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Alguém em Portugal está bebendo gato por lebre. Enquanto o Café Peazê serve o melhor café do Mundo…

Atualizado: 30 de nov. de 2021


Famoso retrato de Fernando Pessoa sentado à mesa, escrevendo e tomando café, com um exemplar da revista Orpheu em exibição foi feito em 1954 pelo artista português Almada Negreiros.


De acordo com dados do Eurostat, gabinete de estatísticas sócio-econômicas da União Européia, Portugal importou no ano passado mais café do Vietname do que do Brasil, maior produtor mundial. Isto significa que o melhor café do mundo não está sendo consumido pela maioria dos portugueses. – A propósito, é a Finlândia, na região polar do Oceano Ártico, o maior consumidor de café por cabeça no planeta. Não conseguimos entender isso, estamos aglomerados ao redor da linha do Equador, América e Europa do Norte, América Central, do Sul e África incluindo a beirada sul da Ásia, Austrália e o vizinho Nova Zelândia. Na Finlândia há até uma lei que autoriza o “coffee break” nos ambientes de trabalho, e um convite para um cafezinho recusado pode ser uma ofensa… Nós? Só conseguimos olhar para o nosso umbigo.


E aqui o furo é mais embaixo. Enquanto o Brasil produz disparado o melhor grão de café, não fica só nisso e os números da produção mundial são cristalinos:

  • 9.2 milhões de toneladas de café, produção mundial ao ano.

  • O Brasil é o maior produtor de café, com 3 milhões por ano.

  • O Vietname é o segundo produtor, e apenas menos da metade do Brasil, 1.4 milhão toneladas anuais.

  • Portugal não produz café.

Esses números podem ser diluídos de várias formas, dissecados em camadas por países, importação, exportação, consumo e etc. Particularmente ao consumo, entretanto, Portugal bebe bastante café, mas é apenas o vigésimo quarto no ranking mundial, com 4,3 quilos de consumo per capita/ano.



Isto quer dizer: se o Luis bebe duas bicas/espresso e um latte por dia, equivalente a 25 gramas por dia, ao ano ela vai consumir 9 quilos. O mesmo que dizer: o Luis bebe por dois portugueses. No meu caso, na verdade, eu bebo por quatro, no mínimo.


Enquanto os países do norte da Europa bebem disparado mais café do que todos no mundo, o mais perto de nós o maior bebedor é a Itália, que está apenas na posição de 13. com 5,9 quilos de café per capita, e o Brasil, que produz mais do que todos, vem atrás dos italianos com 5,8 quilos de café bebido per capita/ano. Agora, ora bem, veja só: os Estados Unidos bebem menos do que Portugal, 4,2 quilos de café per capita/ano. Os números não mentem.


O que conta, contudo, é a qualidade. Ora pois, e porque não receber navios de uma rota direta cruzando o Atlântico, carregado com o melhor café do mundo, de um país irmão, que já foi filho, que fala a mesma língua e até troca de treinadores de futebol, um Scolari por um Jesus, um samba por um um quilo de bacalhau a gomes de sá e outros hábitos e simpatias mútuas? Fica a pergunta em aberto. Quer dizer, mais ou menos porque a explicação é a precária política econômica tanto dos respetivos governos quanto dos produtores e agentes intermediários, que na cadeia do café é um batalhão de engravatados insensíveis.


É intrigante que o amigo Edgar Bressani*, autor do "Guia do Barista – Da origem do café ao espresso perfeito”, uma bíblia sobre café, foi perguntado por este observador sobre a sua experiência com exportação e “cupping” (concursos de baristas e provas de café) em Portugal e ouviu que ele teve no passado duas ou três oportunidades, apenas, mas é na Itália que ele tem mais frequência de negócios na Europa.


* EB éformado pelo "Coffee Consulate", de Mannheim - Alemanha, “coffee hunter” e Q-Grader pela SCAA. Formado em Direito e Administração, começou sua carreira no café, em 2001, como coordenador do Plano Internacional de Marketing para a Promoção dos Cafés Especiais Brasileiros, do Ministério da Agricultura e da APEX-Brasil, quando também era diretor-executivo da Associação Brasileira de Cafés Especiais.


Bem, mas a notícia boa é que o Café Peazê compra grãos torrados no próprio dia por um dos mais antigos torrefadores de Lisboa, que ainda o faz em um equipamento alemão à lenha, sem aditivos e conservantes que as grandes indústrias, nomeadamente Delta e Nestlé, entre outras, o fazem para lhes permitirem distribuir, digo, escalar, para as grandes redes varejistas, incluindo o fornecimento disfarçado de marca branca.


Para encerrar com um cafezinho espresso “bem tirado”, seja uma bica, um longo ou com cheirinho, cappuccino ou até mesmo um “cold brew”, esta semana o Café Peazê adquiriu 250gr de grãos de uma marca “branca” em um supermercado local e comparou com o grão moído na hora no moedor vintage italiano Rancilio. O nosso café é incrivelmente superior em sabor, textura, aroma e nas tantas características que essa bebida maravilhosa contém. Mais, nosso preço é realativamente mais amigável,


Bem tirado, com “coração”, “corpo” e “espuma”, as três características de um expresso profissional, A espuma, crema, de cor semelhante ao caramelo-escuro que permanece sobre a superfície do expresso, composta por óleos vegetais, proteínas e açúcares, conserva a temperatura do café. Uma crema de qualidade tem a cor de avelã e adere à parede da xícara por um bom tempo, mesmo após o consumo. Essas características revelam a qualidade dos grãos, a moagem, a torra e a habilidade do barista.


Huuummmm! Uma delícia de aroma, textura e sabor!