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Conversa no Café

Atualizado: 30 de nov. de 2021


O peso do preço do cafezinho no bolso de cada um de nós, para o ganho em escala não empobrecer os grandes conglomerados, enquanto pequenos se espremem entre a cruz e a espada...



Um encontro na Suíça, semana passada , reuniu "players" da indústria global do café para sincronizarem os passos, de acordo com a capacidade de cada um, frente aos desafios que o presidente da Swiss Coffee Trade Association’s (SCTA), Nicolas A. Tamari anunciou já nas boas-vindas aos convivas: "Em nome do conselho da SCTA, gostaria de estender calorosas boas-vindas a todos vocês que juntaram-se a nós para o 2o. Evento Virtual enquanto continua a pandemia Covid. O tema da conferência ´Juntos em Direção ao Amanhã - A Década Decisiva´ (...) terá painéis de discussão em que abordarão alguns desafios que nos pressionam tais como as ´mudanças climáticas´, a ´adaptação de métodos de produção´, ´garantir a sustentabilidade do produtor´ e ´como os hábitos de consumo mudaram durante esta época Covid´.


Lindo discurso de abertura, e a seguinte dramatização: "Os desafios da atual volatilidade dos preços do café, os danos às safras brasileiras após as geadas e os gargalos logísticos, desde a escassez de contêineres e navios até a capacidade portuária e o transporte terrestre, serão abordados em vários painéis de discussão."



Quando não está liderando, ou recepcionando, eventos da SCTA, o Sr. Nicolas A. Tamari é o CEO da SUCAVINA, empresa que segundo a sua própria apresentação online declara: "A SUCAVINA opera em todos os níveis da cadeia de abastecimento do café. Se você é um produtor, intermediário, exportador, torrador ou consumidor de café, role para baixo para descobrir como contribuímos com sua xícara."


Visitando nosso fornecedor de café esta manhã de trânsito caótico em Lisboa, ouvi do torrefador sediado na mesma morada desde 1950, Travessa do Pasteleiro, 32, no antigo e carismático bairro da Madragoa: "o preço do café subiu vertiginosamente, a geada no Brasil, o preço do combustível, a logística, a crise da restauração...", sucedendo-se uma troca mútua de votos de saúde e força, pois resta-nos a solidariedade e afabilidade, enquanto os homens na Suíça decidem como será a nossa "chávena" de café e seguramente o nosso pequeno almoço... - Claro, e um belo cafezinho de grãos moídos no dia anterior, ali mesmo, recebidos direto da fonte; Arábica do Brasil, Robusta de Angola. Que cheirinho! Grãos para a torra sem aditivos, pois dizem por aí que os grãos vendidos em supermercados são envolvidos em substâncias para proteção e uma série de truques da indústria de larga escala...

Enquanto dirijo de retorno para Vila Franca de Xira que ainda cheira a touros, fogos de artifício e com ressaca da Feira de Artesanato de outubro, vou atender a solicitação de uma produtora de matérias jornalísticas de New York e repasso pensativo a meia dúzia de newsletters recebidas nos últimos dias, todas repetindo ipsis litteris a mesma ladainha publicada pela Reuters.


"REUTERS: Interrupções no envio para manter os preços do café altos por mais tempo, dizem os especialistas: NOVA YORK, 15 de outubro - As interrupções no transporte de café ao redor do mundo, causadas pela escassez de contêineres e congestionamento dos portos, provavelmente manterão os preços do café altos por mais tempo, uma vez que tornam mais difícil para o mercado reequilibrar o abastecimento geograficamente.


https://www.reuters.com/world/americas/shipping-disruptions-keep-coffee-prices-high-longer-say-experts-2021-10-15/


Essa é a notícia repetida pelos jornais online do café mundo afora. Segue o release da Reuters: "Analistas e traders de café disseram na sexta-feira durante a conferência anual organizada pela Swiss Coffee Trade Association (SCTA) que os problemas de transporte estão impedindo que os suprimentos disponíveis se movam rapidamente para atender a demanda em algumas áreas do mundo, aumentando os preços da commodity." Ah, e algumas vozes foram ouvidas sim senhor e senhora:


"Quando você tem um déficit de oferta global, você procura empates de estoque. Os preços altos impulsionariam o transporte (do café disponível), mas isso realmente não está acontecendo", disse Ben Clarkson, chefe da plataforma de café da Louis Dreyfus. "Há riscos claros de preços mais altos. O mercado está lutando por algum tipo de equilíbrio, mas ainda não o encontrou", acrescentou Clarkson. "(...) Os preços do café arábica em Nova York ficaram perto dos mais altos em sete anos nesta semana, à medida que o mercado lida com a perspectiva de redução da oferta no Brasil, maior produtor, após secas e geadas."


Ora bolas, na tarde anterior recebi um pedido de New York para contratar um cameraman, agendar visitas, planejar deslocamentos e fazer uma cobertura da "vida em Lisboa" pós-Covid.


Pós?


E a solicitação tempestiva da equipe de jornalistas estrangeiros na Europa, como se o mundo fosse acabar hoje mesmo (neste caso quem assistiria a matéria na TV? Fica a pergunta em aberto) para ser produzida nesta quinta-feira, a jato. Conversa no Café é para isso mesmo, falar de café e contextualizar com a crônica do dia a dia de cada cristão, muçulmano, umbandista, budista e incrédulos de toda sorte. Esgotado por dirigir numa Lisboa que Marques de Pombal não acreditaria, enosada de tanto tráfego, mesmo com o preço do combustível estar mais caro do que o país vizinho, Espanha, chego no meu quartel general, o Café Peazê, e ligo para o MAPA, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no Brasil, que publicara a PORTARIA Nº 364, DE 16 DE JULHO DE 2021, com prazo de 75 dias para ouvir os interessados e regulamentar o "café torrado", que, segundo os entendidos, vem sendo fraudado; uns dizem que os grãos recebem aditivos para longevidade e não apodrecer, outros dizem que é para modificar o sabor, e por aí afora. https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-364-de-16-de-julho-de-2021-333505012


Você acredita? - Que coisa, não é?


Liguei para saber se a coisa foi regulamentada, se alguém apresentou ideias, quem, quanto, como, onde? Nada, ninguém atende o telefone em Brasília.