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Viajar para os USA? Dentro e fora da indústria do turismo em tempos bicudos


by Luis Peazê - Publicado em 22/03/2017 21:03

Categoria: Negócios & Economia Contexto: Turismo, negócios, comportamento, lazer, viagens, USA, Florida

– Você já viajou para os USA ou quer viajar? Então pertence à metade dos consumidores do planeta, no mínimo, isto mesmo. Se pertencer à outra parte, mesmo assim interage diariamente de alguma forma com o sistema americano, com mais de um produto americano e, invariavelmente, utiliza alguma terminologia nascida nos Estados Unidos.

2017 foi escolhido o Ano Internacional do Turismo para o Desenvolvimento Sustentável pela Organização Internacional do Turismo (UNWTO) e a Conversa no Píer resolveu explorar esse fenômeno na atual conjuntura político-econômica daquele país em uma série de artigos – dentro e fora da gigantesca indústria do turismo.

No momento em que os USA enfrentam o maior número de desafios simultaneamente em sua história; que não se restringem somente às recorrentes oscilações da moeda, às sempre complexas questões da imigração e segurança; culminando com as emergentes questões sociais domésticas e a recente mudança de governo e suas medidas de forte impacto. Afinal de contas, vivemos em tempos bicudos, quem não vive levante a mão.

Discorde se for capaz: os Estados Unidos estão presentes, de um jeito ou de outro, em exatamente todos os segmentos de indústrias, ao redor do mundo. Nenhum outro país goza deste privilégio, e consequências.

Não há cenário de atividade humana sobre a Terra, que os USA não tenham a sua impressão digital, ou pegadas, passou por ali ou é, com frequência, um protagonista principal. Neste contexto, a questão “por que viajar para os USA?” passa por uma teia particular de indústrias que movimenta um volume de negócios mundialmente igual, ou até maior, do que as exportações de petróleo, produtos alimentícios e automóveis juntas. Isto mesmo. A indústria do Turismo, que engloba, mas não se reduz a isso, o entretenimento, a gastronomia, a hotelaria, e os mais diversos tipos de lazer e, por fim, as mais variadas empresas de serviços e todos os modais de transporte de pessoas. Movimento fabuloso que pode ser traduzido em uma única palavra: viajar. A lazer ou a negócios. Pois o homem não para, nada é estático neste mundo, é a vida. Líquida. Em permanente evolução. Anda.

Viaja-se pelo mundo desde os primórdios da civilização. E ainda somos nômades, nunca deixamos de ser. E, contraditoriamente, somos preguiçosos (hedonistas?) e inquietos ao mesmo tempo. Sempre buscamos o prazer e a felicidade, pelo menor esforço.

Você nem imagina

Agora, passemos o filme em alta velocidade até o presente futuro – isto mesmo, vivemos numa “sociedade líquida”, em permanente metamorfose – onde todos os meios sofrem disrupção, onde a velha indústria do turismo (da carruagem aos trens, dos navios aos super aviões) continua transportando atrás dos balcões, invisível ao viajante comum, um arsenal de atores e ferramentas necessárias que apenas vem se somando às novas tecnologias disruptivas. Quem armazena o preço das tarifas ao redor do mundo, o estoque de leitos disponíveis, os assentos em aviões, trens, ônibus e navios e quem abriga inúmeros outros setores que se inter-relacionam no ambiente das viagens comerciais, de turismo e negócios, da alimentação às bagagens, da segurança à conservação de veículos e ambientes; quem tem o direito e a capacidade de lidar com grandes demandas de viagens, e aqueles que povoam as periferias deste ebuliente e monumental mercado de consumo.

Se você conhece ou pertence ao mercado de turismo, percebeu cada meandro ventilado aqui, do contrário, quando você adquire um bilhete, ou um pacote de viagem nem imagina quantos recursos humanos e estruturais estiveram envolvidos neste bilhete digital no seu smartphone, ou no velho bilhete de papel. São as consolidadoras, as operadoras, as agências e as empresas de transporte e serviços, os fornecedores de sistemas de controle e de formas de pagamento e seguro, só para citar algumas.

Você recebe uma oferta de pacote de viagem por e-mail e se interessa, aceita e, em três cliques, adquire o produto. Pronto. Antes de receber a sua confirmação de reserva, aquelas inúmeras empresas, sistemas integrados e estruturas foram acionadas, e estarão ativas em torno de seu ticket do início ao fim de seu desfrute. Todo esse aparato tornou não só complexo viajar, mas intrinsecamente uma operação onerosa e delicada em vários aspectos. Mantenham os cintos afivelados: não há o menor risco de acidente fatal, mas a turbulência é constante. Não há um dia, por exemplo, que uma empresa de aviação não sofra a ameaça de falir – exato –, agarradas às nuvens há décadas por conta do preço do combustível e uma dezena de circunstâncias transfronteiriças.

Nunca foi tão fácil

Mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, nunca foi tão fácil viajar; do jeito tradicional ou através da economia (online) do compartilhamento, que não veio para ficar, diga-se de passagem, pois as novidades digitais não param de surgir – aliás, o DNA dessas novas tecnologias vem com uma mesma patologia, a do canibalismo. Mas, uma espécie de simbiose saudável já é vista pelos analistas de plantão. Da mesma forma que as grandes lojas de departamento e os shopping centers, em declínio de tráfego e de vendas por loja (varejo), se reinventam tornando seus espaços lugares de “experiências” e pontos de encontro onde a venda é acidental, a rede hoteleira turbina seus músculos com novos exercícios em conjunto com operadoras de turismo; recriam-se desde a simples “repaginada” do sistema de reservas, por exemplo, também invisível ao consumidor final, à ampliação de sua oferta high-end através de propostas “self lodge”, esta sim visível e sedutora aos viajantes de um dia só em certos “hubs”. Opção cômoda também para resolver cancelamentos e atrasos inadvertidos, entre outras situações típicas. Onde? – Nos Estados Unidos, para começar.

