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ABC
Embarque neste projeto!
Uma aventura cada vez mais necessária!

Instituto Brasil costal - BRCostal
A Clínica Literária inicia 2004 com uma tarefa e tanto: dedicar-se ao projeto Aventura no Brasil Costal - ABC da Difusão da Gestão das Águas Costeiras colaborando com o empreendimento do livro O MAR: EU USO, EU MANEJO, EU USUFRUO.<leia mais>

Conheça este projeto que deu origem ao Instituto Brasil Costal - BRCostal, uma empresa sem fins lucrativos fundada no apagar das luzes de 2003, que nasceu com 28 sócios fundadores com planos de se espraiar pelos 8500km de linha costal brasileira. Conheça o BRCostal e embarque neste projeto, uma aventura cada vez mais necessária!




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»»portal.gif (4255 bytes) 1º Complexo Arquitetônico Educacional, Científico, Artístico-Cultural e Tecnológico da América Latina

»» A cura para o analfabetismo cultural

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Executivo de livros
por R$35,00 a hora

Pelo preço médio de um livro a ESPM oferece o crème de la crème do mercado editorial para que os aspirantes a crème de la crème aprendam o pulo do gato no negócios de livros. E os interessados podem se lambuzar durante dez meses. 2004 promete.

Escola superior de propaganda e marketing, reconhecida como o ninho das cobras desse mercado que, ao lado do mètier das bolsas de valores e torres de controle de tráfego aéreo, é a maior concentração de adrenalina do mundo dos negócios, a ESPM convidou proeminentes profissionais, leia-se patrões de editoras e afins, para ensinar como se faz dinheiro no mundo dos livros. Claro, quando se fala de livros a ladainha é "tudo em prol do estímulo ao hábito de leitura", e essa é outra história. Mas, se você está interessado em passar o resto de sua vida vestindo paletó de tweed com camisa social sem gravata, ou representar a personagem de Meg Ryan em You've Got Mail – nem precisa ler cinco livros por semana, pois são poucos os editores vorazes leitores –, vá em frente, se inscreva no curso da ESPM.

Leia ao final desta nota o que diz o press release da assessoria de imprensa responsável por espalhar a notícia.

No ano passado a Clínica Literária começou uma série de entrevistas com executivos de outros mercados para falar – dar sugestões – do negócio de livros na coluna BookBussiness. E a experiência foi tão interessante que não demos conta da demanda de pacientes na sala de espera, deixando a coluna meio abandonada. Então surge este curso da ESPM na contramão da nossa coluna, mas com o mesmo propósito: convidar bem sucedidos empresários (de livros) para ensinar estratégia na indústria do livro, e oferecer aos alunos ferramentas para avaliar a viabilidade comercial, planejar e coordenar obras e linhas editoriais. Mas não se iluda, eles não lhe darão o pulo do gato. Terá que aprender a pular sozinho, e é aí que está a graça. Ou, no mínimo, pelo preço médio de um livro, poderá comprar a possibilidade de um emprego numa editora.

De qualquer forma, quando se fala em ferramentas no ambiente de empresas de produção ou comércio de bens de consumo, por exemplo, trata-se de metodologias e os mais moderninhos se referem às últimas novidades lidas na Harvard Business Review e citam autores de renome internacional, geralmente especialistas em marketing ou presidentes de conglomerados multinacionais. Não espere ver essas ferramentas no mercado editorial, nele elas simplesmente não entram, custam caro, demandam disposição das equipes para a sua compreensão e aplicação e fundamentalmente custam dinheiro ao serem implementadas. E editora não tem dinheiro (nem tempo) para investir em metodologias, e por algum mistério seus quadros não são afeitos a metodologias de aplicação.

Leia o que a Clínica Literária recebeu por e-mail de um editor de uma grande editora: "...editora é assim mesmo, trabalho braçal, mau humor de estivador, horário rigoroso de fornada de padaria, sustos e mais sustos com balas perdidas. Apaga a imagem de reduto de intelectual, silêncio de biblioteca, falta de pressa de uma preguiça e competência operária de BMW. Pelo menos não aqui na (...). Corro contra o tempo e preciso cumprir a programação. Quando um livro cai na ribanceira, chamo o guincho e mando pra oficina."

