logo loja do peaze tijolinho grande.jpg (29266 bytes)

lp.jpg (2952 bytes)
homepage do autor

 

Gostaria de receber a sua newsletter!
e-mail


 

capa_cronico_3_1a.jpg (21065 bytes)
Crônico
- uma aventura diária -
Nas Esquinas do Rio

alvidiaamazonpequena.jpg (21459 bytes)
Alvídia - Um Horizonte a Mais
ISBN 85-88053-01-2
Stylita Ed. 352 pgs.

Capa_do_ELO.jpg (53574 bytes)
O Elo Perdido da Medicina
Imago Editora (2007)
Co-autoria Luís Peazê e
Dr. Eduardo Almeida, PhD

ISBN 978-86-312-1017-8

opunhal.gif (8294 bytes)
O Punhal de Pedra
ISBN 85-85696-43-5
Quartet Editora, 193pgs
Edição numerada (esgotada)

PQSDcapa.jpg (15254 bytes)
Por Quem os Sinos Dobram
Ernest Hemingway
Tradução de
Luís Peazê

capasimposio.jpg (28184 bytes)
O 1 Simpósio do Semblante Nacional
ISBN 85-88053-02-0
Quartet e Stylita 80 pgs.

 

Download
A economia
da cadeia produtiva do livro

Fábio de Sá Earp e Goerge Kornis

 

Crônico de Natal, 2008

Por Luís Peazê

A quem competir possa: poucas idéias sobre a Terra têm unanimidade entre os homens como a idéia do Natal. Embora sejam muitas as interpretações da história da sua origem. É inegável que o Natal se resume em desarmar o espírito, aproximar-se do outro, fraternidade. Um novelo interminável e uma coberta infinita a tecer envolvem as pessoas na sua celebração.

A pura e simples idéia de celebrar o nascimento de Jesus Cristo é forte, todavia paire como pano de fundo, feito o quadro da Santa Ceia pendurado na parede, dissolvido na paisagem cotidiana até mesmo dos mais crédulos.

Em certos países, católicos, por exemplo, a importância do Natal é maior do que a mãe na vida dos seus cidadãos, posto que prisioneiros recebem indulto temporário, para desfrutarem a noite de Natal com suas famílias. Até os mais tisnados pela fogueira das vaidades vestem-se com sorrisos néveos, pelo menos na hora de entregar o presente de amigo oculto... Mesmo nos lugares onde a religião é outra, há tréguas similares, o que mostra que a idéia de Natal, seja ela qual for, está dentro de todos.

A chama de Natal é realmente contagiante. Não há como escapar. Os tons e imagens simbólicas combinam-se num cerco infalível ao coração de qualquer pessoa.

Como não afeiçoar-se a um velhinho sorridente dando a uma criança o presente sonhado o ano inteiro? Como não derreter-se por uma atmosfera de bondade, quando atingem nosso peito o badalar dos sinos anunciando o Natal, das igrejas às calçadas e aos shopping centers? Como não largar as armas da batalha diária ao ouvirmos John Lennon cantar: “so this is Christmas/Então, é Natal”? Como não refletir profundamente com a poesia de Drummond, nos avisando que fazemos tudo errado, parando o mundo apenas por um dia, para celebrar o Natal? Como não ser impelido a multiplicar os votos de Feliz Natal, dos mais simplórios aos mais criativos na forma de desejar o óbvio?

A explicação, desconfio, deve ser um enorme cabo de guerra, entre o bem e o mal. Pois, se é certo que o homem vive em permanente contradição, nas suas crenças, princípios, valores, comportamento e atitudes em relação a tudo na vida, é certo também acreditar que o Natal seja uma avenida de mão dupla ao redor de um enorme novelo fraternal. Enquanto uns o enrolam para um lado, outros o fazem para o lado contrário, criando o enredo “é dando que se recebe”, e alimentando com voracidade a terrível fornalha comercial.

Que o bem seja competente, que vença o mais competente.

Feliz Natal para todos nós, agora e sempre.


Madeira: assim como a água e o CO2, o ouro do futuro
Apagão florestal, sustentabilidade e a fogueira das vaidades.

