Head_banner_cloud_2_english_nuvem.JPG (229117 bytes)

 

ÁGUA NO CORAÇÃO

Tom Jobim
letra e história de

Águas de Março

Guilherme Arantes
letra e música de

Planeta Água

Alvídia, Um Horizonte a Mais

 

ÁGUA NO BRASIL

Legislação>>>
Eventos>>>
Educação>>>

 

ÁGUA NO MUNDO

Links Nacionais>>>
Links Internacionais>>>

prnewslogo.gif (2771 bytes)
 

rosa.gif (26537 bytes)

Guilherme Arantes
Instituto Planeta Água

 

Planeta Água

Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre o profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua
Na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população
Águas que caem das pedras
No véu das cascatas ronco de trovão
E depois dormem tranquilas
No leito dos lagos, no leito dos lagos
Água dos igarapés onde Iara mãe d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão
Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes são lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra, pro fundo da terra
Terra planeta água... terra planeta água
Terra planeta água.
 
Ficha Técnica:
Produzido por Fernando Adour / Arranjo e regência: Eduardo Souto neto / Direção artística: Guti / Capa: Ruth Freihof / Foto: Paulo Vasconcelos.


"Águas de Março"

Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho

É um resto de toco, é um pouco sozinho

É um caco de vidro, é a vida, é o sol

É a noite, é a morte, é o laço é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira

Caingá, candeia, é o Matita Pereira

 

 

É madeira de vento, tombo da ribanceira

É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira

É a viga, é o vão, festa da cumieeira

É a chuva chovendo, é conversa ribeira

Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira

Passarinho na mão, pedra de atiradeira

 

Uma ave no céu, uma ave no chão

É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho

No rosto o desgosto, é um pouco sozinho

 

É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto

É um pingo pingando, é uma conta, é um conto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando

 

É a luz da manhã, é o tijolo chegando

É a lenha, é o dia, é o fim da picada

É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama

É o carro enguiçado, é a lama, é a lama

 

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã

É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração

 

É uma cobra, é um pau, é João, é José

É um espinho na mão, é um corte no pé

São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho

É um resto de toco, é um pouco sozinho

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã

É um belo horizonte, é uma febre terçã

 

São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração

 

Composição de Tom Jobim, 1972.


 
História:

Em diferentes depoimentos, Tom Jobim narrou em que situação a canção, "Águas de Março", foi composta. Ele estava no sítio, Estado do Rio, numa casinha provisória, na beira do caminho, apelidada de "barraco 2", enquanto construía uma maior, no alto do morro. Havia comprado madeiras de lei, vigas imensas descarregadas por caminhões, deitadas ao relento, ao lado de pedras e tijolos, num terreno enlameado.

   Exaurido de tanto trabalhar em "Matita Perê", quando sua mulher foi se deitar, começou a cantarolar: "É pau, é pedra, é o fim do caminho". Da cama, ele comentou que o tema era lindo. Então, ele pediu lápis e papel. Arranjou um papel de embrulhar pão, no qual o compositor rabiscou a letra "Águas de Março".

   "Águas de Março" (1972) está para Tom Jobim como "Construção" (1971) para Chico Buarque. Ambos compõe em cima dos ritmos do Campo e da cidade, demonstrando um alto grau de maturidade no trato com as palavras, atingindo um patamar raramente alcançado por seus contemporâneos. Antonio Carlos Jobim tinha 45 anos de idade quando compôs "Águas de Março".

 

Copyright © 2002/2010 Clínica Literária Consultoria, Planejamento, Editora e Notícias Ltda.
Termos e condições de uso - Política de reciprocidade - Correções - Contato