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"...no princípio era o verbo, depois veio a luz e o dedo de Deus separou as águas e surgiram os continentes - qualquer coisa assim. Passaram-se milhões de anos até a época das colonizações que por sua vez terminaram num dia qualquer do final do século XX. Então, os homens do hemisfério norte, que haviam perdido as colônias por tê-las exaurido, ou por causa da emancipação da humanidade, se deram conta de que naquela separação das águas a maior área molhada escapara-lhes das suas mãos desde o início. Ainda detinham o poder (econômico), mas não podiam plantar o suficiente para comer e, por outras razões de seu próprio caráter, também não tinham mão-de-obra suficiente para trabalhar a terra e nas suas fábricas, que por sua vez também dependiam de água. Assim foi que a guerra começou, a guerra pela água..."

 

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A Década da Água pela Vida, 2005 - 2015

A Assembléia da Organização da Nações Unidas de dezembro de 2003 proclamou os anos de 2005 à 2015 como a Década Internacional para Ação "Água pela Vida". O principal objetivo da Década da "Água pela Vida" é promover esforços para concluir compromissos internacionais assumidos sobre a água e assuntos relacionados a água até 2015.


Números das Águas


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ARTIGOS E REPORTAGENS:

Para UNEP Jornalistas Não Sabem Noticiar Água
por Luís Peazê   Publicado em 22/03/2010 22:20 Horário, Nairobi, Quênia

NAIROBI - 22/03/2010 - Reportagem exclusiva do Workshop para Jornalistas na sede do UNEP - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente em Nairobi, Quênia, por ocasião do Dia Internacional da Água.... LEIA MAIS >>>


Moacyr Scliar
A cidade onde os gatos dançavam (e as pessoas morriam)
Crônica inédita, especial para a Clínica Literária, da verve do médico sanitarista, um dos autores brasileiros mais respeitados no país e exterior, apaixonado por ficção.





Bush ameaça o Brasil com armas químicas - Luís Peazê


gallery-2.jpg (55720 bytes)Os acidentes ecológicos ocorridos por negligência de empresas privadas e relapso, inaceitável, do poder público, são tão fatais para o meio ambiente e a vida humana, quanto o risco de estarmos bebendo veneno, ou escovando os dentes com arsênico sem sabermos. A diferença é que aqueles chocam pelo visual de fotos como a do recente acidente na costa espanhola. O médico sanitarista e renomado escritor Moacyr Scliar, através de seu imaginário fantástico, acende uma luz dentro das nossas mentes com um  caso real.

Moacyr Scliar
A cidade onde os gatos dançavam (e as pessoas morriam)
Crônica inédita, da verve do médico sanitarista, um dos autores brasileiros mais respeitados no país e exterior, apaixonado por ficção, especial para a Clínica Literária.

Minamata é uma cidadezinha igual a tantas outras no Japão: um lugar à beira-mar, pequeno, tranqüilo, em que boa parte da população vivia da pesca. Nos anos cinqüenta, contudo, estranhas coisas começaram a suceder ali. Em primeiro lugar, os gatos da cidade passaram a exibir um comportamento inusitado: moviam-se grotescamente, como se estivessem dançando. Alguns deles corriam para o mar, onde acabavam morrendo. Gatos dançantes? Gatos suicidas? Esquisito – e assustador. Mas, para desgraça dos habitantes, as coisas não ficaram nisso. Logo pessoas também passaram a apresentar problemas, sobretudo de incoordenação motora: muitos não conseguiam, por exemplo, calçar os sapatos.

Logo ficou claro que se tratava de uma doença. Mas que doença? Sífilis, que naquela época era (e é) bastante freqüente? Não. Aquilo era mais grave do que sífilis. E, como se veio a descobrir, não se tratava de doença causada por micróbio. A causa estava na própria cidade.

Em 1932 instalara-se em Minamata uma grande indústria, a Chisso, que fabricava acetaldeído (usado na produção de material plástico). A indústria cresceu muito. Seus resíduos eram despejados no mar. E estes resíduos continham mercúrio. As pesquisas mostraram níveis elevadíssimos deste metal nas vísceras de pessoas e animais falecidos da doença. Envenenamento por mercúrio não chegava a ser novidade. Entre os personagens de "Alice no País das Maravilhas" existe o Chapeleiro Louco. Por que um chapeleiro haveria de ser louco? Porque naquela época o feltro de que eram feitos os chapéus era tratado com mercúrio – e os chapeleiros, intoxicados, exibiam o mesmo comportamento que os gatos depois mostrariam em Minamata.

