top of page
logo_oponto_news_H2Blue_round_radio_cafe-removebg-preview.png
Noticia e Informacao contextualizadas
00:00 / 03:51

USA que dá água na boca


Grupo de turismo náutico brasileiro na Intracoastal Waterway

começando por Fort Lauderdale, FL

David Kennedy, assuntos de governo da BOATUS (Associação de Proprietários de Barcos dos Estados Unidos) cravou para a Conversa no Pier, ao perguntar-lhe sobre as opções de hospitalidade e náutica das mais de 3 mil milhas navegáveis da Intracoastal Waterway, que começa em Boston, costa leste Americana, até o Golfo do México no cantinho do estado do Texas: “Não há melhor maneira para conhecer uma cidade do que chegar pela água, de barco, isto inclui a preparação da viagem, a aportagem e tudo o que vem a seguir, incluindo o ritmo e atmosfera”.

Um parágrafo de história versus status quo nos Estados Unidos

Após ter saído de uma crise econômica dramática, na última década, os Estados Unidos, vitrine mundial do entretenimento e negócios, ficaram com a tarefa hercúlea de resolver suas crises sociais, a interna e a influenciada globalmente, posto que o mundo é, no momento, um organismo em franca agonia girando cada vez mais rápido em torno do pequeno sistema solar. Nesse contexto, em 2017 enquanto os Republicanos assumem a responsabilidade de liderar os rumos do país, ao falar da Intracoastal Waterway - ICW é interessante lembrar que esta rota definida como via de comércio, transporte e turismo cuja atividade náutica bombeia (atualmente) US$8 bilhões ao ano na economia Americana, nasceu em 1802 quando Democratas-Republicanos eram um só partido, contrapondo os recém-vencidos Federalistas, mas passou a ICW existir de fato, nos arautos oficiais, quando Democratas e Republicanos já co-existiam como partidos independentes. Assim, ao longo do tempo, enfrentando toda a sorte de acidentes históricos, políticos, antropo-sociais e econômicos, as estruturas de serviços e oportunidades nos Estados Unidos só melhoraram independentemente de terem acelerado ou diminuído o ritmo; isto serve para o nosso assunto aqui, as portas abertas da Intracoastal Waterway que é pouco conhecida, e divulgada, no exterior, de dar água na boca, literalmente.

Aviso aos navegantes: viajar para os Estados Unidos nunca foi tão bom como agora

Enquanto ocorria o IPW – International Pow Wow, principal evento da indústria do turismo nos Estados Unidos, a Conversa no Píer entrevistou alguns representantes chaves do segmento náutico Americano e de organizações oficiais dedicadas ao fomento do turismo. Vale destacar que a etimologia da expressão Pow Wow nos remete aos encontros de povos indígenas nos Estados Unidos, popularizados em todo o país de diferentes formas, inclusive entre militares e estudantes, e o embrião vem da palavra powwaw que significa “líder espiritual”, na língua Algonquina da tribo dos Narrangasett.

A propósito, o que mais se fala nas reuniões de negócios ligados aos Estados Unidos, no momento, são os cortes nos orçamentos domésticos, dos incentivos à pesquisa às causas ambientais. E uma das questões mais polêmicas tem sido com relação às portas d

e entrada de estrangeiros no país. Enquanto este observador compilava as conversas para este artigo, pescou uma declaração do Secretário de Comércio dos Estados Unidos, o Sr. Wilbur Ross, feita no terceiro dia (5 de junho último) do IPW: “Sem proteção e segurança, haverá pouca viagem. Mas, deixe-me esclarecer: a América está aberta para negócios. E aberta para milhões de visitantes internacionais que nos desejam o bem”.

Nunca foi tão bom e seguro viajar para os Estados Unidos, a negócios ou turismo, porque as estruturas de serviços e opções de programas, o aparelhamento de hospitalidade, desde hotéis aos inúmeros parques temáticos e meios de transporte e diversão tudo continua tão bom e melhorando quanto antes, mas principalmente porque, à princípio, houve uma tendência de retração, daí a receptividade e ofertas ficarem automaticamente muito mais atraentes. No popular: os braços abertos não são poucos, a atenção com os consumidores de produtos de turismo é maior.

