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Português que não lê em Portugal, vai ler na Feira de Belém.

Atualizado: 17 de jul.

61% dos portugueses não leu um único livro em 2020


A Festa do Livro em Belém | 2022 regressa aos jardins do Palácio Nacional de Belém, decorrendo entre os dias 02 e 05 de junho (5.ª feira a domingo) e já na abertura do evento o presidente da APEL, Pedro Sobral (Grupo LeYa), chamou a atenção para um dado alarmante: em 2020, 61% dos portugueses não leu qualquer livro.


Este resultado trágico já havia sido divulgado em fevereiro último, a partir do Inquérito às Práticas Culturais dos Portugueses 2020, realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.



Esta feira tradicional do livro, em Lisboa, conta com o alto patrocínio do Presidente da República, o Sr. Marcelo Rebelo de Sousa que acabara de inaugurar, no dia anterior, o Museu do Tesouro Real no Palácio da Ajuda, e este ano irá ao Brasil abrir a Bienal do Livro de São Paulo, quando Portugal será o país homenageado. É até bem possível que na bagagem da comitiva portuguesa siga o coração do próprio D. Pedro, transladado a pedido da Embaixada Brasileira por ocasião das comemorações do bicentenário da Independência do Brasil.


Se a história, como queria Mallarmé, é feita para acabar num livro, não seria nem irônico cravar que o coração de D. Pedro vale o quanto pesa, dado que aquele austéro Museu do Tesouro guarda uma das maiores caixas-fortes do mundo, com muito ouro e diamantes vindos do Brasil para o acervo da casa, cuja inauguração contou também com Duarte Pio de Bragança, herdeiro da Casa de Bragança e, segundo as boas línguas, pretendente ao trono português. Por falar nisso, ainda não consta em nenhum livro, pois está em franco progresso a pendenga: a família Orleans e Bragança está em pé da guerra, em Petrópolis na serra do Rio de Janeiro, onde este observador que escreve estas linhas tortas teve morada memorável. Brigam justamente por heranças de bens e direitos de laudêmios e outras amenidades.


Acabe ou não em livro, há livros de sobra para serem lidos. Editoras não faltam pois são 70 as expositoras na Feira do Livro de Belém que abriga área de restauração e shows de música e teatro. Vai faltar tempo e atmosfera para leitura, mas sempre dá para levar para casa um ou dois livrinhos debaixo do braço, há baratinhos por 5 euros e até menos.