João Doria Júnior já entrevistou quase mil personalidades de êxito, nas mais
diversas áreas. Do piloto Ayrton Senna ao empresário americano Malcolm Forbers, do
ex-secretário do governo americano Henry Kissinger ao presidente Fernando Henrique
Cardoso, João Doria Júnior teve diante de si pessoas que souberam aproveitar as chances
que surgiram na vida.
De férias (curtas) em Paris, durante o carnaval,
respondeu cinco perguntas da Clínica Literária, inaugurando a coluna Book-Business que
enfocará personalidades de sucesso no mundo empresarial, é claro, para falar sobre
literatura, livros, leitura e mercado editorial.
JDJ declinou elegantemente da pergunta que lhe foi feita
sobre os nós que estrangulam o mercado editorial, mas gastou nove tiros da artilharia que
recomenda em seu livro Sucesso com Estilo, (Ed. Gente) onde sugere 15
estratégias para atingir o sucesso: acreditar em seu projeto, ter disciplina, ousadia, serenidade,
ética, ser justo, ter uma boa equipe, educar
pelo exemplo, ser generoso, cultivar os amigos,
ter apresentação pessoal, e ter prazer em fazer bem feito.
JDJ está entre as personalidades da mídia brasileira
que provocam reação nas pessoas. Meu feeling é que a maioria sente inveja, no
bom sentido, e gostaria de ter alcançado o mesmo sucesso que ele. João Dória Jr. é
jornalista e publicitário. Nasceu em São Paulo, em 16 de dezembro de 1957. Começou a
trabalhar aos 13 anos na agência de publicidade Standard, Ogilvy. Aos 18 anos foi nomeado
diretor da extinta Rede Tupi. Entre 1979 e 1982 atuou como diretor de promoções e
cominucações da Rede Bandeirantes. Foi professor de Marketing na FAAP, em São Paulo.
Foi presidente da PAULISTUR, na gestão de Mário Covas.
Aos 26 anos foi nomeado presidente da EMBRATUR. Ministrou palestras sobre marketing e
turismo na Espanha, Itália, Alemanha, Estados Unidos, México, Argentina, Uruguai e
Paraguai.
Socialmente desenvolve trabalhos como membro do Conselho Diretor do ISO - Instituto
Solidariedade, que assiste a crianças com câncer, deficientes físicas e aidéticas. É
fundador da AME CAMPOS - Associação dos Amigos de Campos do Jordão, conselheiro da Fundação S.O.S. MATA
ATLÂNTICA e presidente da AMEM - Associação do Menor pelo Esporte Maior,
uma ONG que ajuda a educar e dar condições de vida a crianças carentes.
Mostrei a ele um quadro clínico. Os nós do mercado
editorial, embora a maioria dos profissionais do livro afirme que o maior seja o da
"distribuição", são os seguintes, e alimentam um mesmo círculo vicioso:
baixo índice de hábito de leitura (2,5 livros por habitante/ano), embutido
aí o problema do analfabetismo, baixo nível de escolaridade e do analfabetismo
cultural; tiragens pequenas (causa e efeito) redundando em preço de capa alto (outra
causa e efeito); a partir daqui aceleram-se problemas e fenômenos naturais que concorrem
para arrocharem aqueles nós, tais como a ineficácia das políticas governamentais
de incentivo ao hábito de leitura e o fato de outras atividades sociais serem de
imediato mais atrativas do que o hábito de ler (praia, esporte, entretenimentos diversos
comumente empobrecedores do intelecto, ou na melhor das hipóteses, estimuladores dos
sentidos antes de estimularem o intelecto, mas isso é outra história).
Sem esgotar este terreno nodoso, e cansar-lhe nas
férias em Paris (depois de ler este e-mail talvez tenha evitado a margem do Sena, onde
há aquele sebo imperdível ao ar livre), os aspectos positivos para se explorar são
inúmeros, a começar pela nossa tecnologia gráfica e editorial,
pela nossa riqueza cultural e de criadores de literatura. Acima de tudo, ler
faz bem e pode-se falar horas, ou ler milhões de páginas a respeito, mas aí já
entramos na entevista:
- João Dória, o que você está lendo no momento?
Ou melhor, você tem o hábito de manter um livro à cabeceira da cama? Qual é o seu
truque pessoal para driblar a falta de tempo para leitura?
- Sobre o mercado de livros, se você fosse começar
hoje como escritor, qual seria o seu guide line?
- O que você recomendaria aos profissionais
do livro para desfazerem àqueles nós?
Assim mesmo, perguntei tudo de uma só vez. O leitor da
Clínica Literária já sabe que o método aqui não é convencional.
Com a mesma objetividade com que faz recomendações a
novos empreendedores, consumidores e caçadores de empregos, em seu programa Show Business, João Dória Jr. respondeu o seguinte:
"
Estou
relendo o livro "Chatô o Rei do Brasil". A obra merece releitura, pelas
características do livro e a analogia com os dias de hoje, na relação
poder/mídia/dinheiro/política;
Não tenho livro de cabeceira. Tenho jornais de
cabeceira: O Estado de SP, Folha de SP, Gazeta Mercantil e Valor Econômico;
Se você quiser, encontra tempo para ler. O segredo é
ler um pouco, todo dia;
Não acompanho o mercado de livros. Já escrevi dois:
"Sucesso com Estilo" e "Lições para Vencer". Não me preocupei com o
mercado e sim em transmitir meus sentimentos e as lições que pude absorver ao longo da
minha vida profissional;
Não faria nenhuma recomendação especial aos
profissionais do livro. Apenas enfatizaria a importância de escrever com emoção e
verdade."
Bem, se ele apenas enfatiza este belo e modesto conselho, nada
mais justo do que destacar as suas próprias "Lições para Vencer" . E
mais que isso: criá-las. Conversar com vencedores sempre foi uma de suas grandes
especialidades. Por esta razão, João está duplamente credenciado a discutir o tema
central deste livro. Primeiro, porque ouviu, em detalhes, como os outros fizeram para
chegar ao sucesso. Segundo, porque ele mesmo fez seu caminho. Um livro como este não
poderia ser apenas um conjunto de técnicas. Vai muito além. Fala de pessoas, destinos,
até de aventuras. Tudo isso tem um lado imponderável. E é nesse campo do improvável
que surge a oportunidade de se dar um salto de qualidade na vida profissional. Aqui você
saberá como uma pessoa deve se manter alerta para poder aproveitar o seu potencial no
momento certo. Tendo por base as histórias de quem deu certo, este livro será um guia
para você também se colocar - à sua maneira - na estrada que conduz ao êxito.
E, se João Dória não tem livros de cabeceira,
sua cabeça não deixa de transportá-los permanentemente. Ao fundar a Associação de
Amigos de Campos do Jordão, preocupou-se em incluir no seu quadro diretivo comissões de
educação ambiental e de assistência social, e entregou ao nosso conhecido, e querido,
Ignácio de Loyola Brandão, a tarefa para esrever AME
CAMPOS (DBA Editora), livro sobre Campos do
Jordão, viabilizado junto à TELESP Celular para garantir uma impecável publicação de
arte fotográfica, leia-se Tuca Reinés.
Obrigado, João.