O turismo náutico na Intracoastal Waterway

O que esperar ao desembarcar nos Estados Unidos para desfrutar de um dos milhares de destinos dessa profusão de rios e canais navegáveis, lagos, baías e águas litorâneas abrigadas de mais de 3 mil milhas denominada Intracoastal Waterway? Para entender este universo fabuloso de oportunidades – o sonho de muitos americanos é realizar o cruzeiro completo ao longo desse caminho lacustre, fluvial e marítimo – procuramos o Sr. Thom Dammrich, presidente da NMMA – National Marine Manufacturers Association (associação americana representante da indústria de barcos de lazer e fabricantes de acessórios náuticos), conversando também com Ellen Hopkins e Sarah Salvatori, Media & Communication e Marketing Director respectivamente da mesma entidade.

A melhor maneira de resumir a interação com a NMMA, e prova do esforço de realçar seu segmento de mercado, entre telefonemas e vôlei de e-mails, são os números: US$36 bilhões em vendas só em 2016, maior do que anos anteriores; a náutica impacta a economia do país diretamente em US$121 bilhões (incluindo produtos, serviços e empregos); e, como já vimos, somente na Intracoastal Waterway bombeia US$8 bilhões anuais, sendo a Flórida o maior contribuinte para este número astronômico e, Fort Lauderdale considerado a Veneza americana é assim um dos motores disso tudo.

Nós procuramos a Marine Industry Association of South Florida (Associação da Indústria Náutica do Sul da Florida), a qual possui a marca do Fort Lauderdale Boat Show e Kelly Skidmore, Public Relations da MIASF, enviou-nos a seguinte nota:

A reputação invejável de Fort Lauderdale como a capital da náutica no mundo e a Veneza da América tem sido merecida por décadas pelo desfrute de visitantes internacionais aos lugares espetaculares de nossas vias aquaviárias, acesso à pesca profunda de alto nível, à terceira maior barreira de corais do mundo, capacidade hoteleira sem paralelo e gastronomia de primeira classe incluindo opções alternativas para todos os gostos, tudo isso com a disponibilidade de um suprimento de produtos e serviços náuticos superior para todos os entusiastas da náutica."

Uma indústria ebuliente de verdade. Enquanto compilávamos uma enorme massa de informação para realçar os pontos positivos ao longo da ICW, o turismo, o ramo imobiliário e a náutica juntos sentiram uma forte onda na mídia (Americana) na terça-feira 6, quando Jimmy Tate, empreendedor à frente da Família TATE e seus parceiros (proprietários da Bahia Mar) assinou um contrato de 30 anos com a MIASF para sediar o Fort Lauderdale Boat Show e o próprio Jimmy nos enviou uma nota descrevendo o momento:

[Photo courtesy Jimmy Tate]

Fort Lauderdale é conhecida como a Veneza da América e também como a Capital Mundial da Náutica. Daí a razão do crescimento da indústria náutica de US$11 bilhões ao ano.

Como parte desse sucesso, a MIASF - Associação da Indústria Náutica do Sul da Flórida tem sediado o Fort Lauderdale International Boat Show, também chamado de “ FLIBS “ o qual tem sido, nos últimos 50 anos, o maior evento do ramo no mundo. Através de um esforço de parceria, a MIASF, a Yacht Promotions Inc. também conhecida como “ YPI “ (Informa, USA) e a Bahia Mar resort e marina assinaram um contrato de “leasing” de longo termo com o FLIBS e YPI para assegurar a permanência da sede do FLIBS por pelo menos 30 anos.

Além disso, a Família Tate e seus parceiros (proprietários da Bahia Mar) embarcaram num esforço de re-desenvolvimento transformativo que criará um resort e marina “village” de primeira classe que criará empreendimentos únicos transformando a Bahia Mar diferenciados de qualquer outra comunidade à beira-mar no mundo”.

