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Falta pouco para nunca mais
lermos jornais do mesmo jeito
O jornal online mudou alguma coisa na imprensa? Procurei um
especialista em Internet para especular sobre um certo traço Leia
mais>>>
A TV Globo não faz jornalismo, apenas entretém (27/06/2006)
[Publicado no Observatório da Imprensa sob o título: Não é jornalismo, é
entretenimento.]
Carlos Alberto Parreira, técnico da seleção
brasileira de futebol ficou irritado com reportagem da TV Globo que revelou, através de
leitura labial, suas exclamações obscenas durante um jogo da Copa do Mundo (2006). Ele
alegou que sua privacidade foi invadida, e a TV Globo enviou-lhe carta pedindo desculpas.
Mais ou menos como o Presidente Lula fez com Ronaldo Fenômeno, depois de brincar de modo
inapropriado ao vivo para o país inteiro, de uma sala do Palácio do Planalto, com a
espetacularização que vinha sendo feita pela imprensa esportiva sobre o peso do jogador.
Se esta prática de pedir desculpas virar moda,
o jeitinho brasileiro terá uma nova versão para se expressar, criando mais um traço
negativo na nossa cultura. Mas parece funcionar satisfatoriamente para ambas as partes. O
veículo continua de bem com a fonte, conseguindo exclusivas, e a fonte mostra a força de
sua influência. Nada mais hipócrita. No caso do Presidente Lula, está claro que foi um
golpe, desastrado, de oportunismo eleitoreiro, para vergonha nacional. Já, no caso da TV
Globo, há nuances sutis que a classe (de jornalistas) talvez devesse discutir. Sem falar
que o grande público talvez não tenha percebido. Vejamos:
É curioso que o técnico da seleção não
sinta a sua privacidade invadida, quanto às teleobjetivas (e microfones) da imprensa
mundial presentes nos estádios, onde e através dos quais ele se exibe para milhões de
pessoas. Muitas perguntas ingênuas suscitam desta questão: então o futebol é um
espetáculo tipo cinema mudo? O que os jogadores, técnicos e juízes falam durante o jogo
não pode ser publicado? Só o que a torcida grita, em coro? E, se um torcedor em
particular tiver o seu grito publicado, terá um pedido de desculpas da TV Globo,
se ficar irritado?
Metáfora Arriscada
Mas é claro, a TV Globo não perderia a chance
de continuar tendo exclusivas privilegiadas e imediatamente achou um subterfúgio para
contornar a situação. Pediu desculpas publicamente, em cadeia nacional, no horário
nobre, pela sua melhor âncora de telejornal, a Sra. Fátima Bernardes. E ela é
tão hábil, que foi capaz de ironizar com elegante sutileza, no texto de desculpas, a
qualidade de educado do técnico da seleção. Mas traiu-se vergonhosamente, para quem é
do ramo, ao iludir o público, e o próprio Parreira, informando que o quadro de leitura
labial era uma matéria de entretenimento, da revista digital Fantástico, e que o
público assim a interpretava.
Público esse, diga-se, ensandecido por uma
euforia romanesca na Copa do Mundo, numa batalha campal de ego-exibicionismo, para
entreter extraterrestres, provavelmente. Tudo muito coerente com o cenário urbano
midiático, pois, há muito tempo que o jornalismo é quase tão somente entretenimento,
show, espetáculo, não é integralmente sério, não é profundo, e raramente é
imparcial. Numa metáfora arriscada, poderíamos dizer que há muito tempo o
telejornalismo é uma grande leitura labial, apenas.
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Luís Peazê (MTB 24338) é escritor e
jornalista
http://www.clinicaliteraria.com.br/clinicaliteraria.htm
Mentalidade Marítima
Entusiastas que acompanham a Volvo Ocean Race são manipulados pelos criadores do
web site do Brasil 1.
Publicado na Conversa do Píer em 09/06/2006
Todos os passos dos "blogueiros", ou crédulos
torcedores entusiastas, são acompanhados milimetricamente pela agência de propaganda e
marketing online AddComm. Em palestra no seminário Webmétricas,
realizado em São Paulo dia 06/06/2006 último e, no Rio de Janeiro, dia 08/06/2006, a
Sra. Risoletta Miranda, presidente daquela empresa, contou com entusiasmo como ela orienta
seus clientes para tirarem proveito do conhecimento sobre o comportamento dos
frequentadores do blog do Brasil 1, e de outros, como o da marca Wella.