Outro editor, de uma pequena editora, ex-engenheiro, no lançamento de um autor conhecido, numa conhecida livraria da zona sul do Rio de Janeiro, apanhava todas as taças de vinho e salgadinhos que passavam pelo seu ponto escolhido no concorrido evento e fazia questão de mostrar um título seu, exposto bem atrás de si, na vitrine, orgulhoso por ter conseguido aquela exposição, e, pelo seu otimismo ele iria "arrebentar" no mercado.

Na semana seguinte ele estava humildemente numa feira de pequenas e médias editoras, num estande padrão, de dois metros quadrados e o tal título dividia tristemente uma pequena estante com sua dezena de títulos disponíveis em "seu catálogo", todos muito bonitinhos, diga-se...

Contudo, a Clínica Literária recomenda fazer a inscrição no curso da ESPM para aperfeiçoamento de executivos de livros. Por R$35,00 a hora vale à pena ouvir o Sérgio Machado, a Lúcia Riff, Luiz Schwarcz, o Paulo Roberto Pires, e outros editores de títulos das listas dos dez mais vendidos dos jornais e descobrir como eles fazem para colocar aquelas pilhas de livros de lançamento na porta das livrarias (e vender para o governo que é o verdadeiro crème de la crème do mercado).

Ao final do curso você terá obtido um enorme checking list e um pot-pourri de boas recomendações, ou uma ferramenta de planejamento digna do nome?

Pague pra ver e tenha em mente esta dose grátis de ânimo da Clínica Literária: o bom só é melhor do que o ruim quando funciona, e tente NÃO perder a ilusão de que existe um glamour palpável no mundo dos livros, do literário pelo menos, você precisará dessa ilusão futuramente, quando um determinado livro estiver indo para a ribanceira... Será a única forma de pensar na edição de um novo título e acreditar que o hábito de leitura per capita vai melhorar.

Promoção: ganha um doce, depois do curso, quem resolver o nó da distribuição e dos descontos concedido às livrarias, numa melhor fórmula da que Monteiro Lobato introduziu no mercado.

SERVIÇO: As inscrições já estão abertas e as primeiras turmas começam em março. As aulas acontecem duas vezes por semana, de 19h às 21h45 e o investimento é de 10 parcelas de R$ 840,00, com desconto para os pagamentos feitos à vista. O processo seletivo inclui análise de currículo e entrevista. Os interessados devem entrar em contato pelo telefone 0800 24 2000.

PRESS RELEASE: A Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) do Rio de Janeiro está lançando o ´Programa de Formação Executiva na Indústria do Livro´, voltado para profissionais que buscam especialização no mercado editorial. O curso tem por objetivo o desenvolvimento de uma visão global e estratégica da indústria do livro, oferecendo aos alunos as ferramentas necessárias para avaliar a viabilidade comercial, planejar e coordenar obras e linhas editoriais. Com duração de 240 horas/aulas, o que corresponde a 10 meses, o curso é dividido em módulos que abordam temas como distribuição – assunto de extrema importância nesse mercado -, preço, produto, publicidade e promoção. O programa tem alguns dos mais renomados profissionais do mercado editorial brasileiro confirmados como palestrantes. Estão entre eles a agente literária Lúcia Riff, que fala sobre "Comercialização de direitos autorais e de reprodução" e o presidente da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, que aborda o tema "O livro como produto". Os participantes assistirão ainda a aulas ministradas por Paulo Roberto Pires, da Editora Planeta e Sérgio Machado, da Editora Record. Além do conhecimento e experiência trazidos por essas pessoas, os alunos darão início à consolidação de um importante networking, que pode levar a trabalhos futuros. `Vale lembrar que o mercado editorial brasileiro possui um extraordinário potencial de crescimento, já que apenas 20% do público leitor potencial são consumidores efetivos. "O Brasil produz livros excelentes, tão bons quanto os melhores do mundo, mas quase sempre para os mesmos 20%. Precisamos de profissionais com visão de negócio que ajudem a expandir o número de consumidores`, explica Maria Isabel Borja, uma das coordenadoras do curso. O aumento das matrículas no segundo grau e o crescimento do acesso de brasileiros às universidades também embazam esse otimismo."

