara/o leitora/o não dizer que eu fui de base ou delulu: segundo Platão “farmar aura” é focar no que é “aparentemente” visível, porque na verdade o que se vê mesmo é subjacente, transparente, tá na cara que esse ser humano quer é aparecer, mais nada e, neste caso, é um escravo da audência psicossocial; Guy Debord, Sartre, Young, Kent, Hegel, Nietzsche , todos esses e os professores do IFCS, da URGS e da USP, entre outros já discutiram isso, dos beatniks para trás…
Em Porto Alegre, quando eu morava sozinho, aos 17 anos de idade, e já era programador de computador, autodidata, mantinha uma listinha crescente de livrinhos que queria ler e, à medida que ia lendo, a listinha ganhava de mim aumentando sem parar. Depois caí de paraquedas no Catete e fiquei num ap de uma amiga que abrigava meninas que trabalhavam numa famosa casa séria noturna na Cinelândia, antes de alugar um kitinete pra mim e descobrir “As Esquinas do Rio”; quando passei a visitar sebos e leiterias, onde supostamente autores que marcaram época frequentaram. – Mas porque mencionar isto? Sei lá, talvez para justificar que é sim, possível, montar um serviço de delivery de ideias por drone vindas de um brechó de pensamentos, e morrer de fome se depender do faturamento deste comércio, produtos em extinção.








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