Utilizando ferramentas poderosas e metodologia de análise dos
rastros deixados pelos internatuas pode-se "monetizá-los" (este palavrão é a
vedete dos especialistas em Internet atualmente! Ah, "usabilidade" também, eles
adoram palavrões). Uma "mina de ouro", nas palavras da Risoletta em artigos que
circulam pela Internet. Ela chama de "nossa Bélgica" as classes A, B e C e
afirma que essa "Bélgica" pode influenciar as classes C e D que ela chama de
nossa "Índia". E recomenda aos políticos não ignorar esse ambiente em suas
campanhas. Eu ia escrever um artigo sobre esse vandalismo da mente humana que acontece
"por trás dos web sites da vida", mas fiquei mareado, muito mareado mesmo,
pensando no que eu me transformaria se continuasse trabalhando como publicitário.
É, a gente peca. Mas todos temos a chance de parar de pecar.
Para a marca Wella, por exemplo, um dos clientes
dessa AddComm, foi criado um blog que estimula as mulheres a fazerem
fofoca, e tome análise de comportamento e "monetização".
O pior de tudo é que a Risoletta utiliza poesia, gags
conhecidinhas e outros truques antigos de publicitário para desviar a atenção dos seus
interlocutores e seduzi-los. Risoletta teve passagem pela Denison Propaganda (onde eu
trabalhei também, muito antes dela), e, na net há uma biografia sua
"realçando" que nasceu no Pará, sobre uma palafita, sonhando ser alguém na
vida e lendo Fernando Pessoa numa rede de pano.
Cuidado 1! Ela divulgou que está disposta a dar
palestras "de graça" por aí, porque está fascinada com o poder de suas
descobertas do marketing online.
Cuidado 2! Não há por onde escapar. A rede que
pesca internautas é fina e invisível. Os poderosos motores de busca, e "busca"
é outra palavra chave nesse inferno da monetização, podem classificar, categorizar,
qualificar e quantificar todos os passos do internautas através de seus hábitos de busca
nos Googles da vida.
Pobres torcedores do Brasil 1, marionetes na mão
de "risolettas". Pobre Risoletta, não sabe o mal que está fazendo para o mundo
e para si mesma. Desperdício de uma alma tão inclinada à arte.
Mas quem sou eu para inverter essa onda, nesse imenso oceano
tenebroso que é a Internet e o mundo dos que "buscam" o dinheiro a qualquer
preço? Sou um simples amante de um sereno cruzeiro, que veleja suave como uma pipa solta
sobre o mar.
Termino essa nota com um verso de Pessoa, que me ocorreu ao ouvir
a Rizzo (apelido da Risoletta):
"Diante desse cais de pedra andei léguas de sombra dentro em
pensamento". |
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Stylita Ed. 352 pgs.
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ISBN 85-85696-43-5
Quartet Editora, 193pgs
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Por Quem os Sinos Dobram
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Tradução de
Luís Peazê

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Sécurité! Sécurité! Sécurité!
Traduções de notícias do estrangeiro soçobrando!
O que você faria, se ouvisse no
meio de uma metrópole uma voz apreensiva sussurrando, no seu ouvido, a chamada do
título? Se for um cidadão de qualquer profissão exceto do jornalismo, pensará que
está ficando louco, ouvindo vozes do além. Mas um jornalista entraria em estado de
alerta; em seguida iria querer saber de onde exatamente está vindo; daí em diante é a
rotina de apurar, apurar, apurar e, às vezes, traduzir corretamente antes de publicar a
notícia.
Recentemente fui pego como um
cidadão comum pela notícia de que Mike Tyson envolveu-se em confusão numa boate de São
Paulo, e li a matéria. Andava meio nocauteado de tanta notícia incerta sobre quem seria
indicado para punição na CPI do mensalão, e fiz um desvio para, como dizem os
americanos, limpar o sistema (em português talvez fosse melhor traduzir
clean the system para zerar a paisagem mental, mas, pensando
melhor, às vezes a coisa envolve zerar-se espiritualmente (com uma notícia sobre Mike
Tyson?), deixemos como está). Pois o que aconteceu foi eu ser nocauteado de vez,
literalmente pela tradução das respostas do famoso e bizarro boxeador.