Marcella Azevedo
Resh Comunicação
marcella.azevedo@resh.com.br     
(21) 2132-7633 / 8143-2972


Ninfas do Mar
Embarcações da Petrobras dedicadas ao combate a derramamentos de óleo no mar

Luís Peazê*

As formas mais jovens, até os seus cinco ínstares ninfais, dos percevejos são imperceptíveis no colmo das plantas, entretanto a devastação é iminente. Na fase adulta, com 3 milímetros de comprimento, sugam o pé do arroz, do milho, do amendoim e de outras plantas até deixá-las chochas e finalmente mortas. Pesquisadores da Embrapa estão estudando uma forma de combater esses insetos com a armadilha montada com o cheiro do feromônio que os machos exalam para seduzir a fêmea para o coito, ou o som que seus corpos produzem na hora da transa (aqueles gritinhos). Com isso esperam atrair seus predadores, entre eles a micro-vespa, espiões químico-físicos desses cheiros e sons, que depositam seus ovos dentro da postura (ovos também) dos percevejos, instalando futuros espiões no corpo das ninfas, como são chamados os percevejos na sua fase infante.

Enquanto tudo isso pode estar acontecendo surdamente numa plantação de milhões de hectares de terra, nos 4,2 milhões de quilômetros quadrados de águas oceânicas que banham o Brasil, gigantescas aranhas de ferro plantadas no meio do mar sugam as entranhas do planeta extraindo uma substância negra e viscosa que, se faltar de repente, pode levar o mundo ao colapso e pandemônio. Daí, o nosso dever de olhar com carinho para àqueles gigantes que se arrastam pelos mares transportando petróleo, os navios petroleiros, vistos por ferozes ambientalistas como ameaçadores da vida na Terra. De um certo modo os navios, desde que se descobriu o petróleo, apenas giram o mundo, é o homem o percevejo que suga a seiva vital deste pequeno torrão solto em torno do sol e minúsculo em relação ao universo.

Mas e as ninfas? Ninfas não são, na mitologia grega, as divindades que habitam os rios, fontes, bosques, montes e prados? Ou, mulheres jovens e esbeltas, crisálidas? São, como também assim são chamados os pequenos lábios (da vulva). Ou seja, nem sempre o que se vê é o que é, pelo menos apenas isso.

O poeta Rainer Maria Rilke escreveu uma vez, mais ou menos assim, que enquanto milhões de rosas desabrocham pelo mundo afora guinchando de modo inescutável no meio do silêncio e mistérios da noite, milhões de bebês mergulham para fora de úteros dando início a uma nova fase da vida que iniciaram a um tempo atrás, incontável. Há vinte anos uma empresa multinacional poderia utilizar essa bonita expressão poética para ilustrar um anúncio institucional de TV, e emocionar a audiência, para contar orgulhosamente o número de unidades fabris espalhadas pelo mundo. Hoje em dia já não pode mais. A consciência coletiva com relação à preservação da vida, ou melhor, com relação à qualidade de vida sobre a Terra, chega cada vez mais perto de uma massa crítica implacável, e as empresas ficam cada vez mais eterais, deixando nas mãos dos homens e mulheres que nelas trabalham a responsabilidade de atenderem às verdadeiras necessidades do indivíduo comum. E isto nos põe em direto contato com o conceito de responsabilidade social. A empresa que equilibrar no mesmo plano de importância, a sua finalidade econômica, o lucro, com a de preservação da natureza e da inclusão social terá sucesso, a que desequilibrar de um desses três pilares, afundará, ou ficará chocha, mais cedo ou mais tarde.