Mas o caso da cidade japonesa teria mais um, e trágico, desdobramento. Acontece que a Chisso empregava boa parte da população. Se fechasse, muita gente ficaria sem trabalho. O que se viu, então, foi um amargo confronto entre empregados e parentes das vítimas, que só cessou quando a corporação mudou o seu ramo de atividade.

A doença de Minamata, como veio a ser conhecida, chamou a atenção do mundo todo para o problema da intoxicação por metais pesados. Um problema que aparece sob as formas mais inesperadas. Por exemplo, no recondicionamento de baterias, feito por pequenas indústria de fundo-de-quintal. Os vapores de chumbo que se desprendem no processo são altamente tóxicos. E isto exige uma atenção redobrada, não só por parte da saúde pública e da fiscalização, como do público em geral. Metal pesado é um risco constante. Para o qual precisamos estar atentos. Sob pena de dançarmos como os gatos de Minamata.

Copyright © 2003 Moacyr Scliar


by Luís Peazê
Metais pesados
- quase toda a água que nos é servida em nossas torneiras e também nos garrafões comprados a 30 centavos o litro, em média, transporta grande quantidade de metais pesados para o nosso organismo, causando danos irreparáveis à saúde. Vale lembrar que, como o planeta em que vivemos, 2/3 do nosso corpo são formados por água, isto é, nosso território biológico é líquido acuoso e, bem, leiamos:

Contaminando a vida
Efeitos na Saúde
Principais Fontes e Impactos de alguns metais pesados

Contaminando a vida

Minamata, Japão, 1956.
No dia 21 de abril, uma criança com disfunções do sistema nervoso dá entrada no Hospital Shin Nihon Chisso. Logo em seguida, no dia 1o de maio, quatro outros pacientes com sintomas similares aparecem no Centro de Saúde Pública de Kumamoto. Esta última acabou sendo a data oficial da descoberta do Mal de Minamata, doença cerebral causada pela ingestão de mercúrio.

Naquele ano, um comitê especialmente designado para investigar a doença (de causas até então desconhecidas) reconheceu o mal em 56 pessoas. A investigação apontou pacientes das vizinhanças da Baía de Minamata, cujas dietas eram centradas em peixes e frutos do mar. Foram encontrados cristais de mercúrio orgânico nos dejetos da indústria química Chisso. O mercúrio era despejado em um rio que desaguava no mar, o principal fornecedor de alimentos às comunidades da região. A fauna marinha foi intoxicada e, através da comida, o metal altamente tóxico chegou aos organismos humanos.

As mortes e doenças conseqüentes da contaminação por mercúrio em Minamata são exemplos da força tóxica do grupo de elementos químicos conhecidos como metais pesados.

Os despejos de resíduos industriais são as principais fontes de contaminação das águas dos rios com metais pesados. Indústrias metalúrgicas, de tintas, de cloro e de plástico PVC (vinil), entre outras, utilizam mercúrio e diversos metais em suas linhas de produção e acabam lançando parte deles nos cursos de água. Outra fonte importante de contaminação do ambiente por metais pesados são os incineradores de lixo urbano e industrial, que provocam a sua volatização e formam cinzas ricas em metais, principalmente mercúrio, chumbo e cádmio.

Os metais pesados não podem ser destruídos e são altamente reativos do ponto de vista químico, o que explica a dificuldade de encontrá-los em estado puro na natureza. Normalmente apresentam-se em concentrações muito pequenas, associados a outros elementos químicos, formando minerais em rochas. Quando lançados na água como resíduos industriais, podem ser absorvido pelos tecidos animais e vegetais.

Uma vez que os rios deságuam no mar, estes poluentes podem alcançar as águas salgadas e, em parte, depositar-se no leito oceânico. Além disso, os metais contidos nos tecidos dos organismos vivos que habitam os mares acabam também se depositando, cedo ou tarde, nos sedimentos, representando um estoque permanente de contaminação para a fauna e a flora aquáticas.

Estas substâncias tóxicas também depositam-se no solo ou em corpos d'água de regiões mais distantes, graças à movimentação das massas de ar. Assim, os metais pesados podem se acumular em todos os organismos que constituem a cadeia alimentar do homem. É claro que populações residentes em locais próximos a indústrias ou incineradores correm maiores riscos de contaminação.

Efeitos
Efeitos na Saúde

A maioria dos organismos vivos só precisa de alguns poucos metais e em doses muito pequenas. Tão pequenas que costumamos chamá-los de micronutrientes, como é o caso do zinco, do magnésio, do cobalto e do ferro (constituinte da hemoglobina). Estes metais tornam-se tóxicos e perigosos para a saúde humana quando ultrapassam determinadas concentrações-limite.