Você diria, muito circunlóquio, não fui direto ao
ponto. Paciência, trabalhar com tradução é assim, parece que vai ser fácil, mas nunca
é. Contudo, é instigante, e vamos direto ao ponto, o espaço aqui é pequeno, como nas
redações, onde a pressa é um vício da notícia:
Após ler várias frases entre aspas, traduções de
respostas de Tyson ao repórter, desconfiei que havia sérios problemas de interpretação
do tradutor. Ao final não tive dúvidas dos danos na e da notícia. Deduzi que a
causa fora a pressa do redator ou a sua falta de experiência, injustificável em
qualquer dos casos, mesmo que repórter, tradutor e redator tenham sido a mesma pessoa, ou
não. A partir daí farejei uma notícia subjacente, ouvi um sussurro e fui investigar. E
a notícia é: as traduções de notícias estrangeiras e de entrevistas com
personalidades internacionais estão com sérias avarias, soçobrando em alto mar.
Bem ao final da entrevista com Tyson o repórter coloca
entre aspas uma de suas respostas, assim: tudo o que eu quero é ser deixado
sozinho. Dois parágrafos acima, Tyson havia revelado que após o seu declínio no
Box, sentia-se abandonado, logo conclui que a frase traduzida, com problemas, teria sido
all I want is to be left alone. A nossa língua também quer ficar em paz, ela
não precisa levar tantos socos assim. Problemas como esse soçobravam ao longo de toda a
matéria, que contou com um colaborador, dois jornalistas, e sabe-se lá quantos mais a
leram antes de ir para as páginas (impressas e digitais) do jornal.
Minha pesquisa na Internet e em jornais impressos
prosseguiu, tendo prospectado uma fábula de lixo perigoso, tanto na superfície dos
textos traduzidos, de notícias reproduzidas de agências internacionais, quanto em suas
profundezas. A última notícia, traduzida da Associated Press, que provocou este aviso de
acidente no mar da informação jornalística, foi a de um australiano e de um
neozelandês náufragos, encontrados à deriva num bote salva-vidas no 11o,
digo, 12o dia.
A manchete anunciava um dia a menos de deriva, até aí
tudo bem. Mas logo no primeiro parágrafo uma frase soou como um direto no queixo. Os
homens estariam trazendo um motor de iate de 60 pés para um cliente de Sydney,
Austrália. Ora, o texto abria com a localização da notícia em Hanói, Vietnam, como
poderiam estar trazendo algo? Certamente eles estavam levando, assim como a
gramática e a mente do leitor estiveram levando uma surra. Mas o pior estava para vir.
Investiguei no texto original de AP e de outros veículos chineses e australianos (graças
à Internet) e descobri que os pobres náufragos levavam um motor yacht, que
é um tipo de veleiro equipado com um possante motor, podendo fazer longas viagens sem
utilizar as velas. Descrição irrelevante para o leitor em português, pois, quem é do
ramo se refere a motor yacht assim mesmo, e tanto faz, continua sendo veleiro.
Grande. A propósito, tinha 20 metros, portanto, 6 pés a mais do que o noticiado. Quem é
do mundo dos barcos sabe quanta diferença isso faz.
Bem, o texto era um acidente atrás do outro. A frase
ao final, sem edição, sem copy desk, e com muita pressa ou pouca atenção, dispensa
comentários: Nos aconchegávamos juntos um ao outro como dois bebês para nos
mantermos aquecidos durante a noite. Durma-se com um barulho desses!
Entre a matéria do Tyson e esse naufrágio, encontrei
muitas outras semelhantes, isto é, com problemas graves de tradução. Não cito nomes
porque não se trata de um patrulhamento gratuito, nem pensar. Mas de um chamado de
distress, um alerta de problemas no horizonte, um apelo para que um salvamento
seja posto em curso, bens e vidas podem ser salvos. Por falar nisso, pelo código de
comunicação náutica, as expressões Sécurité! Sécurité! Sécurité! May Day! May
Day! May Day! Help! Help! Help! S.O.S não querem dizer exatamente a mesma coisa.
