A
idéia inicial foi fazer um cruzeiro
exploratório pela costa brasileira, o segundo
impulso foi observar o aspecto ecológico,
e automaticamente surgiu a vontade para dedicar tempo e energia
à causa ambiental das águas costeiras, através
do apelo de expressões culturais,
pelo prazer de viver no mar contribuindo para o social, para o
coletivo
Desde a Conferência
das Nações Unidas, em Estocolmo,
1972, quando o
meio ambiente foi incluído na agenda internacional, e vinte
anos à frente, na ECO-92,
no Rio de Janeiro,
quando eclodiu a consciência e disposição
das instituições governamentais para a perspectiva
agravante da ecologia global – aquecimento ascendente da
Terra, os buracos
na camada de ozônio, os desmatamentos das reservas florestais,
a extinção de espécies da fauna silvestre,
a poluição nas grandes cidades, a precariedade do
saneamento básico nos países pobres, a necessidade
de manejo, uso apropriado e risco de escassez da água potável,
o assoreamento de rios, lagoas e baías, e por conseguinte
o empobrecimento das bacias hidrográficas, incluindo os
lençóis freáticos,
os aqüíferos e suas recargas, o empobrecimento das
terras de zonas rurais pelo tipo de irrigação (e
desperdício de água)
nem sempre adequado, e pelo uso agressivo de agrotóxicos
e sua contaminação das águas de superfície
e subterrâneas, mais recentemente pela inserção
em escala da produção dos
transgênicos, e, com respeito às
águas costeiras, o problema da introdução
de espécies patógenas em ecossistemas estranhos
pelas águas de lastro dos
navios cargueiros, tudo isso interferindo de maneira
dramática na cadeia alimentar, e consequentemente no equilíbrio
ecológico e na saúde dos seres vivos, animais, vegetais
e seres humanos –, desde então, esses problemas não
foram solucionados, em muitos casos sendo agravados, embora o
patrocínio de programas e políticas
de desenvolvimento sustentável, no âmbito da esfera
pública e privada, venha crescendo ano após ano.
No entanto, a explosão
demográfica tem sido um dos alimentadores
daquele status quo, não só pela demanda de mais
energia, alimentos e produção de bens de consumo,
mas seguramente pela falta de informação disseminada
de forma massiva, para todas as classes sociais, com respeito
aos recursos e alternativas
coerentes com a filosofia de sustentabilidade que parece ser a
única opção para a garantia de qualidade
de vida sobre a Terra, para os próximo
séculos, pelo menos.
O
trinômio "ecologia, capital e cultura", título
de uma coletânea de artigos de Enrique Leff publicados em
livro, sugere que é a abordagem cultural é um terreno
permeável à implantação da mentalidade
de sustentabilidade. Leff afirma que "o desenvolvimento progressivo
das forças produtivas (e destrutivas), guiado pelo objetivo
de maximizar os lucros nas economias capitalistas e os excedentes
nas economias socialistas, gerou, junto com o incremento da produção
e do consumo, uma destruição sem precedentes dos
recursos naturais, desencadeando desequilíbrios ecológicos
em escala planetária e processos de degradação
ambiental que ameaçam o desenvolvimento sustentável
e eqüitativo da Humanidade. (...) A partir das raízes
da Terra e das bases da sociedade, surge a reclamação
popular pela participação na tomada de decisões
e na gestão direta de suas condições de existência
(...) o princípio de self-reliance."
Impacto
Social