 Por Luís Peazê

Ratifico o mote de artigo recente de um colunista de economia (seu nome omitido, omitida também, desta forma, a inclinação política do artigo): o Brasil não está preparado para dar certo, nem para dar mais errado do que já deu. Destrinchando: se, a curto prazo, o Brasil der certo, por exemplo, na indústria naval, restritamente na construção de navios, teria que dar certo numa série de outros vetores produtivos e sócio-econômicos que eu talvez seja incapaz de listar. Vejamos alguns, apenas para verificar a complexidade da demanda, e constatar que, pela complexidade do que tem dado errado no Brasil, o imbróglio é indissolúvel: 

Dar certo na construção naval, a curto prazo, é viabilizá-la financeiramente, é corresponder à demanda de aumento da nossa frota de navios, de cabotagem e de longo curso, é ser capaz de construir no mínimo 20 navios dentro de cinco anos, graneleiros, de carga líquida, petroleiros, e de outras utilizações; dar certo nesse setor do qual pouco se fala, do qual pouca gente tem conhecimento, é ser capaz de formar, à taxa de milhares por ano, técnicos de inumeráveis profissões, é ser capaz de profissionalizar instantaneamente pequenas indústrias e prestadores de serviços diversos, e põe diversos nisso; é ser capaz de produzir peças, equipamentos, ferramentas e materiais em uma infinidade de áreas de produção; depois disso tudo, dar certo na indústria naval, a curto prazo, é ser capaz de dragar todos os nossos portos, de acordo com as regulamentações internacionais e órgãos internos de meio ambiente, é ser capaz de otimizar os portos, segundos as recomendações da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e nossas leis federais do trabalho e ambientais (quanto ao manejo de áreas costeiras, portos e rios); por fim, sem esgotar o assunto, é ser capaz de garantir uma malha rodoviária, ferroviária e pluvial de escoamento dos produtos que trafegarão na mão dupla de e para os navios. Não é por acaso que o primeiro problema a solucionar é a viabilização financeira. Pois, quem irá investir dinheiro num ninho de problemas tão grande? Não é por acaso, também, que a atual frota naval que transporta produtos nacionais e nossas importações é toda estrangeira. Até as nossas plataformas de petróleo são em grande parte produzidas por empreiteiros de outros países, porque somos incapazes de fazer nós mesmos as nossas coisas, porque não estamos preparados para dar certo. Em outras áreas produtivas a situação é semelhante, por conta da mesma causa, por não sermos capazes.

Enquanto isso, um efeito cascata cria situações sórdidas para a nossa economia, para a melhoria da qualidade de vida de nós mesmos, indo direto ao ponto mais nevrálgico e importante aqui: há navios de bandeira de conveniência do Caribe, cujo armador é sediado na Grécia, e cuja empresa de navegação é do Oriente Médio, que trazem suas cargas para cá, as descarregam no sudeste e sul de nosso extenso litoral, e, na falta de carga para a viagem de retorno, sobem nossa costa para colherem gratuitamente água potável de nossos rios amazônicos. Água, para quem não lembra, é o ouro branco, é o produto de maior valor no mundo atualmente, é o produto que talvez tenha maior potencialidade de retorno financeiro a médio longo prazo, é o que no Oriente Médio inexiste na mesma proporção que existe o ouro negro por aquelas bandas.

A amazônia, diga-se de passagem, com toda a sua decantada complexidade e legiões planetárias de defensores e defloradores, tem sido o berço de pendengas sanguinárias com relação a inúmeras áreas de interesse sócio-econômico para o futuro imediato que dependem de um Brasil que dê certo, e que esteja preparado para dar certo. Tomemos a madeira, como exemplo mais visível na amazônia, e perguntemos a nós mesmos o seguinte: como é possível haver naquela região um grupo de empresas multinacionais, associadas a um conceito de produtores florestais certificados (segundo padrões internacionais de exigência ambiental), terem projetos multibilionários embargados, arrastando-se nos escritórios governamentais, enquanto o IBAMA trava disputa com órgãos florestais do governo federal, enquanto a Pastoral da Terra faz queda de braço com o INCRA na defesa de interesses de populações ribeirinhas, enquanto ninguém se entende, enquanto exploradores ilegais de terra e madeira continuam queimando e derrubando matas do tamanho de um país da Europa, da noite para o dia? Como é possível o Japão ter o dobro do Brasil de área de floresta plantada (10 milhões de hectares japoneses contra 5 milhões brasileiros)? No meio madeireiro já se fala em “apagão da madeira”, pelo menos é fato a necessidade atual do Brasil importar madeira para móveis e a construção civil. Enquanto madeiras nobres reflorestadas, como o guarandi, entre outras, a primeira madeira brasileira protegida por decreto imperial, que substitui espécies em extinsão, como o mogno, permanecem escondidas pelo desinteresse da mídia.