O aviso se justifica porque uma dessas expressões
utilizada na ocorrência errada pode causar pânico, ou socorro tardio, e, no caso das
traduções de notícias, é tão fácil resolver, não há necessidade de danos maiores.
Conversando com cientistas da
oceanografia tenho ouvido freqüentes reclamações quanto a péssimas traduções, assim
como de descrições impróprias em textos jornalísticos sobre eventos científicos em
geral. Isso não deixa de ser um problema de tradução, interpretação. Assim, o
público está recebendo desinformação, é aí que está o problema. Por isso, caros
colegas (repórteres, chefes de redação, diretores e donos de veículos), já que a
Internet, os editores de texto, os dicionários temáticos e de expressões idiomáticas
on-line facilitaram tanto a vida da gente, não custa investir um pouquinho mais de
atenção na hora de traduzir e interpretar, pelo menos.
Atenção, revisores de plantão:
este texto foi escrito, propositalmente com pressa, em exatos 40 minutos, com base no
repertório memorizado, portanto, mãos à obra.
Luís Peazê é escritor e
jornalista (MTB 24338), tradutor de Por Quem os Sinos Dobram de Ernest
Hemingway. Dirige a Clínica Literária consultoria e agência de notícias e
preside o Instituto Brasil Costal BRCostal, entidade dedicada à difusão das
questões do meio ambiente marinho e mentalidade marítima
http://www.aventuranobrasilcostal.com.br
A Pequenez do Presidente [14/08/2005]
Em Conversa na Catedral, de Mario Vargas Llosa, há
diálogos de uma prostituta com um político. Prostitutas são um elemento recorrente na
obra do escritor peruano. E, como retratou tão bem o episódio histórico de Canudos em A
Guerra do Fim do Mundo, me ponho a pensar como eu faria uma resenha, se ele escrevesse A
Pequenez do Presidente, recorte da nossa crise política atual:
A chamada comercial de mais este golpe do mestre Llosa é instigante. Um jornalista e o
concierge de um hotel do Distrito Federal trocam confidências sobre o que ouvem de
suas mulheres. Uma é cafetina e a outra a sua mais requisitada prostituta. As conversas
se dão no Píer, restaurante da cidade, e revelam segredos do alto escalão do governo
brasileiro no fatídico ano de 2005.
Mesmo o leitor mais desatento irá devorar a narrativa até a última letra,
indiferente à alternância atemporal de fatos, típica de Mario Vargas, que se costuram
uns aos outros até a última linha. Motivação? O jornalista vive com a cafetina Jane,
bem mais velha e arrogante mas que lhe financia o uísque importado, carro novo e roupas
finas. A passividade do jornalista só não é irritante porque ele sabe muito, e conta
tudo para o amigo concierge. Este, por sua vez, descrito como um "monge
afeminado" acaba por salpicar o livro de um despertar da libido selvagem só
comparado aos Sete Minutos de Irving Wallace, se é que livros despertam libido. O concierge
vive com a mais bela prostituta de Jane, Karina.
Repetindo o início de Conversa na Catedral, quando Santiago pergunta a si mesmo
"Aonde foi que o Peru se fodeu?", Llosa faz a mesma indagação para o Brasil,
através de Pedro. Aliás, Santiago também era jornalista. Mas o resto das 505 páginas
de A Pequenez do Presidente são uma verdadeira catarse literária, quase em desespero, e
por isso provocante pois, de toda a sua obra pseudo-auto-biográfica, é aqui que o
peruano parece contar toda a verdade sobre o que viu e ouviu das paredes do poder na
América Latina. Ex-candidato a presidente do Peru, escreve com conhecimento de causa.
Apologista do neo-liberalismo, em voga numa época que colocou de uma só vez Menem e
Collor no poder, perdera as eleições para o futuro corrupto e golpista Fujimoro, que
vencera-lhe nas urnas com um discurso de esquerda para logo em seguida trocar de casaca,
diametralmente. Em A Pequenez do Presidente, Llosa joga de chofre essa cartada e sai
explicando por que, afinal, o Brasil terminou como o Peru.