Já o chumbo, o mercúrio, o cádmio, o cromo e o arsênio são metais que não existem naturalmente em nenhum organismo. Tampouco desempenham funções - nutricionais ou bioquímicas - em microorganismos, plantas ou animais. Ou seja: a presença destes metais em organismos vivos é prejudicial em qualquer concentração. Desde que o homem descobriu a metalurgia, a produção destes metais aumentou e seus efeitos tóxicos geraram problemas de saúde permanentes, tanto para seres humanos como para o ecossistema.

Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros avaliou a concentração de metais pesados em verduras cujo plantio utilizou adubo proveniente da compostagem de lixo orgânico. Os resultados demostraram que o solo e as hortaliças tinham Cádmio em níveis perigosos para o consumo humano. Folhas de alface, couve e brócolis continham, respectivamente, 2,3, 11,8 e 8 miligramas de Cádmio por quilograma de alimento (mg/kg). Como a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o máximo diário de 1 micrograma de Cádmio por quilograma de massa corpórea, alguém que se alimente destas verduras acabará por ingerir dez vezes mais que as quantidades aceitáveis. Os mesmos pesquisadores afirmam que os alimentos fornecem 40% do cádmio absorvido pelo homem e que a vida média biológica deste elemento químico (19-38 anos) acarreta sua acumulação no corpo humano, especialmente nos rins e no fígado. Altos teores podem trazer disfunções em pessoas com mais de 50 anos de idade.

Principais Fontes e Impactos de alguns metais pesados

METAL

FONTES PRINCIPAIS

Impactos na saúde e no meio ambiente

Chumbo

Iindústria de baterias automotivas, chapas de metal semi-acabado, canos de metal, cable sheating, aditivos em gasolina, munição.
Indústria de reciclagem de sucata de baterias automotivas para reutilização de chumbo

Prejudicial ao cérebro e ao sistema nervoso em geral
Afeta o sangue, rins, sistema digestivo e reprodutor1
Eleva a pressão arterial
Agente teratogênico (que acarreta mutação genética)

Cádmio

Fundição e refinação de metais como zinco2, chumbo e cobre - derivados de cádmio são utilizados em pigmentos e pinturas, baterias, processos de galvanoplastia, solda, acumuladores, estabilizadores de PVC, reatores nucleares

É comprovadamente um agente cancerígeno, teratogênico e pode causar danos ao sistema reprodutivo.

Mercúrio

Mineração3 e o uso de derivados na indústria e na agricultura
Células de eletrólise do sal para produção de cloro

Intoxicação aguda: efeitos corrosivos violentos na pele e nas membranas da mucosa, náuseas violentas, vômito, dor abdominal, diarréia com sangue, danos aos rins e morte em um período aproximado de 10 dias.
Intoxicação crônica: sintomas neurológicos, tremores, vertigens, irritabilidade e depressão, associados a salivação, estomatite e diarréia.; descoordenação motora progressiva, perda de visão e audição e deterioração mental decorrente de uma neuroencefalopatia tóxica, na qual as células nervosas do cérebro e do córtex cerebelar são seletivamente envolvidas.

Cromo

curtição de couros, galvanoplastias

Dermatites, úlceras cutâneas, inflamação nasal, câncer de pulmão e perfuração do septo nasal.

Zinco4

Metalurgia (fundição e refinação), indústrias recicladoras de chumbo

Sensações como paladar adocicado e secura na garganta, tosse, fraqueza, dor generalizada, arrepios, febre, náusea, vômito

1 Crianças são especialmente vulneráveis aos efeitos do chumbo. Mesmo quantidades relativamente pequenas de chumbo podem causar rebaixamento permanente da inteligência em crianças, potencialmente resultando em desordens para leitura, distúrbios psicológicos e retardamento mental. Outros efeitos em crianças incluem doenças nos rins e artrite.

2 Minerais de zinco constituem a principal fonte de cádmio. Este elemento é obtido durante os processos eletrolíticos de fundição utilizados para refinações de zinco e outros metais Todos os concentrados de zinco apresentam como constituinte menor e inevitável de 0,1 a 0,3% de cádmio. Apesar de seu uso na indústria ter aumentado nos últimos 50 anos, a elevada toxicidade do cádmio tem restringido seu uso tanto nas aplicações já existentes como no desenvolvimento de novas tecnologias.

3 A mineração contribui com 50% e o restante provém de atividades industriais (catálise, fabricação de equipamentos elétricos, pintura e fabricação de pesticidas).

4 A maior parte dos efeitos tóxicos do zinco relaciona-se à sua combinação com outros metais pesados e contaminação durante os processos de extração e concentração de zinco. As cinzas do metal nunca são completamente puras, podendo estar misturadas a outros metais como cádmio e mercúrio.

fonte:greenpeace


 

 

 

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