top of page
logo_oponto_news_H2Blue_round_radio_cafe-removebg-preview.png
Noticia e Informacao contextualizadas
00:00 / 03:51
  • Foto do escritorLuís Peazê

Utopia e Paixão, se é para trabalhar, que o seja à ubiquidade.


Mais uma vez tiro o chapéu e faço reverência ao Prof. Amândio Fonseca, Fundador da EGOR Recursos Humanos. Ele relembra um “case” da empresa americana TESCO que resolveu aplicar em sua população interna de empregados colaboradores a mesma abordagem de marketing dirigida aos clientes, dissecando o comportamento e tendências do “target”.


O seu artigo (reproduzido abaixo) me remete à Henry Ford que criara o sistema produtivo capitalista: em primeiro lugar, a produção em escala, para maximizar “revenue” e lucro; em segundo, os empregados passariam a ter horas de trabalho limitadas, por turnos. Não porque ele era bonzinho de coração. Era para os trabalhadores trocarem de uniforme e terem tempo para vestirem roupas de consumidores, terem tempo para consumir. É o que vemos hoje, a massa estimulada à utopia de não fazer nada, mas consumir tudo o que há nas prateleiras, físicas e virtuais.


Então, se alguém tem que trabalhar, que o seja em qualquer lugar, à ubiquidade. A pandemia chegou no momento exato em que o avanço tecnológico atingiu maturidade suficiente para existirem infinitas formas da indústria produzir quase na própria casa do consumidor, por falar em "stream line", inclui-se aí a internet das coisas (IoT), e o trabalhador desempenhe funções em casa, na praia, na varanda de um resort, enquanto viaja num trem. Dificilmente a paisagem empresarial será a mesma, daqui para frente. Um prédio cheio de colaboradores, todos juntos respeitando o mesmo horário de almoço, no mesmo espaço e fazendo o “comutter traffic”, essa dinâmica está em vias de extinção, pelo menos do jeito que foi até ontem à tarde.


Este provável novo cenário, até que ocorra outro fenômeno, me lembra um livrinho de dois ilustres brasileiros, Roberto Freire e Fausto Brito, “Utopia e Paixão”. Pego na estante de minha memória e releio da contracapa: “Nada é tão contagiante como o gosto pela liberdade”; “O máximo de segurança é a escravidão”...

O que isso tem a ver com o assunto aqui? Nada. Mas a idéia subjacente desses sintagmas me remete aos primórdios da “publicidade”. A primeira publicidade de que se tem notícia, na agitada Londres do final dos anos 1800, associava alta cultura e qualidade de vida com uma marca de sabão, "Pears Soap", para seduzir o consumidor potencial. Décadas à frente, início do século XX, em New York o sobrinho de Freud sedimentou a crença, até hoje, de que é possível atingir o “instinto” de qualquer pessoa, e aprisioná-la com uma promessa, provocar-lhe "desejo" e, a seguir, "vontade"; de possuir um determinado produto. Posso afirmar, se o mundo acabar hoje, entre os escombros o que salientar mais será "o desejo e a vontade".


Mas pensemos sempre com otimismo, o mundo não vai acabar. Se calhar vai voltar como era antes, até um pouquinho melhor.


Dezembro de 2021

Amândio da Fonseca, Chairman e Fundador do Grupo EGOR


Em 2004 a Tesco, uma grande cadeia americana da distribuição, resolveu usar os critérios que o marketing da empresa utilizava para segmentar o perfil dos consumidores aos próprios trabalhadores. Os resultados dos questionários revelaram um conjunto fragmentado de aspirações que surpreendeu os executivos da Companhia. Embora a progressão profissional fosse a principal motivação para a maioria dos inquiridos, para muitos outros, o companheirismo era o fator de satisfação mais importante. No entanto um número inusitado de trabalhadores aspirava horários que lhe permitissem passar mais tempo com a família.

No decorrer dos anos, mesmo depois de as tecnologias de informação terem começado a vulgarizar as comunicações virtuais, a sua operacionalização continuava sujeita ao controlo hierárquico nas organizações. Embora o sentimento de que o trabalho presencil limitava a conciliação da vida pessoal com a carreira profissional, eram raras as organizações que ensaiavam o trabalho virtual. Na prática, a generalização do trabalho remoto era uma utopia reservada a uma elite de empreendedores, early adopters tecnológicos e especialistas de comunicações.


O maremoto COVID transformou radicalmente o universo do “quero e posso” das organizações e transferiu definitivamente o futuro do trabalho para uma realidade onde a adoção do trabalho flexível passou a focar -se mais nas circunstâncias da epidemia e nas aspirações humanas, do que nos interesses institucionais.


Ao libertar o trabalho presencial das barreiras de tempo e do espaço, a digitalização permitiu tornar realidade o sonho humano de estar, simultaneamente, em qualquer local e transformou definitivamente a utopia do trabalho remoto numa realidade ao alcance de toda a gente.


Para além de uma conquista imediata, o trabalho híbrido vai modelar no futuro a decisão coletiva de consumir menos, partilhar mais, conseguir melhor qualidade de vida e maior justiça social.

Muitos anos depois os sonhos dos trabalhadores da TESCO tornaram-se realidade.

*“A capacidade de estar presente, ao mesmo tempo, em todo o lado” Priberam



Comments


bottom of page