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Campanha pela Tarifa Livro de Envio de Livros pelos Correios
Iniciativa lançada em 07/09/2006 por Luís Peazê e Clínica Literária

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Esta ilustração não pertence   
aos Correios. 

 

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Carta endereçada ao
Presidente dos Correios
e aos parlamentares

 

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Testemunhais:

Moacy Scliar:"......"

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FÓRUM

 

Estas são as marcas oficiais dos CORREIOS:

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Você sabia que uma carta pessoal, escrita à mão livre E na tradicional folha de papel pautado, custa apenas R$0,01 se escrito na frente do envelope, padrão dos correios, CARTA PESSOAL?


 

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E gostaria de acompanhar esta campanha.

Tem Que ser Durinho (crônica)

Encontrei um ermitão muma ilha, a 70 milhas da costa leste da Austrália: Andy Martin, apaixonado por livros, e louco. Disse-me que estava reescrevendo a Bíblia, para provar que o Judeu é o povo escolhido de Deus. Eu acabara de chegar, após dias no mar sem ver terra, discutíamos o sexo dos anjos quando ele completamente irado projeta através da janela o tijolo “A Origem do Homem”, de Charles Darwin, provocando um escarcéu das galinhas no quintal.

Depois do bate-papo sui generis levantei âncora, rumo à civilização. Na bagagem mais um amigo e um saco de livros para colocar no correio para Andy.

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Peazê, Helga e Andy na Ilha Piercy, Oceano Pacífico - 1996

Lá na Austrália, assim como nos Estados Unidos, livros pelo correio têm uma tarifa diferenciada, quase nada em relação a outras encomendas. Andy recebia livros de malucos como ele, e os que não serviam para a sua pesquisa sobre a Bíblia, doava para bibliotecas de todo o país. Ou seja, quase todos os livros que chegavam a Ilha Piercy continuavam sua longa e paciente travessia até uma biblioteca. Fiquei orgulhoso por estar participando de uma doação de livros, que teria começado meio ano antes, e de estar fazendo parte de uma história muito doida.

Agora, doida mesmo é a língua que se fala no Brasil. Já escrevera Nas Esquinas do Rio sobre o indefectível “Cadiquê”, arrebatador quando se adiciona um “Aí” na frente. - Aí, cadiquê?! Serve como pergunta, interjeição, truque para chamar a atenção num balcão de carnes de supermercado, perguntar repdinho para o cobrador se o ônibus passa “no Buraco”, ali em Bonsucesso; multifuncional…

Andando pelo Rio, porém, descobre-se facilmente que a comunicação verbal transcende ao fenômeno da gíria, da morfologia e sintaxe, extrapola os limites da gramática e da própria lingüística, me arrisco a dizer que chega a definir a filosofia do povo, lato sensu.

Também já falei do hábito de se soltar frases no ar, em ambientes públicos, para ver quem as intercepta e entabula uma conversa. Mas há algo mais grave ainda, ou curioso, pois parece que as pessoas forjam uma linguagem falada e comportamental como escapismo ao poder, opressão econômica e contínua desobediência civil instituída. Elas criam assim um paradoxo, realimentam um ciclo vicioso. É claro, não sendo sociólogo eu posso cometer o pecado dessas afirmações, mas duvide de mim se for capaz.

Experimente pedir uma informação numa loja, por telefone ou pessoalmente e esforce-se para utilizar corretamente o português. Quanto mais correto, menos êxito você terá.

Mas há casos interessantes para lingüistas lamberem os beiços. São as expressões que o povo cria quando há um balcão entre uma pessoa e outra. Outro dia entrei numa agência de correios para enviar dois livros para São Paulo. Não, no Brasil, com mais da metade da população tão pobre quanto a mais pobre da África e qualquer outro país pobre, onde o governo afirma que vai acabar com o analfabetismo em cinco anos, enviar livros pelo correio custa relativamente o mesmo que enviar ouro e telefone celular.

Não, a tarifa de impresso nem sempre pode ser aplicada, ou você terá que enviar um livro quase à mostra, sujeito a danificação no transporte e manipulação.

Ao entrar naquela agência dos Correio, em Copacabana, tive a leviana constatação pseudo-sociológica acima. Perguntei quanto custava o embrulho de dois livros que ofereci a atendente do correio, e ouvi dela, por sobre a voz da gerente que aproximou-se vindo não sei de onde, que se fosse “durinho” poderia “ir como encomenda normal” do contrário teria que “ir como Sedex”.

– Durinho? Perguntei, surpreso.

– É, assim na caixinha.

– Que caixinha, envio livros do mesmo modo frequentemente?

Aí a gerente já estava interagindo e pessoas da fila entraram na conversa.

Ao tomar a Bíblia na ponta da língua, onde no princípio era o verbo, acho que ainda não chegamos no começo.

Desculpe-me Andy, mas quando me olho no espelho uma pergunta reincide na mente: espelho, espelho meu, existe alguém mais símio do que eu?

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