A atividade das embarcações dedicadas ao combate a derramamentos de óleo no mar faz parte do plano de contingência da Petrobras. Só para lembrar, diz-se de contingente o plano que é feito para substituir um outro numa eventualidade. No caso, o plano original é extrair e transportar petróleo e para isso a mais alta e diversificada tecnologia (mecânica, física, química, biológica, geológica, elétrica, eletrônica, marinha, oceânica, de gestão, etc), orgulho nacional**, é reunida em torno daqueles três pilares mobilizando dezenas de milhares de empregados, e mais de 175 milhões indiretamente. Em caso de uma ocorrência inevitável, já que nem uma gota d’água nunca cai no mesmo lugar, na mesma velocidade e proporção, o barco Astro Ubarana entra em ação com seus seis homens de macacões azuis, a tripulação responsável por recolher manchas de óleo que navegam na superfície da água do mar, e seus doze tripulantes, de macacões laranjas, que fazem o barco andar a um nó de velocidade, isto é, quase parado. Pois é somente nesta velocidade que é possível se recolher óleo do meio líquido e turbulento pelas ondas do mar. Por isso a introdução longa desse texto. Como no Astro Ubarana, fica-se horas, dias, meses sem uma ação sequer e quando ele é chamado tem que agir instantaneamente.

Para isso o Astro Ubarana parece um tubarão navegando sem parar, nunca pára, fica bordejando de dentro para fora da Baía da Guanabara ininterruptamente, troca de turma a cada período de 35 dias, e, como é inimaginável ter-se infinitamente um plano de contingência para o plano de contingência, a equipe do Astro Ubarana não pode falhar quando é acionada. Assim, treina incessantemente. E a tarefa, vista do passadiço do robusto barco de aço, parece simples. Resume-se em colocar lanchas de trabalho na água, de cima do convés, acoplar esteiras verticais que bóiam com uma saia vertical imersa abaixo do filme hipotético de óleo derramado para encurralar o óleo perdido, e um equipamento que parece um enorme percevejo que suga este óleo, os skimmers, para tanques no convés. E ainda treinam a dispersão de óleo em casos em que o remédio é dispersá-lo, ou o uso de absorventes gigantes. Que as feministas radicais não se açodem, é apenas uma forma de enxergar a coisa, pois afinal tudo sai ricamente das entranhas da Terra e não há razão para pudicísmo, tenhamos olhos para a beleza em tudo, no mais nobre sentido, e paremos de agir como trogloditas que penetram no mundo, extraem o seu mel e se vão, sem olhar para trás. Neste sentido a Petrobras é feminina, e lembra uma ninfa.

Mas essas metáforas não são gratuitas. No Astro Ubarana, o responsável pelo treinamento das equipes, o Engenheiro Cláudio Fayad, inventou um bambolê que são argolas de vergalhões de ferro equipadas com pequenas rodinhas de isopor que simulam o comportamento de laranjas-limas boiando e se deslocando com a corrente do mar. É! Laranjas. As laranjas são utilizadas para simulação de deslocamento de manchas de óleo no mar. E convenhamos, jogar laranjas no mar é um desperdício, não é? Palmas para o Bambolê do Fayad, dizem técnicos americanos que aqui vêm para aprender com a criatividade do brasileiro.

Aliás esse senhor cheio de entusiasmo, o Seu Fayad como é chamado pela tripulação do Astro Ubarana e do Norsul Marati (operando no litoral de Aracaju), era um percevejo. Serviu na Força Aérea Brasileira e os soldados que no seu tempo moravam no quartel da FAB eram chamados de percevejo. Assim, voltando ao assunto inicial das ninfas, ínstares dos ovos de percevejo, o seu significado etimológico (origem da palavra) vem do latim nhymphae e, segundo diz o dicionarista renascentista Bluteau (1712) "Porfírio escreve que se chamavam ninfas as almas dos homens, na realidade, ninfa tem analogia com o hebraico nephes que quer dizer alma."

E o que se vê, nas equipes do Astro Ubarama, do Norsul Marati e do Rebello XV (outro barco sendo preparado para a mesma função, destinado a basear, sem fundear, em São Sebastião), são homens com a alma do mar, sem exagero, dedicados, treinando dia após dia, tarefas aparentemente monótonas, mas perigosas e pesadas, sob o sol, sob a chuva, sob condições tempestivas de mar e (**) com a bandeirinha do Brasil colada no braço.

Copyright © 2003 Luís Peazê – escritor e jornalista científico (MTB 24338) idealizador e coordenador geral da Aventura no Brasil Costal


 

 

 

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