A única verdade oposta às afirmações acima é que, isso não quer dizer que você não possa querer viajar também para outros destinos, fora da América do Norte. Mas não há como negar, viajar para os Estados Unidos é sempre um banho de novidade, sonhos e funcionalidade.

O único país deste planeta em que em cada condado de cada estado há pelo menos uma atração preparada para o turista estrangeiro são os Estados Unidos. Ou talvez o único país em que se é possível sacar da memória atrações de sul a norte, de leste a oeste, da Florida à New York, de Washington DC ao estado de Washington, de San Francisco à Los Angeles, de Las Vegas à New Orleans.

Uma pausa, pense: o homem não para, há muito tempo venceu a velocidade de rotação e translação da Terra, e muitas vezes não percebe o derredor, local e o ponto futuro. Veja: da mesma forma que inventa arquitetura hostil nas grandes e “cobiçadas” cidades (grades e lanças pontiagudas para inibir pessoas extraviadas e sem teto, entre outros), cria barreiras de todos os tipos nas fronteiras e aeroportos.

Portanto, no caso dos Estados Unidos, com seus destinos entre os mais cobiçados do mundo, viajar na atual conjuntura requer uma atenção extra e uma dose a mais de paciência. Nos últimos 30 anos houve alterações graduais das leis de imigração e concessões de vistos para os USA.

Também invisível ao viajante comum, os processos de seleção e treinamento dos funcionários do Department of Homeland Security (Departamento de Segurança Interna) recebem demandas das esferas superiores para melhoramentos (leia-se “rigor”) e, por isso, esses processos são lentos, e dispendiosos. Aquelas leis, por sua vez, vem fechando as brechas de imigrações ilegais ou artificiais – sinais dos tempos onde muitos querem viajar na velocidade de um clique.

LEIA O SINAL LUMINOSO A SUA FRENTE: “– Atenção senhores passageiros, lembramos que os funcionários da imigração continuam como sempre foram, bem específicos em suas tarefas, e alguns podem ser até mal humorados (“step back, Sir” pode ter infinitas modulações, depende...), o trabalho deles é tão importante quanto tedioso, o ambiente não tem atrativo algum, não é fácil; enfatizamos: - muita calma na hora de passar pela revista de seu passaporte e bagagens, se for solicitado a responder perguntas, fique calmo, responda a todas elas com a maior simplicidade e objetividade possíveis; lembre-se, aquele funcionário faz as mesmas perguntas para todos os entrevistados, é um trabalho de alta demanda, isto é “lidar com pessoas de todas as partes do mundo do mesmo modo repetidamente”; não esqueça, vivemos tempos bicudos. Mas, uma vez concedida a sua entrada em território americano, aproveite, foi para isso que você viajou”.

Aliás, o lema da campanha da Organização Internacional do Turismo (UNWTO) para 2017 é: "Viaje, Desfrute, Respeite".

Na próxima semana, vamos contextualizar as novidades reveladas no WTM – World Travel Market Latin America , maior evento da indústria do turismo a realizar-se em São Paulo (4, 5 e 6 de abril, 2017) que reúne todos os “players” deste gigantesco setor econômico.

A Conversa no Píer buscará na BRAZTOA – Associação Brasileira de Operadoras de Turismo, os profissionais mais experientes como Marina Barros, com mais de quarenta anos no trade, fundadora da Doubleem Marketing & Eventos www.doubleem.com.br que promove o destino Greater Fort Lauderdale, Florida (entre seus clientes), área vizinha a dois dos mais cobiçados destinos do mundo, a Disneyland e Miami – maior desafio não existe. Mas o turista brasileiro é “frequent flyer” para o destino Greater Fort Lauderdale e, embora tenha havido um declínio do número de passageiros de 2105 para 2016, gira em torno de 500 mil viajantes, em 2017 esse público tem, além das dezenas de atrações patrocinadas pelo Hello Sunny, vitrine do turismo do condado de Broward, o mercado imobiliário pra lá de sedutor, com unidades com vista para o mar e totalmente mobiliadas a preços bem brasileiros.

VIAJE, DESFRUTE, RESPEITE: lema da UNWTO, Organização Mundial do Turismo, uma das agências da ONU, que determinou 2017 o International Year of Tourism for Sustainable Development (Ano Internacional do Turismo para o Desenvolvimento Sustentável).

A própria ONU, em sua 70 Assembléia Geral, afirmou que esta celebração é uma oportunidade única para chamar a atenção para a contribuição do turismo para o desenvolvimento sustentável, junto ao público em geral e os tomadores de decisão do setor privado e das esferas governamentais, mobilizando todos os “stakeholders” para trabalharem juntos no sentido de tornar o turismo um dos catalizadores para mudanças positivas.

No contexto da Agenda Universal 2030 para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDGs), o Ano Internacional do Turismo busca estimular todas as formas de apoios a mudanças de políticas, práticas de negócios e comportamento do consumidor que tornem o setor de turismo sustentável contribuindo para aqueles objetivos da Agenda 2030.

O #IY2017 promoverá a participação do turismo nas seguintes áreas-chave:

(1) Crescimento inclusivo e sustentável da economia (2) Inclusão social e redução da pobreza e desemprego (3) Eficiência de recursos, proteção ambiental e mudança climática (4) Valores culturais, diversidade e patrimônio (5) Compreensão mútua, paz e segurança.

FONTE: World Tourism Organization (UNWTO) http://www.tourism4development2017.org