Se na época do milagre brasileiro (anos 1970), dos incentivos dos governos militares para o reflorestamento, houve uma alavancada da indústria da celulose e do papel, que provocou o empobrecimento de extensas áreas, pela produção massiva de eucaliptos e pinus, hoje, com a cultura diversificada de florestas plantadas, pode haver uma alavancada semelhante em várias indústrias, sem necessariamente haver empobrecimento de terras. Mas é preciso o Brasil estar preparado para dar certo.

A água em abundância nós temos, o ouro do futuro, e a estamos esbanjando irresponsavelmente a ponto de ser iminente, e tardio, o nosso arrependimento; a madeira, contudo, não a temos mais em abundância, como no passado recente, mas estão aí as iniciativas inteligentes. De uma coisa se tem conhecimento hoje, a madeira é, ao lado da água e do CO2, o ouro do futuro, uma combinação óbvia de elementos naturais e de sustentabilidade. O resto é uma enorme e irremediável fogueira de vaidades.



Tarifa Livro. O que é isso?

Após lançar a campanha pela tarifa especial reduzida de envio de livros pelos Correios fui questionado de diversas maneiras. A pergunta mais interessante que me fizeram... Leia mais >>>


Falta pouco para nunca mais lermos jornais do mesmo jeito
O jornal online mudou alguma coisa na imprensa? Procurei um especialista em Internet para especular sobre um certo traço Leia mais>>>

 

imagem_web_1.jpg (109094 bytes)
Compre um Dinghy Peazê
Elegância no jeito de viver o ambiente nautico. No rio, no lago ou no mar. A remo, a vela, a motor..
 

 

brcostal.jpg (124825 bytes)

Conheça o Instituto Brasil Costal - BRCostal

 

logoconversamarinharia.jpg (15306 bytes)
Dê uma paradinha para conversar


ohmynewsspeakup.jpg (15940 bytes)

Leia artigos em inglês de Luís Peazê publicados no OhmyNews INTERNATIONAL

Brazilian Campaign: Special Mail Rate for Books
It is not fair to pay more for the mail than for the book - Strange enough is that, after knowing the well known certifiers, the major bookstore chain called Siciliano (any relation with the Godfather film about Mafia is a mere coincidence) Read more at>>>

OhmyNews Citizen Photojournalists!
Tell a story worth more than a thousand words
Sooner than you probably realize you will find that you are reporting what the big media players can't access, or don't want to look at. And this is the revolution...

Futility of the War on Drugs
Brazil´s new law: Criminalization punishes abuse rather than dealing with its causes...
Bush wins drug war against Lula
The new law also puts drug policies under a system of justice called SISNAD -- Sistema Nacional de Politicas Publicas sobre Drogas (National System of Public..

Journalism´s Big Brother
how much, how many, how often you read news...

High land, coastal zone, high seas
a dangerous intersection between environment and humans...

 

 

prnewslogo.gif (2771 bytes)


Sécurité! Sécurité! Sécurité! Traduções de notícias do estrangeiro soçobrando!

 

O que você faria, se ouvisse no meio de uma metrópole uma voz apreensiva sussurrando, no seu ouvido, a chamada do título? Se for um cidadão de qualquer profissão exceto do jornalismo, pensará que está ficando louco, ouvindo vozes do além. Mas um jornalista entraria em estado de alerta; em seguida iria querer saber de onde exatamente está vindo; daí em diante é a rotina de apurar, apurar, apurar e, às vezes, traduzir corretamente antes de publicar a notícia.

 

Recentemente fui pego como um cidadão comum pela notícia de que Mike Tyson envolveu-se em confusão numa boate de São Paulo, e li a matéria. Andava meio nocauteado de tanta notícia incerta sobre quem seria indicado para punição na CPI do mensalão, e fiz um desvio para, como dizem os americanos, “limpar o sistema” (em português talvez fosse melhor traduzir “clean the system” para “zerar a paisagem mental”, mas, pensando melhor, às vezes a coisa envolve zerar-se espiritualmente (com uma notícia sobre Mike Tyson?), deixemos como está). Pois o que aconteceu foi eu ser nocauteado de vez, literalmente – pela tradução das respostas do famoso e bizarro boxeador.

 

Você diria, muito circunlóquio, não fui direto ao ponto. Paciência, trabalhar com tradução é assim, parece que vai ser fácil, mas nunca é. Contudo, é instigante, e vamos direto ao ponto, o espaço aqui é pequeno, como nas redações, onde a pressa é um vício da notícia:

 

Após ler várias frases entre aspas, traduções de respostas de Tyson ao repórter, desconfiei que havia sérios problemas de interpretação do tradutor. Ao final não tive dúvidas dos danos na e da notícia. Deduzi que a causa fora a pressa do redator ou a sua falta de experiência, injustificável em qualquer dos casos, mesmo que repórter, tradutor e redator tenham sido a mesma pessoa, ou não. A partir daí farejei uma notícia subjacente, ouvi um sussurro e fui investigar. E a notícia é: as traduções de notícias estrangeiras e de entrevistas com personalidades internacionais estão com sérias avarias, soçobrando em alto mar.