Formado em filosofia e literatura e nascido na alta burguesia, Llosa sabe como ninguém
como as coisas acontecem em grande estilo, na corte, no jet set e coisa e tal. Mas
falta-lhe estofo do corriqueiro, não sentiu o cheiro do berço da malandragem e das ruas,
especialmente do Brasil, e busca socorro na ficção dos dois personagens centrais. Mais,
ao contrário do que possa parecer, também não entende muito do que habita no recôndito
ventre maltratado da consciência e memória das prostitutas, ninguém de fato sabe, por
isso inventa tudo. Mas inventa bem, e entretém o leitor menos acanhado quando esmera-se
na descrição das "coxas fornidas de Karina", chegando ao exagero de colocar na
boca do concierge: "quando Karina vem de madrugada, depois de trepar com não
sei quantos homens, suas coxas ainda estão quentes e parecem cobertas de uma oleosidade
macia de puta". Vamos ver se o leitor aguenta, prossegue a fala do concierge
para Pedro: "parece uma tara, ela me acorda pra transar e fica repetindo tudo o que
ouviu de seus clientes. É assim que ela chega ao orgasmo".
A embriaguez é outra repetição dos textos bem trabalhados de Llosa. E uísque,
charutos, ternos de linho, pulseiras de ouro, suor, meias de arrastão, malas de dinheiro
e dissimulação, tudo comum em qualquer república latina. No Brasil de "A
Pequenez" ele concentra bastante disso em carros oficiais novíssimos, deslizando
pelas largas avenidas do plano piloto, entrando misteriosos com seus vidros fumês em
jardins das mansões do Lago Sul. Não se esquece das festinhas íntimas onde se fofoca de
tudo, em torno das milhares de piscinas de Brasília. A certa altura desconfia-se que
Vargas viveu em BSB, como dizem os agentes de viagem. Até nisso ele é pertinaz.
Mas o livro ganha força é com as conspirações, traições, jogo do poder, medo,
dúvida, risco, ignorância, sobrevivência, luxúria e a desgraça cotidiana dos pobres,
argamassa de A Pequenez do Presidente. Um romance que conta a história daqueles que,
mesmo decepcionados com um presidente pequeno, mantiveram-se fiéis a ele, pateticamente.
Com a palavra o próprio Vargas Llosa: "Condenados a uma existência que nunca
está à altura de seus sonhos, os seres humanos tiveram que inventar um subterfúgio para
escapar de seu confinamento dentro dos limites do possível: a ficção. Ela lhes permite
viver mais e melhor, ser outros sem deixar de ser o que já são, deslocar-se no espaço e
no tempo sem sair de seu lugar nem de sua hora e viver as mais ousadas aventuras do corpo,
da mente e das paixões, sem perder o juízo ou trair o coração."
***
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Embarque
neste projeto!
Uma aventura cada vez mais necessária!
Conheça este projeto que deu origem ao Instituto Brasil Costal - BRCostal, uma empresa
sem fins lucrativos fundada no apagar das luzes de 2003, que nasceu com 28 sócios
fundadores com planos de se espraiar pelos 8500km de linha costal brasileira. Conheça o BRCostal e embarque neste
projeto, uma aventura cada vez mais necessária!

Dê uma paradinha para conversar
Mídia e Crítica
A gaivota bicou um peixe - Luís
Peazê - Texto utilizado pela Dra. Zélia Adghirni na Oficina de
crítica literária na Feira do Livro
» Moacyr Scliar
A cidade onde os gatos dançavam (e as pessoas morriam) Crônica inédita, da
verve do médico sanitarista apaixonado pela ficção. Os acidentes ecológicos ocorridos por
negligência de empresas privadas e relapso, inaceitável, do poder público, são tão
fatais para o meio ambiente e a vida humana, quanto o risco de estarmos bebendo veneno, ou
escovando os dentes com arsênico sem sabermos. A diferença é que aqueles chocam pelo
visual de fotos como a do recente acidente na costa espanhola. O médico sanitarista e
renomado escritor Moacyr Scliar, através de seu imaginário fantástico,
acende uma luz dentro das nossas mentes com um caso real.
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