pub-1948941825289788

Fractalização inversa!


Pessoas & Palavras de cara nova, vida nova, novos tempos. Não que eu concorde com Bacon, em tudo, por exemplo, “para novos males, novos remédios”, nem sempre. Para ele era bem possível na altura em que podia se dar ao luxo de divergir do método indutivo de Aristóteles. Ora, este viveu a apenas perto de 1800 anos antes do Francis, quando tudo andava muito lentamente sobre a terra, entre as “Pessoas”. Havia tempo para refletir sobre a etimologia das “Palavras”, com o cuidado necessário aos silogismos honestos e que demanda a palavra “indutiva”, mais tarde concebida como “intuitiva” por pensadores nossos contemporâneos, bem ainda antes do Google e similares, Facebook e concorrentes, black-chain e suas delinquências inatingíveis pela falsa segurança que o Estado deveria prover, das salas virtuais para inglês ver, e dos “influenciadores”. Pronto! Chegamos ao ponto futuro deste artigo.

Noutros tempos, podia-se confiar em influenciadores do naipe dos mencionados acima, uma pedreira, não é verdade? Hoje o homem comum nada feito um peixinho feliz na influência de “youtubers” de toda a sorte, dos mais de cem gêneros espalhados entre nós, incluindo avatares.

Eu mesmo, que sou novinho, e que aprendi línguas modernas que um Bacon nunca sonhou existiriam, tais como Assembler, Fortran, Cobol, e outras, e escrevi textos em alfanumérico, por puro diletantismo, cheguei a buscar inspiração naqueles jurássicos filósofos, me empanturrei de autores de verves antagônicas, desde um Adam Smith, cuja Riqueza das Nações eu cometi a obscenidade de ler todinho duas vezes, de um Leo Huberman, cuja História da Riqueza do Homem eu devorei, anotei e discuti, em meio a porres homéricos, o Alvin Toffler, do “Choque do Futuro, a Terceira Onda”…, entre outros, na mesma época em que fui fundo em Bakunin, e um tal de Timothy Leary, de quem não li nada, mas cheguei a um metro da “pessoa” em ocasião informal, ao viver na mesma casa do guru de Ram Das, “Be Here Now”, a bíblia dos beatniks (60´s e 7º0´s) em Mill Valley, Califórnia (80´s), eu mesmo, como eu estava a dizer (meu sotaque alentejano), pude ser influenciado por gente que realmente pensava, certo ou errado, bom ou ruim.


Introduzo assim o verdadeiro assunto deste artigo, caro amigo: - a “Fractalização Inversa”. Que eu defino, resumidamente (Aviso aos Navegantes! Sai um livro em breve!) como o fenômeno que as mídias sociais deste século ebuliente criaram para a nossa sociedade, humanidade (mobilizadas pelas engrenagens que a maioria das pessoas não conhece, dos metadados, programação quântica, webmetrics, trending keywords, algoritmos, etc).

Fractal, só para lembrar, é uma parte com DNA de um todo, a menor definição que me ocorre.

Tão impressionante este fenômeno que uma pessoa (com muito ou pouco, com algum ou nenhum acervo mental de informação) ouve, lê ou vê um pedaço ínfimo de dado, ou informação (i.e. publicidade, manchete de jornal, ou blog, trecho de entrevista de uma notoriedade, comentário de um amigo, ou "amigo virtual", por aí, e “deduz” equivocadamente que "sabe" o todo; ao passo que exposta a um contra-argumento lhe mostrando que "não sabe", ela pesca uma informação a mais, de seu (in) consciente e retoma a postura de "onisciência" precária, para dizer o mínimo.

Como se estivéssemos diante do Mito da Caverna em que o fundo da Caverna ficou, de uma hora para outra, transparente para um mundo refletido aos mosaicos, inverso, confuso, totalmente equivocado. O problema é que atores sociais de massas de grupos (isso mesmo, existem massas “de” grupos) tomam decisões em suas vidas, agem, fazem coisas e interagem entre si (nós) com base nesta "Fractalização Inversa". Enquanto no topo da hierarquia dos verdadeiros “tomadores de decisões”, certas ou erradas, sejam quais forem os objetivos, também têm que lidar com o fenômeno nas camadas abaixo da sociedade, ao elaborarem suas decisões... Diga-se de passagem, camadas cada vez mais estratificadas transversalmente em termos de conhecimento da complexidade do mundo ao redor.

Já é fato termos estado acostumados com aplicações (programinhas de smartphones) “AP”, Antes da Pandemia estourar. Enquanto escrevo surgem com voracidade PP, “Pós Pandemia”, novidades saindo do forno prematuramente.

E é provável que perdi leitores pelo meio do caminho nesta crônica. Você que veio até aqui comigo, meu obrigado e um convite: aceitar que faz parte de uma massa, talvez pequena, mas enfim, de não fractalizados ao avesso.

E assim fica lançada a nova cara, da nova Pessoas & Palavras.

Entrevistaremos personalidades nem sempre muito conhecidas, outras bem mais. Contextualizaremos coisas, comportamento presente e do futuro imediato. Envie suas ideias, candidate-se a uma entrevista, para destacar seu produto, sua ideia, seu trabalho. Pessoas & Palavras é isso, a partir de agora, um esforço para destacar o que vale a pena.


AVISO: As publicações futuras podem não ser tão enfadonhas quanto essa, podem ser até recheadas com “abobrinhas”, mas não se iluda, o tempero sempre será “intuitivo” na acepção mais ampla do termo. Apagogé!


©1997/2020 by Luis Peazê