|
EXCLUSIVA COM DR. PETER AGRE PRÊMIO NOBEL DE
QUÍMICA 2003
A ORIGEM DA VIDA E OS POROS DE ÁGUA - Prêmio Nobel de Química ilumina o
diagnóstico, mas a terapêutica terá que esperar
A indústria de remédios continuará produzindo medicamentos com
as mesmas fórmulas vigentes, isto é, a terapêutica não mudará nada de imediato, mas,
em entrevista exclusiva à agência Clínica Literária nesta Quinta-feira 16, o Dr. Peter
Agre, pesquisador americano da Universidade John Hopkins, USA, um dos escolhidos pela Real
Academia de Ciência da Suécia para ganhar o Prêmio Nobel de Química de 2003 revela
otimismo em relação ao diagnóstico de doenças genéticas, principalmente, a partir da
descoberta que lhe conferiu o maior prêmio em dinheiro e prestígio internacional (US$1,5
milhão) as aquaporinas, poros de água que transportam proteínas para as
células.
O Prêmio Nobel de Química 2003 foi anunciado para o mundo
neste dia 8 de outubro último e foi dividido com o Dr. Roderick MacKinnon que determinou
a estrutura tridimensional dos canais da membrana celular que controlam a passagem de
sais, fundamental para a transmissão de sinais elétricos diretos às células dos nervos
e dos músculos em outros termos, canais de íon de potássio. Estas descobertas
abrem uma avenida entre a estrutura atômica e a medicina clínica e esta é a sensação
do início de milênio na comunidade científica não só médica como também nas áreas
que lidam com a fauna e a flora. No caso das aquaporinas, do Dr. Peter Agre, os
"canais protéicos" que regulam e facilitam o transporte de moléculas de água
através das membranas celulares, é um processo essencial para todos os organismos vivos.
A descoberta dos canais de água, batizados como "poros
de água" ou proteínas aquaporinas, marca a época de ouro dos estudos bioquímicos,
fisiológicos e genéticos desses canais protéicos em bactérias, plantas e mamíferos, e
de uma compreensão fundamental - em nível molecular - da associação do mau
funcionamento dos canais a muitas doenças renais, do sistema músculo-esquelético e de
outros órgãos. Os cientistas procuram, a partir desse conhecimento básico, drogas que
têm como alvo específico os defeitos nos canais de água.
Daí para à prática, isto é, à terapêutica, se mostrando
otimista com relação às novas descobertas que a ciência poderá fazer a partir dos
"poros de água", quanto a identificação de mau funcionamento de órgãos como
os rins e o próprio coração, o Dr. Peter Agre revelou, contudo, que de imediato
"não há nada que podemos fazer, que já não vinha sendo feito, no caso de um
sintoma sinalizado pela disfunção de uma aquaporina", diz ele. Perguntado sobre a
qualidade de água que permeia o nosso terreno biológico, comentou que mais do que nunca
a atenção mundial deve voltar-se definitivamente para a qualidade da água que ingerimos
ou que utilizamos na agropecuária, as águas subterrâneas e de superfície, demonstrando
estar preocupado com os problemas que o mundo enfrenta com relação a água hoje em dia.
Há 1,1 bilhão de pessoas no mundo, 18% não tem acesso a
água potável, 6000 crianças morrem por dia por falta d´água, 70% da água tratada e
servida à sociedade é desperdiçada antes de chegar aos lares e empresas, pela
deficiência e idade (vazamentos) dos encamentos subterrâneos, estes são alguns dados
alarmantes revelados pela ONU.
Tanto o Dr. Marcelo Morales, Professor do Instituto Carlos
Chagas da UFRJ, e Secretário da Sociedade Brasileira de Biofísica, entidade organizadora
do V Congresso Ibero-Americano de Biofísica que aconteceu no Hotel Glória do Rio de
Janeiro entre os dias 12 e 15 últimos, quanto o Dr. Peter Agre, principal conferencista
desse evento, informaram que desconhecem a expressão "água biológica" assim
como a Medicina Integral utilizada pelo Dr. Eduardo Almeida que também foi entrevistado
sobre a questão da terapêutica em relação à questão da qualidade da água.
Segundo o Dr. Eduardo Almeida, diretor do Instituto Artz de
Medicina Integral, Niterói, RJ, a medicina oficial tem rejeitado as terapêuticas
eficazes, e nem sempre recentes, por questões econômico-financeiras, o que favorece a
indústria farmacêutica de drogas sintéticas, e inclusive a ANVISA, Agência Nacional de
Vigilância Sanitária se mantém atrelada a esta cocepção e se recusa a aprovar o
registro de suplementos de base biológica tais como o Plasma de Quinton, que nada mais é
do que a água do mar isotônica (com teor de salinidade apropriado para a espécie em
tratamento). Esta terapêutica foi descoberta por René Quinton (1866-1925) e revolucionou
a maneira de compreender a própria origem da vida e as teorias da evolução. Quintón
baseou-se na hipótese de que "a vida animal, que começou como uma célula no mar,
manteve através de toda a evolução zoológica as células que compõem cada organismo
num ambiente marinho" (O Segredo das Nossas Origens, André Mahé). O Dr. Eduardo
Almeida informou que o Plasma de Quinton é utilizado por notoriedades nacionais, da alta
esfera política de Brasília, por exemplo, e representa uma indústria de milhões de
dólares na Espanha, onde é oficialmente autorizada pelo governo.
Tomando o ponto de vista dos cientistas entrevistados, o
Prêmio Nobel de Química de 2003, Dr. Peter Agre, que possui duas patentes registradas, e
o Dr. Marcelo Morales, que informou que pretende desenvolver no Brasil, num futuro
próximo, uma medicina de correção antecipada de disfunções genéticas, relacionadas
às descobertas dos canais de água e de íons, ou descoberta das micro estruturas
moleculares, depreende-se que a terapêutica oficial e aceita pela comunidade científica
permanecerá conduzida pela força do Capital que proporciona, em países ricos como os
Estados Unidos, pesquisas laboriosas e caras de laborário. Do ponto de vista do Dr.
Eduardo Almeida, de que o campo
da Medicina Integral reposiciona o fator genético em relação ao fenótipo, lido como
processo integrativo em miúdos: o indivíduo expressa apenas parte do seu
potencial genético, e essa expressão se dá, em grande medida, a partir dos seus
processos integrativos, como a alimentação, o estilo de vida, etc o ser humano,
além de interagir no plano biológico e ecológico como todo ser vivo, também o faz nos
planos antropológico-cultural e psico-espiritual. Portanto, a participação dos fatores
genéticos no processo do adoecimento humano seria bastante limitado, diante de
situações fenotípicas (interação) como a poluição ambiental, as alergias, a
dietética imprópria, o fumo, o alcool, as drogas, a violência social e familiar, o
stress, etc.
A pergunta que fica com os poros abertos é: por que o poder
estabelecido que rege a condução da sociedade, representado pela comunidade científica
e órgãos oficiais, entre outros, ignora a aplicação de uma simples ampola de água
marinha, quando ela poderia ser pelo menos conhecida por um renomado cientista, em
função da espera sine die de soluções práticas? Esta pergunta nem um dos
entrevistados soube responder. Leia também "Prêmio Nobel com álcool
saindo pelos poros" no Direto da Redação
Mais
sobre ecologia em Luís Peazê.com/água
»» Heloisa
Buarque de Hollanda
na Clínica Literária antes da Bienal Leia mais »»
|