Não se trata de uma efervescência momentânea, como poderia sinalizar os ajustes e novas direções de âmbito governamental ainda pendentes nesse início de governo, sendo discutidos, onde cada setor argumenta para manter seus orçamentos e aumentá-los, trata-se de uma matriz de opções de consumo construída ao longo de décadas em pleno funcionamento, disponível e do mais alto padrão, se não o melhor do mundo.

É importante destacar a prateleira de produtos e serviços de turismo, a maior indústria do mundo, maior do que a do petróleo, automóveis e da construção civil juntas – estamos falando dos segmentos de hotéis, gastronomia, bebidas, transporte, entretenimento, gifts e náutica, entre outros.

A Casa Branca quer que o americano tire férias

A lógica que é boa para o turista náutico estrangeiro, viajar para os Estados Unidos para desfrutar da Intracoastal Waterway, por exemplo, é a mesma para o contribuinte americano. As pesquisas induziram o governo a criar programas de incentivo ao trabalhador que tire férias. O objetivo é aquecer a indústria do lazer e turismo (interno, neste caso) e estimular o bem estar, ou seja, diminuir a demanda da assistência médica do estado. Mais lazer, melhor qualidade de vida. Há vinte anos a média de dias de férias do trabalhador americano era em torno de 26 dias ao ano, nos últimos anos esse número caiu vertiginosamente para abaixo de 15 dias. Um sinal óbvio da tendência de velocidade favorecida pelas tecnologias disruptivas (dos padrões tradicionais) e “apetite” das gerações Y e Z para geração de riqueza (e status) que possibilita um paralelo, talvez longínquo, mas exemplificador, com a Síndrome de Estocolmo (i.e. adaptações dos reféns às demandas dos sequestradores com contornos de admiração mútua).

“Tire Férias’, diz o programa “Time off – Project” da US Travel Association que a NMMA colabora em divulgar, nos informou Sarah Salvatori.

Esse incentivo só é possível porque há uma infraestrutura saudável, desde os modais de transporte à rede hoteleira, e, no caso da Intracoastal Waterway, se você concordar com o mote da Conversa no Píer, “a vida é melhor com um barco”, a oferta de marinas e facilidades da prática da náutica de recreação e esportiva, em termos de sofisticação, conforto e alternativas não há igual no mundo. Novamente aos números explicam: enquanto no Brasil, por exemplo, há bem menos do que 100 mil embarcações registradas nas Capitanias dos Portos, nos Estados Unidos há mais de 12 milhões e este número duplicaria, se acrescidos de embarcações não registráveis (abaixo de 5 metros) e artefatos náuticos pessoais, assim definidos os jet skis, wake boards, kayaks e outros do gênero.

A Marina da Glória no Rio de Janeiro e as marinas da Intracoastal Waterway

Tirar férias nos Estados Unidos e “ir para a água”, ou comprar um pacote de turismo náutico não é só bom e seguro pelas ofertas de produtos e serviços disponíveis. Há mecanismos em funcionamento que garantem muito mais do que isso, impactando positivamente a sociedade como um todo.

Mecanismos longevos oficiais de governo impõem ao usuário um número de centavos de dólar por galão de combustível no abastecimento de embarcações, assim como percentuais de taxas para artigos de pesca que são direta e exclusivamente canalizados para melhorias do setor náutico. Esses fundos financiam, por exemplo, o BIG - Boating Infrastructure Grant Program (Programa de Concessão para Infraestrutura Náutica), em termos práticos, uma robusta injeção de dinheiro para melhorias de marinas e oficinas náuticas, com atenção especial para oportunizar o acesso gratuito à água pelos proprietários de embarcações. Esta aparente pequena franquia faz uma diferença enorme, é preciso ser do ramo para entender.