 

Bem ao final da entrevista com Tyson o repórter coloca entre aspas uma de suas respostas, assim: “tudo o que eu quero é ser deixado sozinho”. Dois parágrafos acima, Tyson havia revelado que após o seu declínio no Box, sentia-se abandonado, logo conclui que a frase traduzida, com problemas, teria sido “all I want is to be left alone”. A nossa língua também quer ficar em paz, ela não precisa levar tantos socos assim. Problemas como esse soçobravam ao longo de toda a matéria, que contou com um colaborador, dois jornalistas, e sabe-se lá quantos mais a leram antes de ir para as páginas (impressas e digitais) do jornal.

 

Minha pesquisa na Internet e em jornais impressos prosseguiu, tendo prospectado uma fábula de lixo perigoso, tanto na superfície dos textos traduzidos, de notícias reproduzidas de agências internacionais, quanto em suas profundezas. A última notícia, traduzida da Associated Press, que provocou este aviso de acidente no mar da informação jornalística, foi a de um australiano e de um neozelandês náufragos, encontrados à deriva num bote salva-vidas no 11o, digo, 12o dia.

 

A manchete anunciava um dia a menos de deriva, até aí tudo bem. Mas logo no primeiro parágrafo uma frase soou como um direto no queixo. Os homens estariam trazendo um motor de iate de 60 pés para um cliente de Sydney, Austrália. Ora, o texto abria com a localização da notícia em Hanói, Vietnam, como poderiam estar “trazendo” algo? Certamente eles estavam levando, assim como a gramática e a mente do leitor estiveram levando uma surra. Mas o pior estava para vir. Investiguei no texto original de AP e de outros veículos chineses e australianos (graças à Internet) e descobri que os pobres náufragos levavam um “motor yacht”, que é um tipo de veleiro equipado com um possante motor, podendo fazer longas viagens sem utilizar as velas. Descrição irrelevante para o leitor em português, pois, quem é do ramo se refere a “motor yacht” assim mesmo, e tanto faz, continua sendo veleiro. Grande. A propósito, tinha 20 metros, portanto, 6 pés a mais do que o noticiado. Quem é do mundo dos barcos sabe quanta diferença isso faz.

 

Bem, o texto era um acidente atrás do outro. A frase ao final, sem edição, sem copy desk, e com muita pressa ou pouca atenção, dispensa comentários: “Nos aconchegávamos juntos um ao outro como dois bebês para nos mantermos aquecidos durante a noite”. Durma-se com um barulho desses!

 

Entre a matéria do Tyson e esse naufrágio, encontrei muitas outras semelhantes, isto é, com problemas graves de tradução. Não cito nomes porque não se trata de um patrulhamento gratuito, nem pensar. Mas de um chamado de “distress”, um alerta de problemas no horizonte, um apelo para que um salvamento seja posto em curso, bens e vidas podem ser salvos. Por falar nisso, pelo código de comunicação náutica, as expressões Sécurité! Sécurité! Sécurité! May Day! May Day! May Day! Help! Help! Help! S.O.S não querem dizer exatamente a mesma coisa.

 

O aviso se justifica porque uma dessas expressões utilizada na ocorrência errada pode causar pânico, ou socorro tardio, e, no caso das traduções de notícias, é tão fácil resolver, não há necessidade de danos maiores.

 

Conversando com cientistas da oceanografia tenho ouvido freqüentes reclamações quanto a péssimas traduções, assim como de descrições impróprias em textos jornalísticos sobre eventos científicos em geral. Isso não deixa de ser um problema de tradução, interpretação. Assim, o público está recebendo desinformação, é aí que está o problema. Por isso, caros colegas (repórteres, chefes de redação, diretores e donos de veículos), já que a Internet, os editores de texto, os dicionários temáticos e de expressões idiomáticas on-line facilitaram tanto a vida da gente, não custa investir um pouquinho mais de atenção na hora de traduzir e interpretar, pelo menos.

 

Atenção, revisores de plantão: este texto foi escrito, propositalmente com pressa, em exatos 40 minutos, com base no repertório memorizado, portanto, mãos à obra.


 

Copyright © 2002/2008 Clínica Literária Consultoria, Editora e Agência de Notícias Ltda.
Termos e condições de uso - Política de reciprocidade - Correções - Contato