Uma implementação particular, de infraestrutura, possibilitada por esses tipos de programas oportunizam o atendimento de demandas ambientais que, mais uma vez a comparação inevitável, em países como o Brasil, parecem ficção. É o caso da instalação de bombas de descarte de resíduos líquidos, sanitários, proibido em águas abrigadas ou à distância específica do litoral. Um atendimento legal e simpático à comunidade náutica.

Resumindo em uma linha algo que não temos na cidade náutica mais importante do Brasil: “acesso à água, incentivo autossustentável à infraestrutura e atenção com o meio ambiente”, na verdade não temos em nenhuma das 5570 cidades da federação. A boa notícia é que o turismo náutico é uma realidade econômica (geradora de empregos e riqueza) em todo mundo. Isto pode influenciar, no Brasil, projetos de desenvolvimento de marinas, resorts e condomínios como em países tais como Chipre, Egito, Grécia, India, Indonésia, Croácia, para citar alguns.

A cabresto, nesse ambiente fértil para atividade náutica, organizações sem fins lucrativos, mesmo ligadas a empresas do ramo de seguro, por exemplo, como é o caso da BOATUS Foundation, oferecem inúmeros cursos gratuitos sobre segurança no mar, manejo e usufruto de embarcações – presenciais e online. Aliás, nos Estados Unidos não há uma exigência de habilitação para a náutica de lazer, há sim uma demanda, fiscalizada pela Guarda Costeira, que limita faixas etárias para a condução de embarcações em corpos líquidos, e prova do cumprimento daqueles cursos gratuitos educativos. David Kennedy nos lembrou deste saudável ambiente da náutica, que estende estas boas práticas para os visitantes estrangeiros também.

Assim, resumindo o teatro do turismo náutico da Intracoastal Waterway, há uma oferta de hospitalidade e infraestrutura em pleno funcionamento e de alto padrão, há mecanismos governamentais que financiam e oportunizam melhorias e há instituições que operam, cada uma em sua área específica, em prol das boas práticas e segurança patrimonial, humana e do meio ambiente, é o caso da Guarda Costeira e do Corpo de Engenheiros do Exército Americano, responsável pela dragagem das vias da Intracoastal Waterway e parques nacionais.

Vender turismo náutico

data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAPABAP///wAAACH5BAEKAAAALAAAAAABAAEAAAICRAEAOw==

Goza de todo esse sólido sistema náutico, a atividade de charter, aluguéis de barcos e pesca, na Intracoastal Waterways. Para sentir a realidade deste astronômico mercado, no dia a dia, conversamos com Jackie Baurgartem, uma das sócias da BoatSetter, empresa avaliada em US$86.7 bilhões de acordo como site Funderbeam; com sede em San Francisco e Florida, com a melhor fachada real de líder do mercado após a fusão, em 2015, com a Cruzin e reunindo em sua direção de acionista com a mão na massa, gente do ramo mesmo, Andrew Sturner, da Aquamarine Partners, proprietária e administradora de um enorme portfólio de marinas.

Em tamanho mercado, uma oferta de mais de 13 milhões de embarcações, sendo a Flórida um dos três estados americanos no topo, junto com a Califórnia e Michigan, a qualidade dos serviços e produtos é um fator crítico. Com um milhão de embarcações, cuja utilização média não passa de 15 dias por ano, selecionar unidades para usufruto de clientes de temporada é uma tarefa que a Boatsetter faz seguindo um modelo próprio e único de negócio, disse-nos a simpática Jackie: “temos milhares de embarcações em nosso website disponíveis para charter, mas estamos constantemente atualizando e inclusive removendo algumas; cada embarcação passa previamente por uma vistoria, de acordo com a exigência de nosso política de seguro; cada aluguel implica em segurar tanto o cliente, quanto a embarcação, isto é, o patrimônio do proprietário, e o capitão que, em nosso caso, exigimos seja habilitado pela Guarda Costeira”.

Sem mais conversa, vender turismo náutico nos Estados Unidos não é um negócio de fim de semana ou especulação de temporada. Tem que ser do ramo.

O resto, é de dar água na boca porque “a vida com um barco é melhor"

bottom of page